JORNAL DE PLÁSTICOS - DEZEMBRO DE 2000



XVII ENCONTRO NACIONAL DO PLÁSTICO

Setor do plástico cresceu 10,55% mas seus
resultados foram afetados pelos altos custos.

Balanço preliminar divulgado em 06/12/00 pela ABIPLAST - Associação Brasileira da Indústria do Plástico - revela um bom desempenho do setor em termos de produção e faturamento, mas, segundo os empresários do setor, as margens de rentabilidade continuaram sendo bastante prejudicadas pelo forte aumento dos custos de produção que não puderam ser repassados.
O faturamento passou de US$ 8,34 bilhões em 99 para US$ 9,93 bilhões em 2000, com crescimento de 12,4%. Em reais, o faturamento alcançou R$ 18,07 bilhões, superando em 14,13% os R$ 15,65 bilhões registrados em 99.
O consumo de resinas pelos transformadores, que mede a produção nesse segmento, cresceu 10,55% passando de 3,45 milhões de toneladas, em 99, para 3,81 milhões, em 2000, repetindo o desempenho anterior, com expansão três vezes maior que a evolução do PIB.
Em relação à balança comercial, os transformadores melhoraram significativamente seu desempenho, aumentando as exportações em 17,8%, com US$ 139 milhões neste ano, contra US$118 milhões exportados em 99. As importações permaneceram praticamente estáveis, passando de US$ 234 milhões no ano anterior para US$ 233 milhões em 2000. Outra contribuição significativa do setor para o cenário sócio-econômico nacional foi o aumento de 5,46% no número de empregados, que evoluiu de 186.334 para 196.500 empregos diretos.

Encontro nacional
O balanço do setor foi divulgado durante o XVII Encontro Nacional do Plástico, com a participação dos segmentos da transformação, resinas e máquinas/equipamentos, que homenagearam, com o “Troféu Ministro Dilson Funaro”, o representante que mais se destacou no ano, conforme indicação feita pelos respectivos setores: Enrico Trifiletti (transformação), Maristela Simões Miranda (máquinas e equipamentos) e Alexandrino Salles Ramos de Alencar (resinas).
O presidente da ABIPLAST, Merheg Cachum, ressaltou em seu pronunciamento os problemas causados, por um lado, pela alta do juros bancários, que antigem 151% ao ano no cheque especial, conforme dados do Banco Central; por outro lado, pelos preços da nafta, que subiram 75% neste ano; finalmente pela carga tributária, que aumentou 295% de 1986 até 99.
“Se analisarmos o comportamento do setor pela ótica do desempenho das empresas, vamos constatar que os transformadores não se fortaleceram e sua capacidade de investimento continua extremamente baixa. O crescimento resultou, principalmente, de um esforço para ocupar melhor a capacidade instalada de diluir custos”, afirmou.
Cachum manifestou preocupação com o que considera distorções na política econômica ao afirmar: “Acreditamos e esperamos que prevaleça a corrente defendida pelo ministro Tápias, que sabe ver o País em seu conjunto harmônico e, não, a corrente daqueles que buscam estabilizar a economia com instrumentos monetaristas, passando ao largo de seus efeitos colaterais no campo social”.
Leia, a seguir, na íntegra, os pronunciamentos de Jean D. Peter, Diretor Presidente do Siresp e de Merheg Cachum, Diretor Presidente da Abiplast:

Jean Peter

“Senhoras e senhores,
É com grande satisfação que estamos aqui reunidos com representantes da indústria do plástico de todo o Brasil.
Em nome das empresas produtoras de resinas plásticas do Estado de São Paulo, gostaria de agradecer a oportunidade de falar a vocês um pouco de como vemos o atual quadro da nossa atividade e do país.
Os indicadores econômicos para o setor plástico no ano de 2000 foram, a primeira vista, muito bons. O consumo aparente de resinas deve fechar o ano com crescimento entre 11% e 12%, a produção total aproxima-se dos 4 milhões de toneladas, a indústria brasileira de resinas concluiu um ciclo de investimentos próximo a US$ 2 bilhões nos três últimos anos, que permitiu ampliar a capacidade instalada de resinas plásticas para quase 5 milhões de t/ano, a partir de 2001.
Entretanto, o sentimento de euforia e otimismo que seria esperado dá lugar a uma certa frustação e ansiedade. O setor continua enfrentando antigos obstáculos com os impostos em cascata, o Custo Brasil, a reforma tributária que não sai e as taxas de juros ainda muito altas.
A indefinição em relação aos preços da nafta, desde o segundo semestre deste ano, é o fator que mais preocupa. O acordo firmado com as centrais petroquímicas até 31 de dezembro garante a matéria-prima com valor equivalente ao praticado na Europa. Ocorre que esta política inviabiliza as exportações brasileiras de resinas e transformados para países outros que os do Mercosul.
A despeito de uma previsão até otimista de crescimento de mercado, a indústria brasileira de termoplásticos terá um excedente exportável em 2001 de, no mínimo, 720 mil toneladas de resina. Com a atual política de preços da nafta, considerando os preços praticados pelos grandes exportadores de resinas, nossas exportações serão inviáveis, incorrendo um prejuízo estimado de meio bilhão de dólares na balança de pagamentos.
A alternativa a não exportar é a paralisação parcial do nosso parque produtivo. É urgente que seja estabelecido um diálogo construtivo, envolvendo a Petrobrás, as Centrais Petroquímicas, os produtores de resinas e os transformadores, no desenvolvimento de um agressivo modelo de exportação, semelhante ao realizado com sucesso na época do chamado “draw back” ver de amarelo.
A indústria de resinas tem a capacidade técnica e comercial para exportar. O que falta é uma política adequada para formação de preços dos insumos para fabricação de produtos exportáveis.
Por seu turno, o Siresp e a Abiplast, em parceria com a Abiquim e o INP, vêm promovendo ações para integrar toda a cadeia produtiva e ganhar competitividade.
Temos uma expectativa de que o Fórum de Competitividade da Indústria do Plástico, promovido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior com representantes do setor, seja um veículo eficaz para que a questão central da nafta seja resolvida.
O ano termina com bons indicadores e, também, com muitas incertezas. Resta-nos desejar um bom 2001 a todos e mantermos a confiança na nossa capacidade para superar os desafios que se apresentam neste início de novo século.
Muito obrigado.”

Merheg Cachum


“Senhoras e Senhores,
Com muita satisfação nos reunimos, mais uma vez, neste encontro de confraternização para analisar o desempenho dos segmentos aqui representados, examinar nossas perspectivas, identificar obstáculos e oportunidades e verificar necessidades de correções de rotas.
Estamos reunidos principalmente para prestar uma justa homenagem às personalidades que, neste ano, mais se destacaram no segmento da Transformação, de Resinas e de Máquinas/Equipamentos. Nesse sentido, queremos cumprimentar de modo especial a senhora Maristela Simões Miranda, do setor de máquinas, e os senhores Enrico Trifiletti (transformação) e Alexandrino Salles Ramos de Alenar (resinas) pela conquista do merecido Troféu Ministro Dilson Funaro.
Ao analisar os dados disponíveis até agora, verificamos que o consumo de resinas no segmento da transformação cresceu neste ano 10,55%, passando de 3,45 milhões de toneladas para 3,81 milhões e repetindo o desempenho anterior, com crescimento anual, em média, três vezes maior que a evolução do PIB.
O faturamento da indústria de transformação passou de 8,34 bilhões para 9,93 bilhões de dólares, com crescimento de 12,4%. Em reais, o faturamento alcançou 18,07 bilhões, superando em 14,13% os 15,65 bilhões registrados em 99.
À primeira vista, crescimento de 10,5% poderia parecer uma fantástica performance. Mas a realidade não é bem esta. O setor da transformação continua estrangulado:
-pelos altos juros bancários, que atingem 151% ao ano no cheque especial, conforme dados do Banco Central;
-pelos elevados custos da nafta, que subiram 75% neste ano;
-pela carga tributária que evoluiu 295% de 1986 até 99, alcançando 33% do PIB e agravando a sangria de rentabilidade das empresas;
- pela reforma tributária que não foi feita e se arrasta sem data prevista para se materializar.
Se analisarmos o comportamento do setor pela ótica do desempenho das empresas, vamos constatar que os transformadores não se fortaleceram e sua capacidade de investimento continua extremamente baixa. O crescimento resultou, principalmente, de um esforço para ocupar melhor a capacidade instalada e diluir custos.
Bastante pulverizado, o setor da transformação não conseguiu repassar todo o impacto sofrido pelo acréscimo de seus custos. Não responsabilizamos, porém, nossos fornecedores de resinas pela camisa de força em que os transformadores estão sendo mantidos. Sabemos que a indústria de resinas foi duramente pressioda pela alta da nafta, cujos preços acabam de ser, mais uma vez, reajustados. Nesse particular, a indústria de resinas contou com nossa solidariedade e parceria, para evitar maiores danos para os dois setores. Não conseguimos compreender a lógica de uma política que fortalece cada vez mais a ganância de uma estatal responsável pelo monopólio do petróleo, impondo as cotações de seus derivados, sem jamais abrir a caixa preta onde se esconde a falta de lógica de sua composição de custos.
Mas, apesar da realidade difícil que enfrentamos, não somos pessimistas. Não podemos deixar de acreditar no futuro do País, na sensibilidade manifestada por vários escalões do governo e na capacidade da empresa nacional, que sempre soube enfrentar todos os obstáculos, melhorando sua eficiência.
O Fórum de Competitividade, do qual a taransformação participa ativamente, acena com um cenário bastante promissor. O mercado nacional de produtos plásticos tem amplos horizontes para crescer, considerando-se que o nosso consumo médio por habitante ainda é extremamente baixo (em torno de 22 quilos por ano, contra 155 quilos anuais consumidos nos Estados Unidos). Com o apoio do BNDES, observa-se um aumento de capacidade e ganhos de produtividade, assim distribuídos:
- 4,1 bilhões em aumento de capacidade;
- 1,2 bilhão em renovação do parque industrial;
- 2,9 bilhões em moldes;
- 1,5 bilhão em infra-estrutura.
Estamos certos de que o governo cumprirá sua parcela de compromisso com as metas do Fórum e criará condições para que o setor tenha acesso às novas tecnologias e financiamentos compatíveis com aquelas que estão disponíveis para resolver os problemas da indústria nacional, a exemplo das mediadas sugeridas pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alcides Tápias, e de toda sua equipe. Ao ministro e a seus assessores fazemos, neste momento, um agradecimento especial pela disponibilidade que têm demonstrado para o diálogo e pela firme determinação de encontrar soluções que viabilizem o crescimento econômico e o desenvolvimento social.
Graças a esse empenho, o setor de transformação acaba de ter aprovado o EXPORPLAST - Programa Setorial de Exportação de Artefatos Plásticos (APEX), novo instrumento de estímulo às exportações de nosso setor.
O programa prevê, entre outras iniciativas:
- um diagnóstico do setor;
- medidas para aperfeiçoamento tecnológico das empresas;
- realização de palestras e cursos para pequenas e médias empresas, facilitando a cultura exportadora e o conhecimento de práticas comerciais de exportação;
- maior participação em feiras
- estabelicimentos de consórcios de exportação.
Acreditamos e esperamos que prevaleça a corrente defendida pelo ministro Tápias, que sabe ver o País em seu conjunto harmônico, e, não, a corrente daqueles que buscam estabilizar a economia com instrumentos monetaristas, passando ao largo de seus nefastos efeitos colaterais no campo social e que, vendo o País por uma única vertente, combatem a doença pondo em risco a vida do paciente. Neste ano, a economia brasileira em geral, incluindo a cadeia plástica, foi afetada negativamente por problemas externos, principalmente pelas pertubações no Oriente Médio, pela crise argentina, pela crise do petróleo e pela alta dos juros de 4,75% para 6,5% ao ano nos EUA. Felizmente, o Banco Central Americano acaba de anunciar uma redução das taxas para os próximos meses.
No âmbito de nossas entidades (ABIPLAST E SINDIPLAST), houve grandes realizações, algumas em conjunto com outras entidades. Entre as já concluídas ou em andamento, gostaríamos de destacar as seguintes:
- ativa participação nas negociações da ALCA;
- participação na reunião anual da ALIPLAST, realizada no México, quando fomos reconduzidos à Presidência da entidade, cargo que já havíamos ocupado há dois anos.
- participação nas principais feiras mundiais (Alemanha, EUA, Japão, Itália, México, Argentina e nas feiras brasileiras: Joinville, Porto Alegre).
- participação no projeto para a criação do EXPORPLAST- Programa Setorial de Exportação de Artefatos Plásticos (APEX), aprovado na última sexta-feira.
- participação decisiva no Fórum da Competitividade;
- criação da Comissão Permanente de Negociação para solução de conflitos de acidente de trabalho em máquinas injetoras e prensas, modelo que já está sendo adotado por outro setores;
- realização conjunta do Work Shop;
- uniformizaação de estatísticas do plástico nos países latino-americanos e na SPI americana;
- reestruturação e reorganização do SINDIPLAST, com a decisiva colaboração dos senhores Ricardo Johansen e Arnaldo Locaselli;
- em fase de conclusão, o projeto de criação de normas técnicas para diversos produtos, sob a coordenação do INP.
Para 2001, esperamos que haja mais estabilidade no cenário externo e avanço mais rápido no processso de consolidação do Mercosul. Nesse contexto, temos boas expectativas para a BRASILPLAST - Feira Internacional da Indústria do Plástico, que será realizada de 5 a 10 de março, no Parque Anhembi, em São Paulo, sob a coordenação da Alcântara Machado e promovida conjuntamente pela ABIPLAST, ABIMAQ, ABIQUIM E SIRESP.
Por confiar no bom senso e no pontencial do País, acreditamos que 2001 será um ano melhor. Fé e Esperança não podem ser abandonadas principalmente nestes dias em que se aproximam as festas natalinas. E milagres às vezes acontecem. Por issso, precisamos acreditar em declarações do presidente da Petrobrás, Henri Philippe Reichstul. Inquirido esta semana pela imprensa sobre a tendência do preço do pretóleo (que indicam 35 dólares por barril), o presidente informou que a Estatal está trabalhando, para seu planejamento estratégico, com uma previsão de 15 dólares para o barril no próximo ano. Esperamos que esse preço não seja mera referência internacional, mas que efetivamente seja a cotação praticada no mercado nacional. Se isto acontecer, temos um motivo a mais para antecipar e reforçar a todos nossos votos de Feliz Ano Novo, Feliz Nova Década, feliz Novo Século e Feliz Novo Milênio.”

Leia na próxima edição do JP e veja em nosso site www.jorplast.com.br os números completos do setor plástico nacional.

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