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EDITORIAL
De luto a Indústria Plástica do Brasil: Falece
o jornalista Ataliba Belleza Chagas
OS
LEITORES DO JORNAL DE PLÁSTICOS podem imaginar o quão doloroso
é, para nós, noticiarmos o falecimento de nosso Diretor Fundador,
o Jornalista Ataliba Belleza Chagas, ocorrido no dia 15/11/2005.

Jornalista Ataliba Belleza Chagas, Diretor-Fundador do JORNAL
DE PLÁSTICOS
POR
OUTRO LADO, nos conforta saber estarmos falando de uma pessoa
que foi sempre um exemplo para seus familiares, que esteve à
frente de seu tempo e a quem, certamente, o setor petroquímico/plástico
nacional, pelo seu incansável trabalho promocional , através
da criação do JORNAL DE PLÁSTICOS, há quase 50 anos, muito fica
a dever.
PARA
AQUELES, principalmente os mais jovens, que não tiveram a oportunidade
de conhecê-lo pessoalmente, registramos sua trajetória por quase
86 anos de vida:
ATALIBA
NASCEU em Niterói, Estado do Rio de Janeiro, em 04/02/1920.
Aos treze anos, com uma diferença de meses, perdeu seus pais
e único irmão, ficando praticamente sozinho no mundo.
TOTALMENTE
desprovido de recursos de sobrevivência, por sua própria
conta, decidiu procurar o Colégio Salesianos Santa Rosa de Niterói,
onde foi acolhido como interno. Ali aprendeu seu primeiro ofício:
encadernador, como seu pai. E, aos 14 anos, já era o chefe da
oficina de encadernação do colégio.
POSTERIORMENTE,
trabalhou em lojas de conserto de rádio, vindo a empregar-se
na Rádio Mayrink Veiga como operador de som.
AQUARIANO
por excelência, sempre “à frente de seu tempo”, ainda durante
a 2ª guerra mundial, foi um dos pioneiros no Brasil no campo
da informática: prestou concurso para a IBM, onde rapidamente
se tornou chefe do serviço de mecanização.
EM
1947, JÁ CASADO, mudou-se com sua esposa para Mangaratiba (RJ),
passando a trabalhar em um cartório. Aí surgiu, então, o “jornalista”:
propos a seus amigos Sebastião Rodrigues da Costa e João Batista
Rodrigues da Costa, Diretores do “Grande Jornal Fluminense”,
à época o mais importante jornal radiofônico do antigo Estado
do Rio de Janeiro, tornar-se seu correspondente para o litoral
sul-fluminense em paralelo às suas atividades cartoriais.
SEU DESEMPENHO na função de correspondente foi tão bom
que João Batista o convidou para ser gerente do Grande Jornal
Fluminense, em Niterói, devendo, ainda, fazer a cobertura da
Bancada Fluminense, na Câmara dos Deputados no Rio de Janeiro,
então capital da república.
FOI LÁ, no Grande Jornal Fluminense, que veio a conhecer
um dos expoentes de nossa plêiade de economistas, grande estudioso
dos problemas nacionais e que ocupava alto cargo no Banco do
Brasil, na Cexim, e, posteriormente, na Sumoc - Sydney Latini,
a quem se deveu, já na qualidade de Secretário Geral do GEIA,
a implantação da indústria Automobilística no país. De grande
visão, Latini sentiu a promissora Indústria plástica que despontava,
através do relacionamento com os empresários do setor, cabendo
a ele liberar as primeiras licenças de importação de matérias-primas
e máquinas. E tanto se empolgou com as perspectivas desse setor
para a economia nacional que se lançou na confecção de uma publicação
especializada, em forma de revista, da qual Ataliba foi, durante
algum tempo, correspondente, em São Paulo.
MAS ATALIBA era, antes de tudo, um visionário. Assim,
em 1956, percebeu que o formato de publicação especializada
que melhor atenderia o setor plástico nacional seria o de um
jornal (N.R. cinqüenta anos, depois, isto se comprovou, inclusive,
internacionalmente, pois a maior publicação americana sobre
plásticos, hoje em dia, encontra-se, também, em forma de jornal).
CONTANDO pois com o apoio e a colaboração fundamental
de sua esposa, a Profª Maria Magdalena Sardinha Chagas, também
já falecida, vislumbrou a possibilidade de editar uma publicação,
em forma de jornal, para noticiar o que ocorria na então jovem
Indústria Plástica. Como o plástico era considerado um material
revolucionário, e a Indústria Plástica, logicamente, também
revolucionária, foi escolhido o dia 09/07, data da Revolução
Paulista, como o da fundação do JP, numa homenagem aos bravos
paulistanos e à terra bandeirante.
O ANO DE 1956 não poderia ter sido mais propício para
a fundação do JP: era o início do Governo JK, do plano de metas,
dos “50 anos em 5”, da partida, enfim, para o nosso processo
real de industrialização, processo esse que o JORNAL DE PLÁSTICOS
vem, de fato, acompanhando ao longo desse ininterrupto meio
século de luta.
NO FINAL DA DÉCADA de 50, Ataliba, através do JP, colaborou
e participou, ativamente, na criação dos sindicatos empresariais
do setor, sendo mesmo um dos fundadores do atual SIRESP - Sindicato
da Indústria de Resinas Sintéticas.
NO INÍCIO dos anos 60, já com o sucesso obtido pelo JP,
Ataliba cria o primeiro evento de congraçamento do segmento
plástico nacional: o AMIP - Almoço Mensal da Indústria Plástica,
encontro do setor realizado durante mais de duas décadas.
NO DECORRER DOS ANOS, sucederam-se inúmeras outras proposições
do incansável pioneiro da imprensa especializada dos plásticos:
Escola para Revendedores Plásticos; Fundação Brasileira de Tecnologia;
“Ilha dos Plásticos” (denominação criada para concentrar o setor
de máquinas e equipamentos para a indústria plástica nas Feiras
da Mecânica) e finalmente, o Curso Básico Intensivo de Plásticos
- CBIP, único curso sobre plásticos à distância, a nível mundial,
hoje apresentado em três versões (impressa, CD-Rom e via e-mail),
contando com cerca de 3000 alunos.
TODAS ESSAS
OBRAS traduzem, inegavelmente, a capacidade criativa dessa personalidade
ímpar que consagrou mais de cinqüenta anos de sua existência
à “família plástica do Brasil”: Ataliba Belleza Chagas.
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