DEZEMBRO DE 2001


O ESTÍMULO À EXPORTAÇÃO E O EXEMPLO DA CORÉIA DO SUL

Sydney A. Latini

O Brasil não vai conseguir aumentar em grande escala suas exportações se não garantir acesso ao crédito para pequenas e médias empresas. É importante termos grandes firmas exportadoras mas, ao mesmo tempo, é preciso estimular fortemente os pequenos e médios empresários. É fundamental o apoio à inserção das empresas de pequeno porte no comércio internacional, onde a competição entre os países é cada vez mais acirrada. A idéia de buscar novos mercados e ampliar a produção e as vendas para o exterior faz parte do pensamento de muitos empresários, porém poucas empresas sabem como exportar. A maioria delas, contudo, deseja ampliar seus negócios e tem planos voltados para o mercado exterior. É necessário, no entanto, sistematizar e difundir informações, de forma coerente e integrada, a fim de transformar a vontade de exportar em efetiva realização de negócios com o exterior.

Estima-se em 15 mil o número de empresas exportadoras. No entanto o número de empresas importadoras é quase o dobro, o que significa que sabemos importar, mas precisamos aprender o caminho do exterior.

É indiscutível que o governo brasileiro, a exemplo de outros países, deve se esforçar ao máximo para ampliar o número das empresas exportadoras, porque é impossível aumentar as exportações sem aumentar a base exportadora. Esse esforço deve se inscrever entre as ações prioritárias do governo, pois além de constituir o único caminho para reduzir nossa vulnerabilidade externa estará contribuindo para ampliar as oportunidades de geração de empregos em grande escala. Estima-se que cada bilhão de dólares adicionais exportados representará cerca de 60 mil novos empregos.

Somando esforços com a cadeia de representação empresarial, como as Associações Comerciais e Federações de Indústria, Comércio e Agricultura, uma rede de informações relevantes sobre os diferentes temas e atividades do comércio exterior deve manter as empresas permanentemente atualizadas sobre fatos e informações relacionados com o comércio internacional, como oportunidades de negócios, legislação, linhas de financiamentos e novas tecnologias, para prestar toda a orientação básica a empresários que desejam realizar suas primeiras exportações, tais como planejamento da exportação, formação de preços, nomenclatura e classificação de mercadorias, tributação, riscos, contratação de câmbio, despacho aduaneiro, seguro de crédito, entre outras. O papel dessa rede de agentes do fomento à exportação deve ser o de auxiliar a empresa em todo o processo de exportação, desde as questões de registro da operação até a identificação do mercado em outros países.

O exemplo da Coréia do Sul deve ser analisado com especial atenção, pois a ênfase à sua política de comércio exterior foi a base do extraordinário progresso realizado por aquele país. O governo coreano, mediante a adoção de mecanismos complexos e criativos, conjugou uma política de substituição de importações com uma política agressiva de exportações, de forma a evitar que os custos dos produtos de exportação fossem afetados negativamente como conseqüência de sua política de substituição de importações, o que é comum ocorrer em outros países.

O governo coreano, desde o início de sua arrancada para o desenvolvimento, adotou uma política de conscientização das indústrias nascentes sob proteção. Encorajou a competição nos mercados internacionais, proporcionando-lhes informações sobre o que produzir e onde vender; subsidiou o crédito; concedeu abatimento no transporte, isenção de impostos e de tarifas; depreciação acelerada; ajuda para cobrir perdas, além de outros estímulos (num total de trinta e oito, nas décadas de 60 e 70), para evitar que os efeitos negativos da proteção se refletissem negativamente sobre as exportações.

Enquanto a economia coreana manteve um desenvolvimento sustentado, crescendo a uma taxa média de 10% a.a., desde 1962 – quando iniciou a escalada, com um PIB de apenas 5,5 bilhões de dólares, a economia brasileira, que vinha crescendo à taxa média de 7% a.a., até o final da década dos anos 70, passou a decrescer, chegando a registrar crescimento negativo de menos 4,6%, em 1990.

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