JORNAL DE PLÁSTICOS - JULHO DE 1999

QUALIDADE DA ÁGUA:O TEMA DO PRÓXIMO MILÊNIO, SERÁ DEBATIDA EM ENCONTRO SUL-AMERICANO
A água é o grande tema do século XXI. O recurso tende à escassez, segundo a Organização das Nações Unidas. Pior: além da falta, o planeta está preocupado com a má qualidade da água, que traz um número crescente de doenças - são 1,6 bilhão (isso mesmo, bilhão) de casos de doenças diarréicas por ano, por exemplo, causados pela ingestão de água não tratada. A Organização Mundial de Saúde calcula que 25 mil crianças morrem todos os dias por doenças causadas por água não desinfectada. E segundo os estudos da ONU, os problemas de abastecimento e de qualidade da água devem se agravar principalmente nos países em desenvolvimento, como os da América do Sul.
Como evitar que a situação chegue ao caos previsto pela grande maioria dos estudiosos do assunto? Para iniciar a procura de resposta, a Clorosur (Associação Sul-Americana da Indústria de Cloro-Soda e Derivados) e a Abiclor (Associação Brasileira da Indústria de Álcalis e Cloro Derivados) realizarão o 1º Encontro Sul-Americano sobre Qualidade da Água, de 29 de setembro a 2 de outubro em Salvador, Bahia. O lançamento do evento foi feito ontem (20 de julho) em Salvador.
“Milhares de pessoas continuam morrendo em todos os países da América do Sul por causa de doenças propagadas pela água não tratada”, afirma Cláudio Oliveira, presidente da Clorosur e da Abiclor. No continente, cerca de 30% da população sequer tem acesso à rede de esgoto e mais da metade dos municípios não tem água tratada.
O 1º Encontro-Sul-Americano sobre Qualidade da Água ( o Acquasur) vai discutir e apresentar temas relacionados à desinfecção da água, para indicar caminhos que podem levar a soluções para o problema. Participarão do encontro empresas de saneamento, isntituições públicas e privadas de distribuição de água, universidades e organizações não-governamentais.
O evento conta com o apoio da Organização Pan Americana de Saúde (o braço operacional da Organização Mundial de Saúde para as Américas) e de entidades não governamentais como a Federação das Indústrias do Estado da Bahia, Instituto do PVC, Associação Interamericana de Engenharia Sanitária e Ambiental (AIDIS), Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental- Seção Bahia, e Centro de Desenvolvimento e Documentação da Indústria de Plásticos para a Construção Civil - Cediplac. Também dão apoio ao evento o Ministério da Saúde (Fundação Nacional de Saúde); Ministério do Meio Ambiente; Governo do Estado da Bahia, através de suas secretarias: Empresa Baiana de Águas e Saneamento; e Centro de Recursos Ambientais - CRA/BA.
Além disso, uma equipe técnica coordenada pelo professor Ivanildo Hespanhol, do Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, montou a programação técnica que vai permitir ampla abordagem do tema.
Tratamento com cloro, um dos 100 maiores feitos do milênio
“Atuar de maneira pró-ativa é uma das principais características da Clorosur e da Abiclor”, afirma o presidente das duas entidades, Cláudio Oliveira. A realização do 1º Encontro Sul-Americano sobre Qualidade da Água é exemplo dessa postura, já que o cloro é o principal produto utilizado em larga escala para desinfecção da água. De fato, a revista norte-americana “Life” escolheu o tratamento de água com cloro como o principal feito de saúde pública do século XX.
A Clorosur e a Abiclor têm entre suas prioridades o incentivo ao uso do cloro. A missão definida pelas entidades é “promover o desenvolvimento da indústria de álcalis, cloro e seus derivados, atuando junto à comunidade, mercado, entidades de classe nacionais e internacionais e governo, respeitando o meio ambiente, segurança e saúde, em benefício do bem-estar da sociedade”. Dentro dessa missão, as associações estão voltadas, entre seus trabalhos, para minorar um sério problema social, causado pela morte de milhares de pessoas diariamente em consequência de doenças propagadas por água, em lugares do mundo em que não há água cloarada.
Não se trata apenas de teoria. Nos Estados Unidos, a utilização de cloro no tratamento de água potável reduziu ao longo do tempo o caso de mortes por febre tifóide de 25 mil por ano para menos de 20 casos anuais. “São números que nos empurram para a ação, ainda mias quando há tanto a fazer”, lembra o presidente da Clorosur e da Abiclor. “Na América do Sul, a maioria da população não tem acesso à água tratada. Daí a importância de agir em conjunto, buscando soluções para nossos problemas em comum.”
Um produto vital também para a economia do continente
Além dessa importância para a saúde, o cloro é um produto também relevante do ponto de vista econômico. A América do Sul tem uma capacidade de 1,6 milhão de toneladas de cloro por ano, cerca de 6% do total mundial, o que a coloca em sétimo lugar entre os maiores produtores do planeta. O Brasil ocupa a liderança no continente, com 1,3 milhão de toneladas anuais. A região Nordeste responde por quase 70% (880 mil toneladas de cloro) deste total. A Argentina tem capacidade de 135 mil t., e a Venezuela mais a Colômbia, 150 mil t. por ano. Com a Clorosur, além da integração da cadeia produtiva (produtores, distribuidores, transportadores, e usuários finais), haverá incentivos para incremento dessa produção, o que significa que mais de 320 milhões de pessoas poderão ter acesso ao produto. Dessa maneira, pode-se garantir o fornecimento de cloro, utilizado no tratamento de água, e em outros usos do saneamento básico e em uma infinidade de aplicações que marcam a melhora da qualidade de vida neste final do século XX. Entre essas aplicações, merecem destaque o uso em medicamentos, equipamentos hospitalares, cosméticos e matérias-primas para a construção civil, indústrias têxtil, automobilística, eletroeletrônica, aeronáutica e de telecomunicações.
 

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