JORNAL DE PLÁSTICOS - OUTUBRO DE 1999

PÓLO-GÁS QUÍMICO DO RIO, MARCO PARA A INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS DO BRASIL

por Sydney A. Latini

No Governo Sarney, em 1986, foi prometida aos fluminenses a instalação de um Pólo Petroquímico em seu território. Nada mais natural , uma vez que o Estado do Rio de Janeiro é o maior produtor de petróleo e gás do Brasil e abriga o segundo maior parque industrial do país.
Mas os pólos de Camaçari, na Bahia e de Triunfo, no Rio Grande do Sul, absorveram toda a matéria prima da petroquímica brasileira – a nafta – para abastecer suas respectivas centrais de derivados. E o Estado do Rio continuou sonhando com sua indústria petroquímica.
Em 1994, os grupos empresariais Suzano e Unipar propuseram à Petrobrás o aproveitamento dos gases de refinaria como matéria - prima para a produção de eteno e derivados, em área contígua à da Refinaria Duque de Caxias, o que viabilizaria a construção de um Pólo Gás – Químico no Rio de Janeiro, que poderá usar, também, o gás natural proveniente da Bacia de Campos.
Em 1997 o presidente Fernando Henrique Cardoso reacendeu o sonho da petroquímica fluminense, participando da solenidade de assinatura firmada pela recém – criada Rio- Polimeiros, associação da Suzano e da Unipar, com a Petrobrás, para construir e operar uma unidade de pirólise no Rio, em extensa área desapropriada pela prefeitura de Duque de Caxias para esse fim.
Embora ainda pendente de algumas importantes decisões do governo federal, espera-se que, desta vez, sairá o Pólo Gás -Químico do Rio de Janeiro, pois o consórcio de empresas para realizá-lo está praticamente formado, a Petrobrás já tomou suas decisões de participação e o BNDES já se manifestou favorável ao projeto. Trata-se, segundo se anuncia, de um empreendimento de US$ 900 milhões, do qual a Petrobás participará com 16%, que entrará em operação em meados do ano 2002 e que será fundamental para que mais de mil indústrias de plásticos no Estado do Rio possam expandir a produção, gerando mais empregos, além de atrair novos produtores de mercadorias cujo insumo básico é o polietileno. A Rio Polímeros será a mais moderna fábrica de termo-plásticos do país e a demora em sua instalação acabou beneficiando o Estado do Rio, pois utilizará uma tecnologia que ainda não era disponível há quatro ou cinco anos – a dos metalocenos – uma categoria especial de catalizadores.
Cabe destacar o empenho do Governador do RJ, Anthony Garotinho, que compreendeu o papel de indutor do Estado, comprou a idéia e está agindo como aglutinador de todas as peças – Governo Federal, Petrobrás, e empresas privadas –para que o projeto saia do papel e se transforme em palpável realidade.
Está de parabens a indústria de plásticos, do Estado do Rio e do Brasil, com mais essa importante fonte de suprimento de matéria prima que – graças ao elevado padrão tecnológico utilizado e às condições logísticas favoráveis – vão nos proporcionar condições de competir vantajosamente não só no mercado interno, em expansão, como também num mercado internacional que nos desafia.

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