JORNAL DE PLÁSTICOS - SETEMBRO DE 1999

RECICLAGEM DE PNEUS DEVE VIRAR LEI AMBIENTAL
Um pneu inservível demora cerca de cem anos para se degradar totalmente no meio ambiente. Com esta constatação, o Conama - Conselho Nacional do Meio Ambiente, deve apreciar no final de agosto, legislação que obrigará empresas fabricantes ou importadoras, que comercializam pneus a dar fim ambiental adequado a produtos considerados inservíveis, ou no popular, que “estão na lona”.
Segundo a lei proposta, as empresas do setor terão que, a partir de 2002, a cada 4 pneus comercializados, comprovar o fim ecológicamente apropriado de, pelo menos, 1. Até o ano de 2005, a cada 4 prontos para venda, cinco devem ser reciclados. Fim ambientalmente adequado significa reutilizar a matéria-prima do que ainda pode ser aproveitado e fabricar artefatos menos nobres de borrachas, como tapetes, carpetes e pisos ornamentais, por exemplo.
Antes de se desfazer de um pneumático desgastado pelo tempo e que teoricamente não tem mais valor de mercado, vale lembrar que o sistema de recauchutagem no País gera significativa economia. Sem sua adoção, por exemplo, a passagem cobrada pelo sistema de transportes públicos, teria acréscimo de cerca de 20% na tarifa. Motivo: passariam a ser usadas matérias-primas novas e, por conseqüência, mais caras.
“O maior objetivo desta legislação é não aumentar o índice de pneus relegados ao meio ambiente, fazendo com que venha a reduzir o enorme passivo ambiental.” frisa Ademar Araújo Queiroz do Valle, diretor executivo da ARESP - Associação das Empresas de Recauchutagem de Pneus do Estado de São Paulo. Segundo ele, seriam cerca de 200 milhões de pneumáticos abandonados em aterros, fundos de rios, entre outros locais.
Para que esta resolução ambiental tenha o devido sucesso, entidades envolvidas no setor, assim como lojas espalhadas pelo País precisam se esforçar, em conjunto, para que não se acumulem ainda mais pneus inservíveis no meio ambiente. “Além do lento processo de degradação, eles ainda podem ser foco de doenças como a dengue”, completa Ademar.
Segundo dados da ARESP, há 18 milhões de ações de recauchutagem em todo o País. Deste total, 85% se referem a transportes de cargas e passageiros e o restante a veículos comerciais e de passeio. Com estas ações de recauchutagem, movimentam-se cerca de R$ 1,4 bilhão no País. Em uma frota estimada de 17 milhões de veículos no Brasil, que resultam em cerca de 110 milhões de pneus, 30%, ou 40 milhões, são recauchutados.

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