JORNAL DE PLÁSTICOS - ABRIL DE 1999

RECICLAR, ANTES DE MAIS NADA,
UM ATO PATRIÓTICO
ATALIBA BELLEZA CHAGAS
Não é compreensível que um país, com essa grandeza, seja relativamente pobre e que, ainda assim, esteja se dando ao luxo de não recuperar, devidamente, embalagens e produtos.
Diante dessa lamentável constatação, segundo se informa, o governo vai lançar, finalmente, um programa com o sentido de estimular a reciclagem de seus, por vezes, tão valiosos resíduos.
Já não era sem tempo: como todos observam, estamos vivendo a era das embalagens, em que a industrialização dos chamados termoplásticos assume a liderança. Dessa forma, também sua recuperação torna-se assunto de extrema seriedade, necessitando especial atenção por parte dos dirigentes do país.
Ao que tudo indica, entrementes, até o presente momento, a atuação do governo no sentido de incentivar a reciclagem vinha sendo bastante restrita e, segundo informações que vimos coletando, não chega a 30 o número de nossas cidades que já implantaram o programa de coleta seletiva de lixo. Esse desinteresse encontraria justificativa, como dito anteriormente, na própria postura do governo que, com sua insaciável fome de impostos, não só deixa de oferecer apoio aos recicladores, mas também torna a taxá-los com a cobrança do imposto de Produtos Industrializados (IPI) pela reutilização de peças na fabricação de novos produtos.
É, portanto, bastante louvável a persistência desses excepcionais industriais que, malgrado a incompreensão do governo - principal interessado nas conquistas dos Plásticos... - em 1998, conseguiram reaproveitar, aproximadamente, 40 mil toneladas de PET.
Ao alertar nossos dirigentes para os absurdos que vêm sendo cometidos contra esses industriais que representam um dos principais segmentos de produção de plásticos no mundo moderno, esperamos contribuir para que providências urgentes sejam tomadas no intuito de, antes de mais nada, reduzir os impostos para produtos reciclados que, hoje, antagonicamente, têm carga tributária superior ao dos similares novos.

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