JORNAL DE PLÁSTICOS - AGOSTO DE 1999

DESIGUALDADES MUNDIAIS
E GLOBALIZAÇÃO
SYDNEY A. LATINI
ECONOMISTA
As desigualdades mundiais têm crescido constantemente durante quase dois séculos. Uma análise das tendências de longo prazo na distribuição mundial do rendimento (entre países) mostra que a distância entre os países mais ricos e os mais pobres era de cerca de 3 para 1 em 1820, de 11 para 1 em 1913, de 35 para 1 em 1950, de 44 para 1 em 1973 e 72 para 1 em 1992. O mais surpreendente é que os Britânicos tinham em 1820 um rendimento quase seis vezes maior de que o dos Etíopes em 1992! Essas tendências encobrem o fato de muitos países terem alcançado os mais avançados.
O Japão, por exemplo, tinha apenas 20% do rendimento dos Estados Unidos em 1900 mas 90% em 1992. A Europa meridional experimentou uma tendência semelhante com 26% do rendimento dos Estados Unidos em 1950 e 53% em 1992. Alguns países Árabes também observaram crescimentos significativos.
· Em alguns países os rendimentos das pessoas pobres cresceram mais depressa que o PNB per capita.No Equador, enquanto o PNB cresceu menos de 3% per capita, entre 1970 e 1990, a taxa de crescimento per capita do quintil mais pobre cresceu quase 7%; na Suécia foi de pouco menos de 2%, entre 1970 e 1981,para cerca de 6,5%, na Malásia, de quase 4% para 5,5% entre 1967 e 1989, na Índia, de menos de 4%, entre 1970 e 1979, para quase 5%;e na Costa Rica, de 1971 a1989, de menos de 1%, para quase 5%.
· Enquanto isso, em outros países,os rendimentos das pessoas pobres cresceram menos que o PNB per capita. Em Quênia a taxa de crescimento do PNB per capita foi de aproximadamente 2%,entre 1970 e 1992 , mas o crescimento per capita do quintil mais pobre foi pouco superior a 1% ; no Brasil, entre 1978 e 1989, o PNB per capita cresceu mais de 3%,enquanto o crescimento per capita do PNB do quintil mais pobre registrou menos de 1%.
· Para gerar crescimento favorável aos pobres, reduzir desigualdades e aumentar as capacidades humanas, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD, em seu “Relatório do Desenvolvimento Humano – 1999” , enuncia como principais componentes de política econômica: garantir uma gestão macroeconômica saudável; estabilidade; impulsionar a procura interna através de um ajustamento adequado das taxas de juros reais; adotar uma disciplina fiscal; acelerar a produção industrial; reformar as instituições do setor financeiro e promover uma boa governação. Mas o crescimento econômico só por si não é suficiente. Deve ser um crescimento a favor dos pobres expandindo as suas capacidades , oportunidades e escolhas de vida.
A globalização, tema central do Relatório do Desenvolvimento Humano 1999, estimulou e criou oportunidades para o homem, segundo a ONU, mas os avanços não foram igualmente distribuídos entre os povos, porque o fenômeno esteve mais voltado para a expansão de mercado e o aumento dos lucros do que para o bem-estar das pessoas.

VOLTAR | SEGUIR