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O ESTÍMULO À EXPORTAÇÃO
E O EXEMPLO DA CORÉIA DO SUL
Sydney A. Latini
O Brasil não vai conseguir aumentar em grande
escala suas exportações se não garantir acesso ao crédito para pequenas e médias
empresas. É importante termos grandes firmas exportadoras mas, ao mesmo tempo, é preciso estimular
fortemente os pequenos e médios empresários. É fundamental o apoio à inserção
das empresas de pequeno porte no comércio internacional, onde a competição entre os países
é cada vez mais acirrada. A idéia de buscar novos mercados e ampliar a produção e as
vendas para o exterior faz parte do pensamento de muitos empresários, porém poucas empresas sabem
como exportar. A maioria delas, contudo, deseja ampliar seus negócios e tem planos voltados para o mercado
exterior. É necessário, no entanto, sistematizar e difundir informações, de forma coerente
e integrada, a fim de transformar a vontade de exportar em efetiva realização de negócios
com o exterior.
Estima-se em 15 mil o número de empresas exportadoras. No entanto o número de empresas importadoras
é quase o dobro, o que significa que sabemos importar, mas precisamos aprender o caminho do exterior.
É indiscutível que o governo brasileiro, a exemplo de outros países, deve se esforçar
ao máximo para ampliar o número das empresas exportadoras, porque é impossível aumentar
as exportações sem aumentar a base exportadora. Esse esforço deve se inscrever entre as ações
prioritárias do governo, pois além de constituir o único caminho para reduzir nossa vulnerabilidade
externa estará contribuindo para ampliar as oportunidades de geração de empregos em grande
escala. Estima-se que cada bilhão de dólares adicionais exportados representará cerca de 60
mil novos empregos.
Somando esforços com a cadeia de representação empresarial, como as Associações
Comerciais e Federações de Indústria, Comércio e Agricultura, uma rede de informações
relevantes sobre os diferentes temas e atividades do comércio exterior deve manter as empresas permanentemente
atualizadas sobre fatos e informações relacionados com o comércio internacional, como oportunidades
de negócios, legislação, linhas de financiamentos e novas tecnologias, para prestar toda a
orientação básica a empresários que desejam realizar suas primeiras exportações,
tais como planejamento da exportação, formação de preços, nomenclatura e classificação
de mercadorias, tributação, riscos, contratação de câmbio, despacho aduaneiro,
seguro de crédito, entre outras. O papel dessa rede de agentes do fomento à exportação
deve ser o de auxiliar a empresa em todo o processo de exportação, desde as questões de registro
da operação até a identificação do mercado em outros países.
O exemplo da Coréia do Sul deve ser analisado com especial atenção, pois a ênfase à
sua política de comércio exterior foi a base do extraordinário progresso realizado por aquele
país. O governo coreano, mediante a adoção de mecanismos complexos e criativos, conjugou uma
política de substituição de importações com uma política agressiva de
exportações, de forma a evitar que os custos dos produtos de exportação fossem afetados
negativamente como conseqüência de sua política de substituição de importações,
o que é comum ocorrer em outros países.
O governo coreano, desde o início de sua arrancada para o desenvolvimento, adotou uma política de
conscientização das indústrias nascentes sob proteção. Encorajou a competição
nos mercados internacionais, proporcionando-lhes informações sobre o que produzir e onde vender;
subsidiou o crédito; concedeu abatimento no transporte, isenção de impostos e de tarifas;
depreciação acelerada; ajuda para cobrir perdas, além de outros estímulos (num total
de trinta e oito, nas décadas de 60 e 70), para evitar que os efeitos negativos da proteção
se refletissem negativamente sobre as exportações.
Enquanto a economia coreana manteve um desenvolvimento sustentado, crescendo a uma taxa média de 10% a.a.,
desde 1962 – quando iniciou a escalada, com um PIB de apenas 5,5 bilhões de dólares, a economia brasileira,
que vinha crescendo à taxa média de 7% a.a., até o final da década dos anos 70, passou
a decrescer, chegando a registrar crescimento negativo de menos 4,6%, em 1990.
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