AGOSTO DE 2002

A ASSISTÊNCIA FINANCEIRA DO
FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL

Sydney A. Latini


O Fundo Monetário Internacional (FMI) foi criado para promover a cooperação econômica e financeira entre os países membros (entre os quais, o Brasil) a fim de facilitar a expansão e o crescimento equilibrado do comércio mundial. No desempenho de sua missão, o Fundo passou a exercer importante papel na esfera financeira internacional. Sua tarefa fundamental é proporcionar assistência financeira aos países membros face a dificuldades potenciais ou reais de balanço de pagamentos. Nessa área, o Acordo de Constituição do Fundo estabelece normas gerais que devem ser observadas na aplicação de seus recursos. Em resumo, essas normas determinam que, ao prestar assistência aos países membros para superarem seus problemas de balanço de pagamentos, deve adotar políticas consistentes com os objetivos do Fundo e que estipulem salvaguardas adequadas de forma a assegurar que o uso dos recursos pelos países assistidos seja temporário.

Para fazer jus à utilização de recursos do Fundo o país membro deve adotar uma política econômica que preserve uma posição viável de balanço de pagamentos ao longo de um período razoável. Essa exigência é conhecida como condicionalidade e reflete o princípio segundo o qual o financiamento de balanço de pagamentos e seu ajustamento devem ser realizados concomitentemente.

Segundo conceituação do FMI, balanço de pagamentos viável –especialmente para países em desenvolvimento – é aquele em que o déficit em contas correntes pode ser sustentado por ingressos de capital compatíveis com as perspectivas de desenvolvimento do país e sem que seja necessário recorrer a restrições de comércio e pagamentos, que ao invés de corrigir, agravam as distorções existentes.

A estratégia corretiva preconizada pelo Fundo consiste na reorientação da economia no sentido de um crescimento contínuo, evitando-se políticas puramente deflacionárias que podem produzir efeitos deletérios sobre os investimentos e deixar de encorajar a realocação de recursos para o setor externo.

Reiteradas manifestações do FMI – principalmente de seus técnicos – insistem em que as condicionalidades devem se adaptar às mais variadas circunstâncias e casos espeíficos; não podem ser um conjunto rígido e inflexível de regras operacionais.

Não obstante, segundo declarações recentes (JB 16/08/2002) do economista Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel de 2001, o nível de sofrimento pelos países em desenvolvimento no processo de globalização e desenvolvimento, na maneira como tem sido conduzida pelo FMI e pelas organizações econômicas internacionais, é muito maior do que o necessário.

Nos três anos que passou no Banco Mundial, onde teve oportunidade de observar de perto as práticas adotadas pelo FMI, Stiglitz convenceu-se que o FMI cometeu um grande número de erros, como políticas que demandaram excesso de austeridade, a má administração das crises financeiras globais dos anos 70 e 90 e o péssimo gerenciamento da transição do consumismo para a economia de mercado na ex-União Soviética e Leste Europeu.

No entanto, na avaliação do economista, longe de representar um retrocesso, o recente acordo do Brasil com o Fundo Monetário Internacional foi vantajoso por não demandar maior aperto fiscal, e tem tudo para dar certo.

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