A GLOBALIZAÇÃO
E A
REALIDADE BRASILEIRA
Sydney A.
Latini - Economista
A globalização
não cria necessariamente embaraço ao desenvolvimento
econômico e pode até criar novas oportunidades de
crescimento, desde que os agentes tenham uma noção
clara do processo e os governos desenvolvam estratégias
que permitam aproveitar vantagens da globalização.
É possível obter uma inserção internacional
adequada do país se o estado brasileiro tiver um planejamento
estratégico que contemple uma visão sistêmica
e holística do desenvolvimento sustentado.
Hoje em dia o neoliberalismo está na moda e dele se espera
a solução para todos os nossos problemas. É
imperativo considerar, no entanto, que num país como o
Brasil, com grandes desigualdades regionais e econômicas,
numerosa população, e problemas sociais agudos,
cometer-se-ia um erro grave em adotar um modelo como esse sem
pensar profundamente sobre a adequação à
sua realidade. Precisamos procurar soluções próprias
para os nossos problemas. Estas soluções podem,
naturalmente, incorporar elementos provenientes da experiência
de outros países, mas a adaptação não
pode ser mecânica.
O reconhecimento de que em menos de setenta e cinco anos depois
de ter sido iniciada oficialmente, a disputa entre capitalismo
e socialismo terminou com a vitória do capitalismo, não
implica em admitir que venceu o estilo anglo-saxão (ou
norte-americano) de capitalismo.
A autorizada revista The Economist, em recente edição,
analisando o modelo econômico americano, questiona: Será
que o modelo americano provou sua superioridade?
Após discorrer sobre os sete modelos que considera os
mais representativos ( o próprio modelo americano, o japonês,
o dos tigres asiáticos, o alemão, o
sueco, o neo-zelandês e o holandês), conclui que
o modelo ideal muda de acordo com as circunstâncias.
Sem pretender entrar no mérito de cada um desses modelos,
três características do modelo japonês, que
muito influencia os modelos dos chamados tigres asiáticos
- principalmente Coréia do Sul e Taiwan - devem merecer
( ou já deveriam estar merecendo) atenta análise
dos formuladores da política econômica e social
do governo brasileiro, a saber:
- a íntima cooperação entre governo e iniciativa
privada;
- a valorização dos recursos humanos; e
- a formação e preservação de uma
burucracia estatal competente.
As relações estreitas entre as empresas, o sistema
bancário e o governo tornaram possível a formulação
e execução de políticas mais preocupadas
com o longo prazo e menos vulneráveis às contigências
de curto prazo.
A atenção dispensada pelas empresas e pelo governo
à educação, em todos os níveis, com
ênfase especial ao treinamento de mão-de-obra e
a preocupação com o seu bem estar, constituíram
as bases de uma sociedade solidária e de uma coesão
social que explicam o elevado nível de produtividade e
os baixos níveis de litígio entre patrões
e empregados.
A existência de uma burucracia estatal capaz é outro
elemento que poderia ser imitado - e o nosso país tem
boas condições para perseguir esse objetivo, tendo
em vista os padrões já atingidos em passado não
muito distante. O perigo a evitar é o de criar uma burocracia
eficiente mas divorciada da realidade social que a circunda.
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