QUALIDADE DA ÁGUA:O TEMA DO PRÓXIMO MILÊNIO,
SERÁ DEBATIDA EM ENCONTRO SUL-AMERICANO
A água é o grande tema do século XXI. O recurso tende
à escassez, segundo a Organização das Nações Unidas. Pior: além da falta,
o planeta está preocupado com a má qualidade da água, que traz um número crescente
de doenças - são 1,6 bilhão (isso mesmo, bilhão) de casos de doenças diarréicas
por ano, por exemplo, causados pela ingestão de água não tratada. A Organização
Mundial de Saúde calcula que 25 mil crianças morrem todos os dias por doenças causadas por
água não desinfectada. E segundo os estudos da ONU, os problemas de abastecimento e de qualidade
da água devem se agravar principalmente nos países em desenvolvimento, como os da América
do Sul.
Como evitar que a situação chegue ao caos previsto pela grande maioria dos estudiosos do assunto?
Para iniciar a procura de resposta, a Clorosur (Associação Sul-Americana da Indústria de Cloro-Soda
e Derivados) e a Abiclor (Associação Brasileira da Indústria de Álcalis e Cloro Derivados)
realizarão o 1º Encontro Sul-Americano sobre Qualidade da Água, de 29 de setembro a 2 de outubro
em Salvador, Bahia. O lançamento do evento foi feito ontem (20 de julho) em Salvador.
“Milhares de pessoas continuam morrendo em todos os países da América do Sul por causa de doenças
propagadas pela água não tratada”, afirma Cláudio Oliveira, presidente da Clorosur e da Abiclor.
No continente, cerca de 30% da população sequer tem acesso à rede de esgoto e mais da metade
dos municípios não tem água tratada.
O 1º Encontro-Sul-Americano sobre Qualidade da Água ( o Acquasur) vai discutir e apresentar temas relacionados
à desinfecção da água, para indicar caminhos que podem levar a soluções
para o problema. Participarão do encontro empresas de saneamento, isntituições públicas
e privadas de distribuição de água, universidades e organizações não-governamentais.
O evento conta com o apoio da Organização Pan Americana de Saúde (o braço operacional
da Organização Mundial de Saúde para as Américas) e de entidades não governamentais
como a Federação das Indústrias do Estado da Bahia, Instituto do PVC, Associação
Interamericana de Engenharia Sanitária e Ambiental (AIDIS), Associação Brasileira de Engenharia
Sanitária e Ambiental- Seção Bahia, e Centro de Desenvolvimento e Documentação
da Indústria de Plásticos para a Construção Civil - Cediplac. Também dão
apoio ao evento o Ministério da Saúde (Fundação Nacional de Saúde); Ministério
do Meio Ambiente; Governo do Estado da Bahia, através de suas secretarias: Empresa Baiana de Águas
e Saneamento; e Centro de Recursos Ambientais - CRA/BA.
Além disso, uma equipe técnica coordenada pelo professor Ivanildo Hespanhol, do Departamento de Engenharia
Hidráulica e Sanitária da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, montou a
programação técnica que vai permitir ampla abordagem do tema.
Tratamento com cloro, um dos 100 maiores feitos do milênio
“Atuar de maneira pró-ativa é uma das principais características da Clorosur e da Abiclor”,
afirma o presidente das duas entidades, Cláudio Oliveira. A realização do 1º Encontro
Sul-Americano sobre Qualidade da Água é exemplo dessa postura, já que o cloro é o principal
produto utilizado em larga escala para desinfecção da água. De fato, a revista norte-americana
“Life” escolheu o tratamento de água com cloro como o principal feito de saúde pública do
século XX.
A Clorosur e a Abiclor têm entre suas prioridades o incentivo ao uso do cloro. A missão definida pelas
entidades é “promover o desenvolvimento da indústria de álcalis, cloro e seus derivados, atuando
junto à comunidade, mercado, entidades de classe nacionais e internacionais e governo, respeitando o meio
ambiente, segurança e saúde, em benefício do bem-estar da sociedade”. Dentro dessa missão,
as associações estão voltadas, entre seus trabalhos, para minorar um sério problema
social, causado pela morte de milhares de pessoas diariamente em consequência de doenças propagadas
por água, em lugares do mundo em que não há água cloarada.
Não se trata apenas de teoria. Nos Estados Unidos, a utilização de cloro no tratamento de
água potável reduziu ao longo do tempo o caso de mortes por febre tifóide de 25 mil por ano
para menos de 20 casos anuais. “São números que nos empurram para a ação, ainda mias
quando há tanto a fazer”, lembra o presidente da Clorosur e da Abiclor. “Na América do Sul, a maioria
da população não tem acesso à água tratada. Daí a importância de
agir em conjunto, buscando soluções para nossos problemas em comum.”
Um produto vital também para a economia do continente
Além dessa importância para a saúde, o cloro é um produto também relevante do
ponto de vista econômico. A América do Sul tem uma capacidade de 1,6 milhão de toneladas de
cloro por ano, cerca de 6% do total mundial, o que a coloca em sétimo lugar entre os maiores produtores
do planeta. O Brasil ocupa a liderança no continente, com 1,3 milhão de toneladas anuais. A região
Nordeste responde por quase 70% (880 mil toneladas de cloro) deste total. A Argentina tem capacidade de 135 mil
t., e a Venezuela mais a Colômbia, 150 mil t. por ano. Com a Clorosur, além da integração
da cadeia produtiva (produtores, distribuidores, transportadores, e usuários finais), haverá incentivos
para incremento dessa produção, o que significa que mais de 320 milhões de pessoas poderão
ter acesso ao produto. Dessa maneira, pode-se garantir o fornecimento de cloro, utilizado no tratamento de água,
e em outros usos do saneamento básico e em uma infinidade de aplicações que marcam a melhora
da qualidade de vida neste final do século XX. Entre essas aplicações, merecem destaque o
uso em medicamentos, equipamentos hospitalares, cosméticos e matérias-primas para a construção
civil, indústrias têxtil, automobilística, eletroeletrônica, aeronáutica e de
telecomunicações.
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