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ABIPLAST: XVI ENCONTRO NACIONAL DO PLÁSTICO
A Abiplast - Associação
Brasileira da Indústria do Plástico realizou, em 01/12, a décima sexta versão do tradicional
almoço de confraternização que congrega os três setores industriais dos plásticos:
matérias primas, máquinas e transformadores.
O concorrido evento, realizado nas dependências do Buffet França em São Paulo, contou com a
presença da “nata” desses setores industriais.
Na oportunidade os Srs. Merheg Cachum e Jean Daniel Peter, respectivamente presidentes da Abiplast e do Siresp pronunciaram discursos, que, por sua importância e atualidade para a classe, merecem
ser reproduzidos na íntegra.
Merheg Cachum - Presidente da Abiplast
“Senhoras e senhores,
É com grande satisfação que nos reunimos pela décima sexta vez neste Encontro Nacional
do Plástico para um agradável momento de confraternização e uma justa homenagem aos
empresários que mais se destacaram, conforme indicação feita pelos representantes de seus
segmentos: os companheiros Heins Frederich Mayer, da BASF, pelo Segmento das Resinas, Giordano Romi Júnior,
da Romi, pelo Segmento das máquinas e Edson José Ramon, da Plasticos Paraná, pelo Segmento
dos Transformadores.
Como todos os anos, não foi fácil a escolha dos homenageados entre os muitos empresários que,
por sua determinação, competência e persistência, se sobressaíram nos três
elos da cadeia do plástico - transformação, resinas e máquinas. Por isso, gostaria
que o reconhecimento personalizado seja entendido como uma homenagem a todos aqueles que trabalham nos diversos
elos da “cadeia do plástico”.
Como disse recentemente nosso vice-presidente, Feres Abujamra, no 3º Workshop Internacional da Indústria
de Plástico, o empresário brasileiro é, acima de tudo, um forte. Realmente é preciso
uma boa dose de coragem, bravura, pertinácia e perspicácia para se administrar uma empresa na atual
conjuntura econômica nacional.
A globalização foi, certamente, um passo importante para o nosso processo de modernização.
Mas a rápida internacionalização expôs a empresa nacional a uma concorrência desigual
com os grandes fornecedores multinacionais, que são detentores de tecnologia de ponta, que já são
parceiros de outras multinacionais e que já vinham operando em escala de produção globalizada.
Por outro lado, a mudança na política cambial agravou ainda mais os custos do petróleo, cujas
cotações ultrapassaram recentemente a marca dos 27 dólares o barril. Os três elos da
cadeia plástica, duramente atingidos, têm realizado grandes esforços conjuntos para amenizar
o impacto desses fatores no preço final de nossos produtos.
Apesar das dificuldades que enfrentamos, os dados preliminares levantados demonstram que a transformação
de plásticos deverá crescer em 1999 cerca de 3,84%, no total de resinas transformadas. Para esse
aumento contribuíram os Polietilenos, o Polipropileno e o PET.
A expansão do nível de atividade dos transformadores, em contraste com um Produto Interno Bruto praticamente
estagnado, demonstra a vitalidade do setor e a potencialidade da ampliação do consumo nacional, ainda
extremamente baixo.
A maioria dos senhores conhece muito bem o perfil da transformação, mas gostaria de lembrar alguns
dados e comentários que tive oportunidade de apresentar na reunião da ALCA, há um mês,
no Canadá.
A indústria de transformação de plástico tem uma posição de destaque
no cenário econômico nacional, respondendo por aproximadamente 1% do Produto Interno Bruto.
Esta relevante posição resulta do esforço dos empresários em promover o crescimento
do consumo interno de resinas termoplásticas.
Recente pesquisa “Brazil Pack”, da consultoria Datamark, mostra que o plástico provocou uma revolução
silenciosa nas embalagens nacionais. Nos últimos cinco anos, o consumo neste setor passou de 479 mil para
1,3 milhão de ton/ano em 1998 e deverá alcançar, neste ano de 1999, cerca de 1,6 milhão
de toneladas.
A grande variedade de segmentos que já utilizam ou que ainda poderão vir a utilizar produtos plásticos
e os baixos índices do consumo per capita indicam o grande potencial de crescimento do setor da transformação.
Nosso consumo anual por habitante, em torno de 22 quilos, corresponde a 25% do que se consome na França,
com cerca de 88 quilos, e a pouco mais de 20% do que se consome no Canadá, com cerca de 96 quilos por habitante.
Se considerarmos que o Brasil têm cerca de 170 milhões de brasileiros, uma pequena expansão
no consumo per capita representa uma grande alavancagem para o setor. Essa tendência já vem se manifestando.
O consumo por habitante praticamente dobrou nos últimos seis anos.
A cadeia produtiva nacional, num esforço conjunto de todos os seus elos - transformação, resinas
e máquinas - tem conseguido superar grandes obstáculos, mas precisa contar com maior apoio do governo.
Não buscamos favores e nem privilégios, pois entendemos que todos os segmentos empresariais e a sociedade
em geral estão pagando o preço do ajuste econômico que, sem dúvida, precisava ser feito.
Porém, o ajuste não deveria acontecer da forma como alguns iluminados do Executivo vem fazendo, com
a quebra da indústria nacional em benefício de poucos gigantes que não necessitam de nada.
No que diz respeito à Terceira Geração, nós, os transformadores, estamos atento às
modificações do mercado. A nossa participação, juntamente com o SIRESP e o INP na realização
de estudos de mercado e de competitividade, avaliação de novos setores, como a plasticultura, levantamento
da situação do mercado de moldes para artefatos plásticos, a realização de Seminários
e Workshops, demonstram a nossa preocupação na atualização de dados e informações
e no levantamento cada vez mais completo das nossas dificuldades e problemas, com objetivo de equacionarmos soluções
adequadas.
No amplo levantamento que está sendo feito do setor de moldes nos pólos industriais de Joinville
(SC), ABC (SP) e Caxias do Sul (RS) fica constatado que o pólo catarinense produz moldes de alta tecnologia,
já reconhecida até no exterior. Posso afirmar, por exemplo, que duas grandes empresas portuguesas
de Marinha Grande estão se instalando em Joinville em função da disponibilidade de mão-de-obra
e da tecnologia disponíveis no local. Apesar de todo esse avanço, ainda precisamos importar alguns
tipos de moldes de tecnologia de ponta ainda não disponíveis no Brasil.
Outro exemplo da cooperção entre os três elos da cadeia foi o Workshop realizado em outubro
deste ano, quando foi possível comparar a carga tributária suportada por transformadores de plástico
nos Estados Unidos, na Argentina, na Europa e no Brasil, demonstrando a grande distância que nos separa deles
em matéria de tributação: enquanto nos Estados Unidos a carga tributária sobre o produto
de plástico é de 24%, no Brasil chega a ser de 54%!
A ABIPLAST tem se manifestado também, de maneira persistente e contundente, contra a política econômica
recessiva, de juros escorchantes, que sufoca o setor produtivo e engorda os lucros do setor financeiro. Apenas
um exemplo: há dois anos, em 1997, o juro básico (taxa Selic) estava em 20,70% ao ano, hoje está
em 45,00%. No mesmo período, o desconto de duplicatas saltou de 71,15% para 93,17% e o cheque especial avançou
de 212,48% para 258,26%, segundo o BC, Procon-SP e Anefac.
Além da insuportável carga tributária e financeira, temos que arcar ainda com o peso de encargos
sociais, que onera a folha de salários porque o setor privado é obrigado a preencher o vácuo
que o governo deixa por não desempenhar o papel social de sua responsabilidade.
Estas têm sido as grandes preocupações e obstáculos, contra os quais a ABIPLAST tem
se empenhado com muita firmeza no plano interno. No âmbito institucional externo, nossas principais atividades
desenvolvidas nos últimos anos foram:
- Assumir a presidência da ALIPLAST - Associação Latino Americana do Plástico no período
98/99.
- Durante essa gestão, participamos e coordenamos diversos encontros de trabalho objetivando o desenvolvimento
de negócios e o II Congresso Latino-Americano da Indústria do Plástico.
- Participamos como convidado especial do Encontro Setorial Empresarial do Uruguai em abril de 99;
- Como convidado especial participamos também da Décima Assembléia Anual da Indústria
da Transformação do Plástico, no Canadá;
- Participamos das negociações do Acordo de Complementação econômica entre Brasil
e países da Comunidade Andina, no âmbito da ALADI;
-Participamos da CAMEX, onde temos uma gerência temática, cujo representante é nosso vice-presidente,
Celso Gusso, visando incrementar as exportações;
- Atuamos em conjunto com a Confederação Nacional da Indústria, para negociações
na ALCA, Mercosul e União Européia.
Apesar de todas essas adversidades, não nos esquecemos de desenvolver melhor o relacionamento entre patrões
e empregados, aprimorando o diálogo iniciado com a Convenção Coletiva de proteção
de acidentes em máquinas injetoras, primeira convenção do gênero feita no Brasil. Promovemos
novas negociações para a renovação da convenção por mais 2 anos, de modo
a ampliar o seu âmbito de atuação, e aprimorar mais nossas relações trabalhistas.
Necessitamos de condições mais favoráveis para a modernização do parque industrial,
como financiamentos em volumes e custos mais adequados, menos burocracia, redução do famigerado “Custo
Brasil” e maior facilidade de acesso à tecnologia.
Apenas como exemplo, podemos observar que muitos setores industriais, entre eles o dos plásticos, estão
com seus projetos de investimentos paralisados, na expectativa de uma política industrial consistente.
Agora, no fim do ano, fomos convocados pelo Ministério do Desenvolvimento para participar de um Forum de
Competitividade, de modo a definirmos, dentro do conceito de cadeia integrada, uma série de medidas e providências,
com o objetivo de capacitar a indústria do plástico para promover seu desenvolvimento mediante diminuição
e substituição de importações, aumento das exportações de artefatos plásticos
e geração de novos empregos.
O ano de 1999 foi difícil. A alteração da política cambial, que era prevista desde
meados de 1998, aconteceu logo em Janeiro, demontrando que o Governo não tinha se preparado para ela. Mudanças
no alto escalão, escândalos de favorecimento de alguns bancos, investigações no Congresso,
tudo isto contribuiu para gerar um ambiente de intranquilidade e incertezas que somente prejudicou nosso crescimento.
As reformas constitucionais foram se arrastando pelo ano todo e, pelo que estamos vendo, deverão ficar para
o próximo século, já que se anuncia sua implantação para 2001. É o caso
da Reforma Tributária que, depois de 4 anos de discussão, quando aprovado um parecer pelo Congresso,
demonstrou que o Governo não sabia ao certo que reforma pretendia. As discussões sobre passivos fiscais
(CADIM e REFIS) foram exaustivas, mas a intransigência da Receita Federal sempre dificultou as negociações.
Nós, empresários, queremos pagar os impostos devidos. Só esperamos que o governo crie condições
que viabilizem o pagamento. Não somos sonegadores, como nos acusam. Que nome devemos dar àqueles
que participam de negociatas e subornos, que criam obras faraônicas e super-faturadas. Como devemos chamá-los:
inadimplentes, sonegadores ou ladrões?
Não quero, porém, fazer deste encontro um muro de lamentações e não vou me deter
na enumeração de obstáculos que permeiam nossos caminhos. Este é um momento de reavivar
o otimismo, a confiança, a determinação do setor e, principalmente, a cooperação
e entrosamento entre os elos da “cadeia plástica”.
Estamos a 30 dias de uma virada histórica em nossos calendários. Mais do que nunca, é importante
preservar e fortalecer nossa confiança no futuro. Espero que neste último ano do milênio possamos
ter as grandes mudanças tão almejadas por todos, pois se esperamos o novo milênio sem que nada
de urgente tenha sido feito, muitos não sobreviverão para ajudar a construir um Brasil maior e melhor.
A todos, antecipo sinceros votos de Feliz Natal e, com otimismo renovado, desejo a todos muita prosperidade e alegrias
no ano 2.000.”
Jean Daniel Peter - Presidente do Siresp
UM PANORAMA DA SITUAÇÃO DA INDÚSTRIA
DE RESINAS PLÁSTICAS
“Sem dúvida nehuma, este foi um ano de transição.
Se olharmos para o que se pasou de 94 até o ano passado, podemos afirmar que foram 5 anos de estabilidade.
Os preços, em geral, sofreram pouquíssimas variações. Os de resinas, por exemplo, terminaram
este período com pequena queda, de 1,5%, tomando como base o dólar. Houve um crescimento muito forte
do mercado de plásticos: em torno de 60%, apoiado em uma grande oferta de matérias-primas.
Em janeiro de 1999, o país levou um “tranco”. As orientações governamentais sofreram uma brusca
alteração. As primeiras expectativas eram não só negativas, mas beiravam a catástrofe.
Os economistas mais otimistas falavam em queda do PIB de 3% a 4%, além de um grande aumento da inflação.
Mas a economia brasileira surpreendeu o mundo. Estamos fechando o ano com inflação controlada; o
dólar, provavelmente já atingiu seu ponto máximo, com tendência a declinar; vários
segmentos industriais já retomaram o crescimento e o setor de resinas plásticas teve um incremento
de 12% em suas vendas internas. Seguindo o critério de consumo aparente, o crescimento foi de 5% em relação
a 98, com uma produção de 3,3 milhões de toneladas.
O mais importante é que 1999 marca a conclusão de um ciclo de investimentos da petroquímica
brasileira. Foram mais de US$ 1,5 bilhão somente nos dois últimos anos, que permitiram ampliar a
capacidade instalada de resinas plásticas para 4,4 milhões de t/ano.
Podemos afirmar que a indústria brasileira de resinas conseguiu atender ao aumento da demanda interna, que
em alguns casos chegou a 20% (PEBDL e PP) e, no extremo, a 40%, como foi o caso do EVA. E isto mantendo constantes
as exportações, que aumentaram somente 4%, e procurando suprir um mercado que reduizu em 32% suas
importações.
Mas olhando de fora, dá a impressão de que em 1999, ao superar os prognósticos pessimistas,
não tivemos mais nenhuma outra grande dificuldade.
O país sofreu, e ainda sofre, com o desequilíbrio dos preços relativos provocados pela desvalorização
do real. A nafta petroquímica aumentou 132% de janeiro até hoje, enquanto o preço médio
das resinas subiu 75%. E nós sabemos que muitos transformadores não estão conseguindo atingir
margens aceitáveis, em vista da concentração de poder nas mãos dos compradores em determinados
segmentos. Já virou lugar comum falar dos problemas relativos ao custo Brasil, às atuais taxas de
financiamento, às deficiências de logística, à falta de igualdade de condições
para concorrer com o produto estrangeiro e à lentidão das reformas, particularmente a tributária.
Estes problemas causam endividamento, descapitalização e quebra de empresas, desemprego e são
um convite à informalidade.
Ainda assim, a capacidade de reação do Brasil e a maturidade da cadeia produtiva do plástico
nos deixam otimistas. Em 99, realizamos vários projetos em conjunto com a Abiplast que merecem destaque.
A Brasilplast’99 foi a melhor já realizada; o projeto Prumo tornou-se uma referência para os pequenos
e médios transformadores, proporcionando conquistas palpáveis; e o 3º Workshop Internacional
sobre Competitividade deu continuidade ao trabalho da Força-Tarefa, que já produziu inúmeros
trabalhos extremamente valiosos para a evolução de nossa indústria.
Se 99 foi o ano da transição, podemos esperar que 2000 seja o ano da consolidação de
tudo o que plantamos. Os dados macroenconômicos apontam para o crescimento, o mesmo acontecendo com o mercado
de plásticos. Espera-se algo em torno de 10% para o nosso segmento, aumento que a indústria de resinas
está preparada para suprir.
O quadro é favorável, como se pode observar.
Permanecem os desafios que os Poderes da República até hoje não conseguiram superar.
A indústria não quer favores, nem benesses. Apenas que o governo cumpra a sua parte, garantindo condições
iguais de competitividade. Caso contrário, toda essa expectativa de crescimento não será sustentável.”
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