JORNAL DE PLÁSTICOS - DEZEMBRO DE 1999

UM SHOPPING VIRTUAL DE RESINAS TERMOPLÁSTICAS:
O JORNAL DE PLÁSTICOS ENTREVISTA WILSON CATALDI

A distribuição de resinas termoplásticas no Brasil vem atingindo uma maturidade comparável à de países mais industrializados, como os da União Européia e Estados Unidos, constituindo fator de equilíbrio e regulador do mercado, para um suprimento mais justo em toda a cadeia produtiva. Além disso, facilita a logística empresarial que também é um elemento de competitividade para a prestação de melhores serviços em todo o setor.

Nesta era digital em que o JORNAL DE PLÁSTICOS lança a Febraplast Net - Feira Brasileira do Plástico, pela Internet, a
Piramidal, uma das mais destacadas empresas distribuidoras de resinas termoplásticas, inaugura sua Loja Virtual, também pela rede mundial de computadores. Para melhor difusão desta modernidade de que o Brasil precisa para tornar-se competitivo a nível de empresa, setor e país, entrevistamos o jovem empresário Wilson Cataldi, Diretor da Piramidal.

JP: A Piramidal, assim como outros Distribuidores, implantou seus Sistemas de Gestão para a Qualidade (ISO 9000). Quais foram as vantagens que esta implantação, seguida de certificação, trouxe para a distribuição de plásticos a seus clientes?
Wilson: A Piramidal, para que se tenha idéia, foi certificada em outubro de 1995. Inicialmente, ao ganhar-se o certificado, criam-se procedimentos, mas a certificação, de fato, traz os benefícios com a maturidade do sistema. Hoje, dispomos de um controle absoluto do que a empresa tem que fazer para transferir, aos nossos clientes, menor custo e maior satisfação. Portanto, temos, sob controle, desde o tempo de espera de um cliente que chega à Piramidal, até a hora de sua saída; o nível de satisfação do cliente através de um sistema de pós-venda que mensuramos, continuamente; o tratamento de cada reclamação para que não se reincida no erro. Isso é um trabalho que sentimos não ter fim porque, a cada dia, surgem novos mecanismos, para nos atualizarmos à dinâmica de mercado.

Portanto, as vantagens que a implantação da ISO trouxe foram: uma empresa com um grande controle na parte da operação e um trabalho contínuo na busca de excelência de serviços prestados a nossos clientes.

Outro aspecto importante a ressaltar é que a certificação, não apenas da Piramidal (que foi a primeira!), mas de todos os demais distribuidores, trouxe um nivelamento pelo alto no mercado de distribuição de resinas, tornando, o Brasil, País referencial nesse setor. Para que se tenha uma idéia, a Piramidal recebe, constantemente, por parte de grandes empresas petroquímicas, solicitação para apreenderem nosso know-how operacional e implantá-lo no exterior.

JP : Como a distribuição vem colaborando para a competitividade das empresas transformadoras de Plástico de micro e de pequeno portes ?
Wilson: Existe uma série de benefícios que transmitimos ao micro e pequeno usuário da matéria prima plástica: estoque permanente no “chão”, isto é, que não está nos pólos petroquímicos, está ao lado da indústria dele; entregas a partir de 25kg, que permite que se imprima velocidade ao trabalho dele; garantia de entraga de pedidos, no máximo, em 24 horas, sendo que, em caso de urgência, atá em duas ou três horas da efetivação do pedido; rapidez e facilidade de se obterem linhas de créditos; cada cliente conta com um efetivo tratamento personalizado; total apoio técnico, inclusive de emergência; velocidade na informação da criação de novos grades, similar à oferecida pelas empresas petroquímicas aos transformadores de grande porte.

Uma outra grande vantagem, para uma empresa de micro e pequeno porte em ser cliente de um distribuidor, é que temos uma grande rapidez para tomadas de decisão.

JP: Como surgiu a idéia da Loja Virtual e quais as características, vantagens e benefícios que este sistema trará para sua clientela?
Wilson: Gostaria, antes de mais nada, de apresentar alguns dados que me parecem bastante relevantes: há dois anos atrás, a Piramidal recebia 1 e-mail por mês, provenientes, em sua grande maioria, de nossos fornecedores da indústria petroquímica; há um ano atrás, passamos a receber 1 e-mail por semana, em parte, ainda, oriundos de nossos fornecedores e, em parte, de nossos clientes transformadores; há 4 meses atrás recebíamos 3 a 4 e-mail/dia, agora, correspondendo, em sua quase totalidade, aos nossos clientes micro e pequeno transformadores. Esse crescimento de usuários-clientes fez-nos perceber que tínhamos que colocar “no ar” nossa Loja Virtual. Hoje, com ela em funcionamento, recebemos de 7 a 8 e-mail/dia de micro e pequenos transformadores, o que demonstra o acerto de nossa medida em criar mais esse elo de ligação com a clientela.

É bom frisar, entretanto, que o número de pedidos fechados via Internet continua sendo muito pequeno; de fato, nossa intenção, por enquanto, não é a do “fechamento de pedidos” mas, sim, a da criação, no cliente, do hábito de acessar a Loja Virtual para tomar conhecimento, por exemplo, dos preços do mercado de distribuição, fazendo com que ele comece a se comunicar com a gente on-line.

Mesmo no futuro, coexistirão três modalidades: venda pela Internet (através da Loja Virtual); venda pelo call center, para cliente que quer conversar e tirar dúvidas sobre o pedido; finalmente, a venda que precisa da figura do vendedor presente. Entretanto, volto a ressaltar, no futuro, a figura do vendedor “físico” não será necessária para informar ao cliente sobre preços e prazos de pagamento, pois essas informações, ele as terá disponibilizadas através dos meios eletrônicos; o vendedor passará a exercer o papel de “consultor” para colaborar com conselhos e informções que possibilitarão o desenvolvimento do cliente.

Outro aspecto a destacar, também em relação a um futuro não muito distante, é que o cliente que quiser efetivar uma compra com a presença de um vendedor, pagará “x”; o que comprar pelo call center pagará “x menos y” e o que comprar pela Internet, pagará “x menos y menos z”, isto é, todos os benefícios que obtivermos pela redução de custos, via negociação eletrônica, serão tranferidos ao cliente.

JP: Como o senhor vê a implantação da Febraplast Net - Feira Brasileira de Plásticos, “365 dias e 365 noites no ar”, na Internet?
Wilson: Acho a idéia excelente! Passa a ser mais do que uma simples Feira; será o “portal” de referência do setor plástico na Internet, não só a nível nacional, como mundial. A Febraplast Net será, realmente, a grande entrada para o nosso segmento na rede mundial de computadores. Acho, portanto, a idéia fabulosa, veio para nunca mais “sair do ar”; vocês se anteciparam até às futuras necessidades do mercado, ou seja, sempre que houver necessidade de se pesquisar algo relacionado com o setor plástico, consultar-se-á a Febraplast Net. Será, como afirmei anteriormente, o “portal dos plásticos do Brasil”.

JP: O que o senhor recomendaria para o transformador, pricipalmente os de micro e pequeno portes, para manter-se ou tornar-se competitivo a partir do ano 2000?
Wilson: Em nossa visão, o que decide o futuro de sobrevivência de uma empresa não é o poder econômico de que ela dispõe, nem o produto que ela produz, mas, sim, a velocidade de que ela dispôe para tomada de decisões e são, exatamente, a nível mundial inclusive, as empresas de micro e pequeno porte que apresentam essa característica fundamental.

Portanto, a micro e a pequena empresa entram no 2000 muito fortalecidas. É lógico que continuarão a existir produtos em que a utilização de alta tecnologia faz com que permaneçam na mão de grandes grupos mundiais, em função da globalização; mas, há os produtos que, por outro lado, não exigem alta tecnologia, principalmente, os de setores como o das embalagens que continuarão sendo provenientes da indústria local e, nesse caso, como afirmei acima, a micro e pequena empresa levam bastante vantagem, pois têm grande velocidade em adaptações e mudanças.

Acho, assim, que a micro e pequena empresa devem se pautar nos seguintes princípios: buscar a informação, continuamente; buscar a profissionalização de seus colaboradores dentro da organização e nunca perder sua principal característica, que é a capacidade de decidir e se modificar rapidamente, de acordo com as necessidades de mercado.

Esses são os fatores que recomendaria para que uma micro ou pequena empresa entrasse de maneira competitiva no ano 2000.

JP: Qual a sua mensagem final aos micros e pequenos transformadores ?
Wilson: A economia mundial está baseada na micro e pequena empresa. Esses tipos de empresa são responsáveis por uma parcela expressiva da geração de empregos, do consumo de resinas e da geração de produtos de altíssima qualidade que seguem para o mercado.

Aqui no Brasil, seguimos uma trajetória muito similar; vão continuar a existir muitos micro e pequeno tranformadores. Seus empresários têm que acreditar na viabilidade do seu empreendimento, procurando seguir as recomendações citadas na questão anterior (busca de informações e profissionalização), com isso, certamente, vão atingir seus objetivos.

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