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AGOSTO DE 2003 |
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O risco da inflação e a retomada do desenvolvimentoSydney A Latini*Desde as primeiras tentativas de elaboração de um programa de governo para o então candidato Juscelino Kubitscheck, previa-se um período de luta contra a inflação concentrado no primeiro ano de governo (1956); um período de recuperação econômica, de 1957 a 1961, compreendendo a execução do plano até o final do governo (Janeiro de 1961), e um período de tolerância para conclusão de alguns setores, que se estenderia até o final de 1961. Recomendavam-se as seguintes ações corretivas: uma política de contenção orçamentária; uma política de controle do crédito; o sofreamento de reivindicações salariais e melhor utilização da capacidade produtora. Além da condição prévia de combateà inflação,recomendava-se duas providências: uma reforma cambial baseada num sistema de taxa flexível e reforma das tarifas aduaneiras, substituindo-se o sistema de taxas específicas por percentuais ad valoren. Dava-se ênfase à necessidade de uma política de exportação e de aumento do ingresso de capitais estrangeiros. Juscelino se entusiasmou com o caráter abrangente e elaborado da proposta; e não se entusiasmou com o tom restritivo das ações corretivas; pois inclinava-se, sem dúvida, pela visão estrutural da CEPAL, segundo a qual, a industrialização de economias subdesenvolvidas só é possível com certo nível de inflação administrada, enquanto o tratamento antinflacionário ortodoxo soçobraria nos escombros da estagnação. Tinha a convicção de que era preciso ultrapassar a fase de intorpecência que o Brasil vivia. Ele aceitou o desafio de viver sob um regime de inflação para ir mais longe nesses objetivos. Sem seu espírito aventureiro, sem seu espírito de luta, o Brasil não teria tido o choque de progresso que teve, não apenas mediante as metas cumpridas, mas também no espírito que ele despertou no Brasil. Tinha a convicção de que o País deveria correr riscos inflacionários, pois estava-se entrando num processo de demanagem econômica. E nesse processo as tensões são muito grandes. A política monetária do Governo J.K, tem sido criticada com excessivo rigor. É oportuno lembrar que foi no Governo J.K (1956/60) que a inflação atingiu o menor índice, desde 1950 até hoje, 6,6% em 1957; no último ano da era jusceliniana a inflação já havia caído de 39,4% (1959) para 30,6%; se calcularmos a inflação média no período 1956/1960 (Governo J.K.), verificaremos que a mesma situou-se em 25,2%; no período 1965/1968 – gestão financeira Roberto Campos/ Octávio Golveia de Bulhões, durante o regime militar iniciado em 1964 – a inflação média foi de 30, 75%; fazendo-se o cálculo com números do período 1964/1968 (já que a gestão R. C./ O.G.B. iniciou-se em abril de 1964), a inflação foi 42,92%. Agora impacientam-se os críticos de Lula por estar cumprindo a primeira etapa (a da austeridade) do programa de governo pregonizada por J.K. ; e retardando a retomada do desenvolvimento, a partir da etapa seguinte. É grande a esperança do povo que o elegeu. *Economista, foi Secretário Executivo do GEIA-Grupo Executivo da Indústria Automobilística durante o Governo JK. |
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