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INTERNET, TREINAMENTO BÁSICO EM PLÁSTICOS
E CAPACITAÇÃO
PARA COMPETIÇÃO EM BASE TECNOLÓGICA CAMINHARÃO JUNTOS
Entrevista com Mike Cohen, consultor de negócios
pela Internet
O sucesso que o Curso Básico Intensivo de Plásticos
vem tendo, inclusive agora, traduzido para o espanhol e visando todo o Mercosul, demonstra a necessidade da melhoria
do conhecimento sobre Plasticos, tanto da parte dos empresários quanto do seu pessoal, em todos os níveis
.
Segundo o Consultor Mike Cohen (vide entrevista na edição passada sobre o Impacto do E-commerce e
do E-business sobre o Negócio do Plástico), esta necessidade de treinamento e reciclagem de conhecimentos
é evidente quando sabemos que, só no Brasil, existem cerca de 5000 empresas processadoras de plástico,
das quais 95% micro e pequenas, com dificuldade para competirem em base tecnológica, a maioria das quais
operando em um horizonte muito curto, a nível de sobrevivência.
Mesmo assim, Mike Cohen tem uma visão otimista sobre o Brasil e a Indústria Brasileira do Plástico,
se um trabalho cooperativo for desenvolvido, para maior informação e conhecimento no segmento das
pequenas e micro empresas da 3ª geração, rumo à capacitação tecnológica.
JP- Sr. Cohen, o senhor considera importante o treinamento básico em plásticos?
MC- Sem dúvida! A sobrevivência das empresas do Plástico, sejam elas grandes médias,
pequenas ou micro, dependerá, cada vez mais, da sua competitividade em base tecnológica. Para isto,
treinamento básico (educação, nem se fala!), para o mínimo conhecimento teórico/prático
sobre o Plástico, é fundamental. Haverá um momento, dentro da realidade brasileira, em que
as práticas menos recomendáveis da competitividade, e que hoje fazem parte da nossa cultura, serão
substituídas pela base tecnológica e pela melhor gestão dos processos.
JP- Por que o senhor considera este treinamento básico importante?
MC - Provavelmente, na Indústria, quase inexiste o analfabeto, ou seja, aquele que não sabe ler e
escrever. Entretanto, há muito analfabeto funcional do plástico, ou seja, aquele que por falta da
mínima preparação teórica, é incapaz de absorver novos conceitos, ou mesmo ler
e entender um manual técnico, seja relacionado com as matérias primas e seus aditivos, ou com uma
máquina e seus acessórios. Isto conduz à prática ultrapassada do aprender errando,
o que representa muita perda de tempo, re-trabalho, desperdício de materiais, perda de clientes, enfim,
perda de dinheiro.
JP – Como o senhor chegou à conclusão sobre este enorme contingente de analfabetos funcionais do
plástico?
MC – É muito simples! Todas as nossas escolas técnicas formam, em seu conjunto e no máximo,
200 técnicos no País/ano. Considerando–se que o parque tranformador do plástico brasileiro
tem 5000 empresas, necessitaríamos de 25 anos para ter um técnico em cada empresa. Este fator, quantidade
ínfima de técnicos, já é conclusivo. Esta pode ser uma das causas do alto índice
de mortalidade de pequenas empresas no setor. Anualmente desaparecem cerca de 1000 empresas e aparecem cerca de
novas 1000, como pude constatar através da ABIPLAST.
JP- O senhor acha que o Curso Básico Intensivo de Plasticos, por correspondência e, agora, pela Internet,
poderá ajudar a resolver este problema do alto índice do analfabetismo funcional no plástico?
MC – Sim, e muito! A International Schools, por exemplo, há mais de 60 anos vem ajudando a preparar técnicos
em todos os campos (rádio, televisão, contabilidade, etc), com treinamento à distância,
desde o tempo em que só havia o correio como meio efetivo e barato de comunicação, para este
fim. O mesmo está hoje sendo feito pelo JP no campo específico do Plástico, porém com
recursos mais efetivos e mais baratos de comunicação.
JP - Por que o senhor acredita que o Curso Básico Intensivo de Plásticos pode ajudar a resolver este
problema do “analfabetismo funcional”?
MC – Vivemos a era da informação e do conhecimento. As rápidas mudanças que ocorrem
no campo da tecnologia, também vêm tendo um impacto na maneira de as pessoas se informarem, aprenderem
e aplicarem os conhecimentos adquiridos. Mais importante do que simplesmente aprender é o aprender a aprender,
para uma longa caminhada de aprendizado contínuo, a fim de não ficar ultrapassado pelo concorrente,
hoje mais próximo do que nunca com o desenvolvimento do e-commerce e do e-business. Como já diziam
os chineses, há milhares de anos, para se iniciar uma longa caminhada, é necessário dar o
primeiro passo. Pela sua simplicidade e facilidade de aprendizagem, o Curso Básico Intensivo de Plásticos
é o primeiro grande passo; o alicerce para se construir a casa do conhecimento. Entretanto, não se
deve parar por aí, pois o aprendizado geral e específico deve ser contínuo. Parece que nestas
áreas mais específicas, o JP já tem projetos em desenvolvimento.
JP – Em que níveis deve se dar este aprendizado básico de plásticos?
MC – Em todos os níveis da empresa. Do próprio empresário e até o chão de fábrica,
passando por todos os níveis intermediários, sejam eles da produção, da administração
e das vendas. Hoje, o conhecimento mínimo deve ser compartilhado entre o pessoal da empresa. O próprio
conceito de clientes internos, desenvolvido pelos Sistemas da Qualidade, exige que um setor interno da empresa
saiba o que se passa no outro, para melhor compreensão e interação entre os setores, visando
a melhor prestação de serviços ao cliente, que é quem vai decidir sobre o sucesso ou
o fracasso da empresa.
JP - O senhor falou que o empresário também precisa aprender a aprender? Como isto se evidencia?
MC – Em primeiro lugar, o próprio JP evidencia em suas estatísticas que um grande número de
alunos é constituído pelos próprios empresários, felizmente já preocupados em
aprender. Em segundo lugar, são informações impressionantes que obtive do IPT sobre o comportamento
dos empresários do plástico frente ao Projeto Prumo – Projeto de Unidades Móveis. Entre 2700
transformadores do Estado de São Paulo, pouco mais de 100 interessaram–se por este formidável serviço
público, proporcionado pelo IPTm Instituto de Pesquisas Tecnológicas, em parceria com o INP, Instituto
Nacional do Plástico, e o SEBRAE (subsidiando financeiramente o projeto), com apoio da FAPESP. São
duas viaturas aparelhadas com 15 equipamentos para a realização de 30 testes e ensaios em materiais,
processos e produtos acabados. Os técnicos do IPT também proporcionam treinamento técnico.
As empresas que se utilizaram do PRUMO colheram benefícios imediatos, que estão sendo divulgados
pela imprensa e principalmente pelo JP - mesmo assim, para se chegar ao dono da empresa é preciso vencer
enormes barreiras, principalmente as culturais.
JP - Com isso o senhor quer dizer que há a necessidade dos serviços do PRUMO, mas que não
tem havido demanda?
MC – Sim! A barreira entre a real necessidade e a demanda por este formidável PRUMO está na cultura
da empresa e das pessoas que a dirigem e que nela trabalham. A cooperação INP, IPT, SEBRAE e FAPESP
faz a sua parte, mas não vem encontrando, como desejável, a
contrapartida do setor, mesmo que os atendimentos sejam subsidiados.
JP - Isto é lamentável. Onde está a raiz do problema?
MC – Está, exatamente, na falta de informação, conhecimento e aprendizagem sobre o plástico
em todos os escalões da empresa. A cooperação INP, IPT, SEBRAE e FAPESP criou uma formidável
ponta tecnológica, elogiada até por entidades de outos países. Entretanto, falta uma ponta
cultural do outro lado, nas empresas. A grande missão do Curso Básico Intensivo de Plásticos
é a de difundir esta cultura, para formar a outra ponta.
JP – Qual seu conselho final ao empresário do Plástico?
MC – Invista um pouquinho só de dinheiro e tempo no seu próprio treinamento e no do seu pessoal.
Dê alguma forma de incentivo para eles fazerem o Curso Básico Intensivo de Plásticos, pelo
correio ou pela Internet. O primeiro passo estará dado e temos a certeza de que eles procurarão novos
aprendizados, que serão úteis no seu trabalho, pois eles já terão aprendido a aprender.
A nova geração já vem informatizada e sequiosa de aprendizado. A distância entre a escola
e o aluno está desaparecendo com a Internet.
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