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AGOSTO DE 2001
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DUAS EXTRUSORAS P/FILME
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A FORMAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS
EM GESTÃO AMBIENTAL EMPRESARIAL
Philippe Pomier Layrargues
A partir do final dos anos 80, a relação
nada amigável entre as atividades produtivas e o meio ambiente modificou-se substancialmente no campo das
percepções sociais e do imaginário cultural. E felizmente, para melhor.
O atrito entre a economia e a ecologia foi minimizado, o antagonismo entre crescimento econômico e proteção
ambiental foi solucionado, a visão meramente desenvolvimentista ficou no passado. Desde então, a
nova sensibilidade transforma a economia e a ecologia em parceiros da moderna concepção produtiva,
que agora começa a entender o significado dos constrangimentos ambientais.
Nesse contexto, vislumbra-se um cenário futuro, cada dia mais presente, onde a gestão ambiental empresarial
tornou-se sinônimo de produtividade e sobretudo, de competitividade. Se outrora a poluição
era compreendida como aquele indesejável mal necessário ao desenvolvimento, agora a poluição
é entendida como recurso produtivo desperdiçado. E no panorama dessas significativas mudanças
culturais, desponta o critério da eco-eficiência, sinalizando o sentido do rumo do desenvolvimento,
agora sustentável.
É bem verdade que tais mudanças culturais foram um resultado direto das inovações tecnológicas,
que permitiram que se chegasse a uma convergência de interesses entre a produção econômica
e a conservação ambiental. Em outras palavras, as mudanças tecnológicas proporcionaram
a expansão da fronteira da mudança cultural, que ocorre numa outra temporalidade, certamente mais
lenta que a da tecnologia. O mais evidente sinal dessa síntese é a percepção de que
o maior “vilão da ecologia”, o setor produtivo, tornou-se o setor privilegiado para conduzir o desenvolvimento
sustentável. Da antiga postura reativa, há consenso entre as lideranças empresariais da necessidade
da empresa adotar uma postura pró-ativa no seu desempenho ambiental. Enfim, o ambientalismo empresarial
chegou para ficar na comunidade ambientalista, com uma missão privilegiada e específica a cumprir.
Contudo, toda e qualquer mudança cultural implica num determinado tempo de amadurecimento e sobretudo, de
aceitação das novas idéias, das novas realidades, que sacodem e ameaçam as velhas e
pesadas estruturas historicamente consolidadas. E uma mudança dessa magnitude merece todo esforço
em direção tanto da divulgação das melhores práticas e experiências de
sucesso já implementadas, como na qualificação profissional apropriada do inestimável
recurso humano que em última análise, será o responsável pela consolidação
da nova postura empresarial, pela inovação criativa na busca da harmonização da economia
com a ecologia, seja pela transferência ou criação de tecnologias “limpas” no cenário
nacional.
E não é só isso. Dada a magnitude das mudanças culturais e tecnológicas recentes,
todo universo analítico sobre a interação da atividade produtiva com responsabilidade ambiental
sofre uma releitura, à luz de novos conceitos e novas possibilidades de análise de conjuntura, que
determinarão a elaboração de cenários tendenciais alternativos do desempenho empresarial.
Nesse sentido, existe atualmente um conjunto notável de manuais de implantação dos Sistemas
de Gestão Ambiental, de livros que discutem a temática do ambientalismo empresarial, e de cursos
de formação profissional que oferecem a oportunidade da capacitação de recursos humanos
em gestão ambiental em todos os níveis hierárquicos das empresas. Apesar da notória
importância dessas iniciativas, elas carecem ainda do ineditismo ao caírem na postura pragmática
da promoção de debates tecnicistas, basicamente voltados à aquisição de informações
e conhecimentos provenientes principalmente das ciências ambientais aplicadas à gestão ambiental
empresarial.
Obviamente é condição necessária para a formação profissional obter um
contato com temas e conceitos sobre auditoria ambiental, perícia ambiental, licenciamento ambiental, economia
do meio ambiente, direito e legislação ambiental, estudos e relatórios de impacto ambiental,
planejamento e gerenciamento ambiental, controle de poluição atmosférica, hídrica,
sonora e do solo, recuperação e manejo de recursos naturais, e outros assuntos correlatos. Estas
disciplinas fornecem, entretanto, uma visão fragmentada e limitada da dinâmica própria dos
processos interativos da empresa com o meio ambiente.
Considerando essa constatação como um fator limitante para uma correta percepção da
relação entre a atividade produtiva com responsabilidade ambiental, capaz de proporcionar ao profissional
uma apropriada possibilidade de leitura da realidade em que o universo empresarial insere-se no contexto de uma
crise ambiental, ou seja, de diagnosticar corretamente suas mútuas relações com a complexidade
intrínseca da questão ambiental, entender os limites e possibilidades das novas oportunidades de
negócio ditadas pelas exigências de um provável consumidor ou mercado verde, e sobretudo, compreender
quais serão os desafios e dilemas bem como a lógica própria de ação empresarial
com responsabilidade ambiental; o Núcleo Interdisciplinar de Estudos Ambientais e Desenvolvimento, vinculado
à Universidade do Brasil (NIEAD/UFRJ) planejou um curso de aperfeiçoamento em educação
ambiental para empresas que transcende a dimensão técnica para discutir também a dimensão
política, através de uma abordagem sociológica da gestão ambiental empresarial.
O pressuposto que orienta esta iniciativa é de que a compreensão dos fundamentos e dos significados
do constrangimento ambiental, da certificação ambiental, do mercado e do consumidor verde, da tecnologia
limpa, da lógica da eco-eficiência, do controle dos riscos ambientais e tecnológicos, e do
significado político-ideológico da gestão ambiental empresarial, permitirá que o profissional
elabore uma sólida análise da conjuntura que abraça toda a complexidade dos problemas em questão,
condição necessária para um bom desempenho da empresa que anseia por uma atitude ambiental
pró-ativa. E sobretudo, permite planejar e executar programas de educação ambiental que, de
fato, apresentem resultados expressivos.
Por isso, correspondendo aos pressupostos que fundamentam esta iniciativa inédita, o NIEAD propõe
uma discussão aprofundada de determinadas questões-chave circunscritas à essência da
temática, que visam proporcionar a formação de um profissional melhor qualificado para entender
a complexidade e a abrangência da gestão ambiental empresarial: O surgimento do ambientalismo empresarial
se configura numa apropriação ou transição ideológica relativa ao ambientalismo
original? Qual a função estratégica desempenhada pelo ambientalismo empresarial no enfrentamento
da crise ambiental? Quais os fatores determinantes do “esverdeamento das empresas”? Quais as alternativas existentes
para as atividades produtivas que continuam reativas aos novos modelos de gestão ambiental? Qual modelo
de Estado poderia entrar em cena como agente público responsável pelo controle do impacto da ação
econômica sobre o ambiente, explorando as possibilidades e limites do constrangimento ambiental? Qual o significado
e a magnitude do imbricamento da sociedade industrial (onde emerge o panorama da escassez dos recursos e da abundância
dos dejetos) com a sociedade de risco (onde se reconhece a imprevisibilidade das inovações tecnológicas
com seus “efeitos colaterais” negativos)? Que ordem de eventos de distúrbio ambiental pode ser enfrentada
e solucionada pela lógica própria do capital? Qual a possibilidade de criação de uma
genuína “consciência ecológica” que abandone a lógica da ação empresarial
circunscrita no limite da “consciência econômica”? Qual o modelo de educação ambiental
e qual o público-alvo dessa modalidade educativa poderia resultar em maior eficácia de resultados?
Quem são os parceiros atuais e potenciais do ambientalismo empresarial para a articulação
conjunta de projetos e programas de educação ambiental?
A discussão destas e outras questões correlatas permitirá uma abordagem diferenciada e mais
aprofundada acerca da natureza e dos movimentos do ambientalismo empresarial na dinâmica da sociedade contemporânea
e por isso proporcionará elementos cruciais para a orientação de um processo decisório
com maior possibilidade de êxito para a empresa que busca a certificação ambiental, que quer
anular seu passivo ambiental e quer adquirir uma postura positiva, verdadeira e consistente para a sociedade, seus
colaboradores e consumidores, assumindo a responsabilidade social como meta.
Mais informações sobre cursos pelos telefones(21) 2270-8547 e (21) 2598-9495 ou home-page: www.ufrj.br/meioambiente
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