JORNAL DE PLÁSTICOS - NOVEMBRO DE 1999

INDÚSTRIA DO PLÁSTICO ORGANIZOU O 3º WORKSHOP INTERNACIONAL
SOBRE COMPETITIVIDADE COM FOCO NA REFORMA TRIBUTÁRIA

A Abiplast - Associação Brasileria da Indústria do Plástico, o Siresp - Sindicato da Indústria de Resinas Sintéticas no Estado de São Paulo e a Abiquim - Associação Brasileira da Indústria Química promoveram o “3º Workshop Internacional sobre Competitividade: a estrutura tributária em foco”.
Iniciativa conjunta das indústrias de transformação, de resinas plásticas e petroquímica, o evento foi realizado, em 10 de novembro, p.p., em São Paulo.
Tratou-se da continuidade de um trabalho iniciado em 1997, com a união da cadeia produtiva do setor no sentido de buscar maior competitividade para este segmento industrial.
Além da questão tributária, grande entrave ao desenvolvimento da indústria do plástico e para suas exportações, o workshop debateu uma visão industrial para a competitividade, com dados edesafios para a evolução do setor.
Foram divulgados estudos sobre a atual situação do segmento de moldes e matrizes e medidas para melhorá-la, sobre a evolução da balança comercial do setor e o perfil 98/99 da indústria de transformação do plástico no Brasil.
Na oprtunidade, também foram apresentados cases do mercado europeu, americano, argentino e brasileiro, além de uma mesa redonda sobre a estrutura tributária no Brasil. Estiveram presentes
no evento representantes do governo federal, da Comissão de Reforma Tributária do Congresso Nacional, especialistas na questão tributária, empresários de Portugal, Argentina e EUA, o novo presidente da ISO mundial, Mario Gilberto Cortopassi, consultores do setor petroquímico e economistas.

Conclusões do 3% Workshop Internacional sobre Competitividade
1) A atual estrutura tributária faz com que cerca de até 54% do valor agregado pela indústria de transformação do plástico seja destinado ao pagamento de impostos. Esta penalidade, agregada à ausência de isonomia tributária, afeta duramente a competitividade e o desenvolvimento do setor. Trata-se do maior responsável pelo Custo Brasil, gerando importação de produtos, sonegação de impostos, entre outros efeitos perversos.
2) A cumulatividade de impostos gera uma situação insustentável e contraditória, pois quanto mais se agrega valor a um produto, maior a carga tributária decorrente.
3) A isonomia tributária entre matérias-primas concorrentes é fundamental para a afirmação do conceito de livre mercado. Nada justifica que um produto de plástico tenha um IPI quatro vezes superior a de um mesmo produto feito de outro material.
4) As exportações são prejudicadas pela estrutura tributária vigente, perdendo competitividade frente aos produtos de outros países. Na atual conjuntura estamos exportando tributos.
5) O atual sistema tributário está apoiado no princípio de que o aumento sistemático de impostos é a solução para fazer crescer a arrecadação. Na prática, corre-se o risco de ocorrer o fenômeno inverso. Ao penalizar a produção, a economia tem crescimento menor, a informalidade aumenta, a oferta de novos postos de trabalho diminui e a arrecadação acaba não atingindo os patamares necessários. Desonerar a produção é o melhor caminho para fortalecer a arrecadação.
6) A nafta é um insumo básico para toda a cadeia produtiva e deve receber tratamento diferenciado por parte das autoridades. É necessário abrir os horizontes para a produção, retirando a nafta da lista de exceção à TEC (Tarifa Externa Comum do Mercosul), ficando em 2%.
7) Necessitamos uma reforma tributária que garanta: redução do Custo Brasil; transparência – todos devem saber quanto estão pagando de impostos. Com isso a cidadania se fortalece e a sociedade tem melhores condições de cobrar do Estado seus direitos; desoneração da produção – eliminar os impostos em cascata, que têm grande impacto, principalmente, em cadeias produtivas com várias etapas; cobrança apenas sobre o valor agregado; benefícios para as pequenas e médias empresas – um sistema tributário menos burocrático e, em conseqüência, mais econômico. Com isso, essas empresas, grandes geradoras de empregos, serão fortalecidas; valorização das empresas que têm postura ética e pró-ativa.

VOLTAR | SEGUIR