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UMA AGENDA PARA O NOVO MILÊNIO
por Sydney A. Latini
A globalização não é nova mas a época
atual tem características próprias. A redução do espaço e do tempo e o desaparecimento
de fronteiras estão ligando as vidas das pessoas mais profundamente, intensamente e mais diretamente do
que em qualquer época.
Em toda parte, as pessoas estão ficando ligadas – afetadas por acontecimentos nos cantos mais distantes
do mundo.
A globalização abre a vida das pessoas à cultura e a toda a sua criatividade – e ao fluxo
de idéias e conhecimentos.
Com os custos de comunicação em queda livre e os instrumentos inovadores mais fáceis de usar,
as pessoas, em todo o mundo, começaram repentinamente a conversar através da Internet. O tempo dispendido
em chamadas telefônicas internacionais disparou de 33 mil milhões de minutos em 1990 para 70 mil milhões
em 1996, segundo a UNESCO, já devendo haver ultrapassado a barreira dos 100 mil milhões de minutos
em 1999.
No entanto, a última década mostrou uma crescente concentração do rendimento, recursos
e riqueza entre as pessoa, empresas e países. As pressões implacáveis da concorrência
mundial estão comprimindo o apoio social, o coração invisível do desenvolvimento humano.
As rupturas tecnológicas mundiais oferecem grande potencial para o progresso humano e para a erradicação
da pobreza – mas não com as agendas atuais. As oportunidades e benefícios da globalização
têm que ser partilhados muito mais amplamente.
As políticas nacionais e internacionais mudaram significativamente durante os anos 70 e 80, no sentido de
uma maior confiança no mercado – diminuindo o papel do Estado. Um número sempre crescente de países
em desenvolvimento adotou uma abordagem de comércio aberto, afastando-se das políticas de substituição
de importações. Em 1997, a Índia reduziu as suas tarifas de uma média de 82% em 1990
para 30%; o Brasil, de 25% em 1991 para 12% e a China, de 43% em 1992 para 18%. Conduzidas pelos tecnocratas, as
mudanças foram fortemente apoiadas pelo financiamento do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do
Banco Mundial, como parte de reformas econômicas amplas e de pacotes de liberalização.
Os países, uns após os outros, empreenderam uma profunda liberalização unilateral,
não apenas no comércio mas aboliram, também, a maior parte das restrições aos
fluxos de capitais e, atualmente, capitais de todas as espécies movimentam-se entre eles virtualmente sem
restrições.
Estas mudanças aceleraram o passo da globalização e aprofundaram as interações
entre as pessoas, dando origem a novos mercados, novos atores, novas regras e novos instrumentos.
A integração mundial, porém, está acontecendo a uma velocidade perigosa e com um alcance
surpreendente. Mas o processo é desigual e desequilibrado, com participação desigual de países
e pessoas na expansão das oportunidades da globalização – na economia mundial, na tecnologia
mundial, na difusão mundial de culturas e na governação mundial. As regras da globalização
– e os atores que a escrevem – centram-se na integração dos mercados mundiais, negligenciando as
necessidades das pessoas que os mercados não podem satisfazer. O processo está concentrando poder
e marginalizando os pobres, tanto os países como as pessoas.
A globalização expande as oportunidades para um progresso humano sem precedentes para alguns mas
reduz essas oportunidades para outros e desgasta a segurança humana. Está integrando a economia,
a cultura e a governação mas fragmentando as sociedades.
O que fazer ?
Para fazer funcionar a globalização, são necessárias políticas mais fortes para
acelerar o desenvolvimento humano – mais investimentos para preparar as pessoas para a economia mundialmente concorrencial
e para participarem na sociedade em rede mundial.
A remoção precipitada dos controles monetários, para permitir os movimentos livres de capital
e a redução de barreiras ao comércio internacional e ao trânsito de mercadorias através
de fronteiras, antes de estabelecer um ambiente de regulamentação adequado, estão estimulando
a lavagem de dinheiro, contrabando e outras práticas criminosas.
Poderão aumentar as pressões para um regresso ao isolacionismo na política econômica,
cultura e prioridades políticas e as pessoas e os países rejeitarão a integração
e a interdependência mundiais, se as oportunidades e os benefícios da globalização não
forem partilhados muito mais amplamente.
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