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DE UMA GLOBALIZAÇÂO PASSIVA A UMA
GLOBALIZAÇÃO ATIVA
Sydney A. Latini
A abertura do mercado brasileiro às importações,
ocorrida a partir do governo Collor e acentuada a partir de então, aconteceu precipitada e unilateralmente,
sem negociação de contrapartida, causou desastrosas conseqüências à balança
comercial do Pais, à indústria local e acelerou o desemprego.
A política de substituição de importações, adotada durante décadas, responsável
pela industrialização acelerada do País, foi estigmatizada e identificada com a elevação
de preços e uma das principais componentes do processo inflacionário.
A política econômica durante anos – ajuste fiscal, metas de inflação, valorização
artificial da taxa de câmbio, taxas de juros astronômicas – relegou a segundo plano a industrialização
do País e privilegiou as importações com o objetivo de estimular a concorrência e baixar
os preços, sem qualquer preocupação em assegurar à indústria nacional pioneira
um prazo adequado à sua adaptação para enfrentar a concorrência externa, nem sempre
leal.
A partir de 1999, com o sistema cambial adotado no final do ano anterior (taxa flutuante e desvalorização
do real em relação ao dólar), estão crescendo sinais de que o Brasil está voltando
a substituir importações, embora ainda timidamente mas em escala crescente.
Iniciativas empresariais e políticas públicas estão resultando em programas de substituição
de importação que começam a apresentar os primeiros e alvissareiros resultados.
A produção de bens de capital cresceu 17%, nestes últimos anos, enquanto a importação
desse segmento ficou 7% menor. Em bens de consumo duráveis, a produção local aumentou 9%,
enquanto a quantidade importada caiu pela metade.
Os setores mais eficientes na substituição de importações foram o automobilístico,
o têxtil e o de papel e papelão. No setor têxtil, a quantidade importada em 2001 foi 30% inferior
à trazida do exterior em 1998. No mesmo período, a produção cresceu 1,2%. Em automóveis,
as importações caíram 45%, na mesma base de comparação, enquanto a produção
anunciada pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA), aumentou
13%. Em 1998, as importações do setor automotivo (incluindo-se veículos prontos e peças)
somaram US$ 8,6 bilhões. No ano passado, ficaram em 6,5 bilhões, uma redução de 25%.
Com o câmbio realista que temos hoje, o caminho é a nacionalização. As empresas hoje
estão exportando e reduzindo importações porque investiram em ampliação da capacidade
produtiva.
Os setores nos quais não se observa sinal de substituição de importações são:
químico, farmacêutico, de material elétrico e comunicação. Nesses, a importação
tem crescido em uma velocidade superior à da produção local. No químico, a produção
doméstica encerrou 2001 em nível 4,5% inferior ao de 1998, enquanto a importação em
volume foi 20% superior.
Nos anos 90, os investimentos foram muito vinculados a processos de enxugamento, racionalização e
modernização da produção. Muitos projetos foram desenhados nos primeiros anos do Plano
Real quando a importação era uma forma eficiente de reduzir custos. Reverter o projeto que contava
com fornecimento externo demora e exige novos investimentos.
Por outro lado, os acordos internacionais que estão sendo feitos pelo governo – e que exigem um índice
mínimo de nacionalização –estimulam o aumento de exportações e a substituição
de importações. A política de exigência de 60% de nacionalização para
exportação dentro dos acordos bilaterais e para as vendas com acesso ao financiamento do FINAME induz
à busca crescente de fornecedores locais.
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