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O PASSADO E O FUTURO
Sydney Latini
A reforma cambial, realizada no início de 1999,
gerou expectativas positivas a par de muitas incertezas.
Esperava-se que o reflexo mais positivo do novo regime cambial, seria sobre a balança comercial. Com a desvalorização
do real, as importações ficaram mais caras e as exportações melhor remuneradas no mercado
interno e consequentemente mais competitivas, tanto no país como no exterior.
Essa, no entanto, foi a grande frustração. O valor global das exportações (US$47,7
bilhões) não só não atingiu o montante previsto por nós, de US$59,0 bilhões,
como ficou inferior aos US$53,00 bilhões exportados em 1998. As importações (US$49,0 bilhões)
caíram muito além dos US$56,5 previstos em nossa estimativa, mas não o suficiente para proporcionar
saldo positivo na balança comercial.
A reconquista do mercado externo, após longo período de exposição a taxas de câmbio
extremamente desfavoráveis, está requerendo período de adaptação mais longo
do que se esperava, principalmente se considerarmos que a conjuntura internacional não nos favoreceu, castigando
nossas exportações com preços em queda, conseqüência do clima ainda recessivo que
caracterizou a economia mundial no exercício passado. Não obstante, pode-se considerar um progresso
a redução do déficit da balança comercial, de US$6,7 bilhões em 1998 para US$1,3
em 1999 num montante de US$ 5,4 bilhões.
Também não correspondeu à expectativa a redução do déficit público
nominal (incluídas as despesas com juros). Seu peso em relação ao PIB aumentou de 8,3% para
11,5%, afastando-se consideravelmente da previsão de 4,7% que situaria o Brasil bem próximo dos níveis
geralmente bem aceitos pela comunidade financeira internacional.
A dívida pública caiu cerca de 20%, de US$335,0 bilhões em 1998 para US$275,0 bilhões
em 1999, em termos absolutos, mas aumentou ainda mais sua participação relativa no PIB –de 45,6%
em 1998 para 49,1% em 1999.
A taxa básica de juros, a taxa de câmbio e a inflação situaram-se em níveis que
não decepcionaram, revelando a boa administração das autoridades monetárias, em que
pesem as taxas abusivas ainda praticadas pelo sistema bancário, que chegam a superar 10% a.m. para os cheques
especiais e que estão a exigir providências urgentes do Banco Central.
O grande desafio, no entanto, continua sendo melhorar a qualidade dos gastos públicos e aumentar a poupança
interna, de tal forma que seja atingida uma taxa de crescimento adequada para gerar emprego e remuneração
apropriada, com avanço de 5% a 6% de renda per capita ano.
A tabela que ilustra estes comentários apresenta uma previsão para o ano 2000, que se inicia, e que
parece ao autor retratar o perfil possível para a economia do País neste último exercício
do milênio.
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