JORNAL DE PLÁSTICOS - AGOSTO DE 2000

A VULNERABILIDADE
DO SISTEMA ELÉTRICO

Sydney A. Latini

A falta de investimentos no setor tornou o sistema elétrico extremamente vulnerável. Desde 1987, ano em que os investimentos em energia elétrica atingiram o ápice no país (US$ 15 bilhões aproximadamente), o aporte de recursos para o setor de energia vem caindo. Em 1995, chegaram a ser de US$ 4 bilhões. Para atender a demanda crescente e evitar o risco de desabastecimento, o país precisa aumentar as ofertas de energia em cerca de 4,3 mil mega watts/ano, nos próximos quatro anos. Para isso, segundo recentes declarações do ministro de Minas e Energia Rodolpho Tourinho, o governo conta com investimentos de US$ 42,5 bilhões entre 2000 e 2004. A maior parte desses recursos, que serão aplicados na geração, transmissão, distribuição e na melhoria de instalações, deverá sair da iniciativa privada segundo admitem as autoridades governamentais.
Espera-se que o atual nível dos reservatórios de águas das usinas hidrelétricas não comprometerá o abastecimento de energia, este ano, no país. Em razão das chuvas, registradas de janeiro a abril, a capacidade dos reservatórios das hidrelétricas do sudeste – região de maior peso para o sistema elétrico nacional – está em 60%, ou seja, 10% a menos que no ano passado. A partir de agora, não se espera muitas chuvas, por causa do inverno. Mas, a partir de agora, a temperatura já começa a esquentar novamente.
Quando a temperatura voltar a se aquecer na região Sudeste do País, o Operador Nacional do Sistema (ONS), um órgão privado que administra todo o sistema de distribuição e transmissão de energia no País, tem um plano de racionalização do consumo de energia de ponta, que se situa entre 18 e 20 horas. O plano da ONS já poderia ter sido aplicado em maio, com algumas indústrias concordando em participar dele, transferindo atividades do horário de ponta, para outros horários, em que a demanda de energia não é tão elevada. Companhias do setor de química e petroquímica confirmaram que estão dispostas a auxiliar a ONS na aplicação deste plano que também é chamado de gerenciamento de demanda.
No setor empresarial, no entanto, a convicção é de que o quadro de abastecimento energético no país não é tão simples como o governo está fazendo parecer e que existe realmente uma ameaça de racionamento que não é de hoje, porque com a volta de crescimento da economia brasileira, o consumo de energia está acima das expectativas e registrou um aumento superior a 5 por cento nos quatro primeiros meses do ano em relação a igual período de 1999. Por outro lado, o programa que vem sendo anunciado pelo governo, está atrasado e dificilmente será implantado no prazo previsto. A indefinição de preço do gás e seu prazo de vigência impedem que os empresários tomem decisões mais agressivas para realizar os projetos de termelétricas.
Acredita-se que este ano o País superará a crise “de raspão” e, mesmo entre 2002 e 2004, o setor de energia elétrica trabalhará no limite.
O sistema elétrico, nas previsões mais otimistas, deverá adicionar em 2001 apenas 1,5 milmegawatts à capacidade instalada atual, de 60 mil MW, contando com a antecipação da construção de termelétricas e a entrada em funcionamento da usina nuclear Angra 2. Mas a recuperação econômica vai gerar uma demanda adicional de seis mil megawatts. Isso provocará utilização excessiva das reservas energéticas, atualmente 43% abaixo do nível ideal para situações de emergência.
É recomendável que as indústrias desenvolvam alguma forma de suprimento próprio de energia.
Diversos projetos de cogeração estão sendo desenvolvidos por autoprodutores. Dentre esses projetos há que destacar as plantas de cogeração nas refinarias da Petrobrás. Esses empreendimentos já estão em processo avançado de negociação e já têm definidos os consórcios responsáveis pela construção e comercialização da energia excedente. As unidades utilizarão como combustível o gás natural ou resíduo asfáltico e têm operação prevista para a partir do ano 2001.
No final de 1999 a CSN inaugurou, na Usina Presidente Vargas, em Volta Redonda, a sua Central de Co-geração Termoelétrica (CTE), um dos maiores empreendimentos privados em geração térmica de energia já implantados no Brasil, no qual investiu US$ 250 milhões. A CTE foi projetada para gerar 238 megawatts e suprir 60% da demanda de energia da Usina, com uma redução estimada de custo que supera US$ 30 milhões/ano. Sua fonte de energia são os gases liberados durante o processo de produção de aço, gases esses que anteriormente eram queimados na atmosfera. A CTE também contribuiu para ampliar a oferta de energia elétrica no país, ao liberar energia adicional para o Sistema Elétrico.

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