JORNAL DE PLÁSTICOS - JANEIRO DE 2000

O PASSADO E O FUTURO

Sydney Latini

A reforma cambial, realizada no início de 1999, gerou expectativas positivas a par de muitas incertezas.
Esperava-se que o reflexo mais positivo do novo regime cambial, seria sobre a balança comercial. Com a desvalorização do real, as importações ficaram mais caras e as exportações melhor remuneradas no mercado interno e consequentemente mais competitivas, tanto no país como no exterior.
Essa, no entanto, foi a grande frustração. O valor global das exportações (US$47,7 bilhões) não só não atingiu o montante previsto por nós, de US$59,0 bilhões, como ficou inferior aos US$53,00 bilhões exportados em 1998. As importações (US$49,0 bilhões) caíram muito além dos US$56,5 previstos em nossa estimativa, mas não o suficiente para proporcionar saldo positivo na balança comercial.
A reconquista do mercado externo, após longo período de exposição a taxas de câmbio extremamente desfavoráveis, está requerendo período de adaptação mais longo do que se esperava, principalmente se considerarmos que a conjuntura internacional não nos favoreceu, castigando nossas exportações com preços em queda, conseqüência do clima ainda recessivo que caracterizou a economia mundial no exercício passado. Não obstante, pode-se considerar um progresso a redução do déficit da balança comercial, de US$6,7 bilhões em 1998 para US$1,3 em 1999 num montante de US$ 5,4 bilhões.
Também não correspondeu à expectativa a redução do déficit público nominal (incluídas as despesas com juros). Seu peso em relação ao PIB aumentou de 8,3% para 11,5%, afastando-se consideravelmente da previsão de 4,7% que situaria o Brasil bem próximo dos níveis geralmente bem aceitos pela comunidade financeira internacional.
A dívida pública caiu cerca de 20%, de US$335,0 bilhões em 1998 para US$275,0 bilhões em 1999, em termos absolutos, mas aumentou ainda mais sua participação relativa no PIB –de 45,6% em 1998 para 49,1% em 1999.
A taxa básica de juros, a taxa de câmbio e a inflação situaram-se em níveis que não decepcionaram, revelando a boa administração das autoridades monetárias, em que pesem as taxas abusivas ainda praticadas pelo sistema bancário, que chegam a superar 10% a.m. para os cheques especiais e que estão a exigir providências urgentes do Banco Central.
O grande desafio, no entanto, continua sendo melhorar a qualidade dos gastos públicos e aumentar a poupança interna, de tal forma que seja atingida uma taxa de crescimento adequada para gerar emprego e remuneração apropriada, com avanço de 5% a 6% de renda per capita ano.
A tabela que ilustra estes comentários apresenta uma previsão para o ano 2000, que se inicia, e que parece ao autor retratar o perfil possível para a economia do País neste último exercício do milênio.

Veja tabela com indicadores selecionados

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