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AGOSTO DE 2001
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Exportar para importar
Sydney A. Latini
A persistente vulnerabilidade do setor externo, decorrente
do déficit no balanço de pagamentos em transações correntes e da crescente dependência
de importação e de capital externo está a exigir ajustes urgentes.
Durante muitos anos, no passado, enfrentamos esses desafios mediante a adoção de uma política
de controle de importações que resultou num acelerado processo de industrialização
do País e chegou a nos propiciar saldos consideráveis em nossa balança comercial.
A onda de globalização e a inusitada abertura do mercado doméstico às importações
e à indiscriminada aceitação de capitais externos especulativos, a par do crescente endividamento
com o exterior para pagamento das dívidas resultantes dessa abertura, acrescido de juros também crescentes,
resultaram no atual desequilíbrio de nossas contas externas.
Agora, embora com incompreensível defazagem, o novo ministro do Desenvolvimento, da Indústria e do
Comércio, anuncia um plano para reativar as exportações e diminuir as importações,
visando realizar, a curto prazo, um superávit de R$ 5 bilhões na balança comercial.
A idéia é induzir as empresas multinacionais instaladas no Brasil, que têm tradição
no mercado voltado para exportação para que exportem ainda mais e que reinvistam seus lucros no Brasil,
pelo menos no decorrer desde e do próximo exercício.
A segunda frente consistirá, segundo se informa, em convocar as empresas nacionais e estrangeiras para produzir
no mercado interno, na medida do possível, os produtos da pauta de importação. É a
nova política de substituição de importações, que inclui a adoção
de medidas compensatórias para as empresas que exportem mais do que importem.
Como o mercado internacional está desaquecido, torna-se imprescindível reduzir custos: de infra-estrutura
(logísticos), financeiros (juros) e fiscais (pelo menos para eliminar a incidência de tributos em
cascata e a exportação de tributos).
Lembre-se, por oportuno, que a cadeia que integra o parque petroquímico nacional é uma das que poderão
contribuir mais efetivamente para esse esforço, desde que algumas medidas compensatórias venham a
ser adotadas. O setor de primeira geração necessita de investimentos da ordem de US$ 17, bilhões,
enquanto, sozinho, o de transformação (toda a indústria de plásticos) precisa de investimentos
de US$ 9,5 bilhões, para que possa atingir as metas de produção, em oito anos, quando poderá
atingir a produção anual de 6,8 milhões de toneladas, ou seja, o dobro da capacidade atual.
A expansão do parque petroquímico nacional, no entanto, requer maior quantidade de nafta com preços
competitivos. Temos que encontrar uma fórmula de baratear as matérias-primas de petroquímica,
pois se os preços da nafta não forem competitivos, os empresários acabarão optando
por importar de outros mercados, como da Venezuela, por exemplo. Uma das formas de baratear o custo da nafta seria
mediante a revisão tributária, para que as refinarias possam colocar à disposição
do setor de transformação maior quantidade daquela matéria-prima.
Em 2000 a indústria química brasileira exportou US$ 4 bilhões, mas em contrapartida importou
US$ 10,6 bilhões. É preciso que as empresas substituam essas importações e se preparem
para exportar mais.
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