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XVIII ENCONTRO NACIONAL DO PLÁSTICO
Como acontece, desde o início dos anos 80,
a ABIPLAST - Associação Brasileira da Indústria do Plástico, promoveu, em 05/12, mais
um “Encontro Nacional do Plástico”. Na oportunidade foram homenageados as personalidades de destaque da
indústria nacional de material plástico, no ano de 2001: Almir Daier Abdalla, pelos fabricantes de
resinas, Guido Pelizzari, pelos fabricantes de máquinas e Gilberto Jaramillo, pelos transformadores de plástico.
O evento contou com expressiva representatividade do setor e foi particularmente importante devido ao momento por
que passa nossa economia.
Na ocasião foram feitos expressivos pronunciamentos sobre a situação dos plásticos
em 2001 e a previsão para 2002, pelos presidentes da Abiplast, Merheg Cachum e do Siresp, Jean D. Peter,
que transcrevemos, na íntegra, a seguir:
MERHEG CACHUM

Da esquerda para direita: Guido Pelizzari, ganhador
do
“Troféu Ministro Dilson Funaro”, pelo setor máquinas para
plásticos; Merheg Cachum, Presidente da Abiplast;
Almir D. Abdalla, laureado pelo setor de resinas
e Gilberto Jaramillo, pelo setor transformadores.
“Meus caros companheiros produtores de máquinas,
de moldes e de resinas;
Meus companheiros da Indústria de transformação do Plástico.
Representantes da imprensa
Estamos aqui reunidos neste XVIII Encontro para fazer um balanço de 2001; avaliar a política do Governo
para a Cadeia do Plástico como um todo e homenagear os companheiros que se destacaram na cadeia produtiva,
incluindo a indústria de máquinas e moldes, produtores de resina e transformadores. Este evento tem
principalmente o objetivo de nos proporcionar um momento de descontração e de consolidação
de nossas velhas amizades.
Dos homenageados, Guido Pelizzari pelos fabricantes de máquinas, Almir Daier Abdalla pelos fabricantes de
resinas, e do nosso companheiro Gilberto Jaramillo, falaremos mais tarde, quando os cumprimentarmos pessoalmente,
por ocasião da premiação. Por enquanto, podemos dizer que, pela representatividade dos escolhidos,
nossas entidades foram muito felizes nas escolhas que fizeram. Parabéns!
Iniciei esta apresentação enumerando quatro os objetivos deste encontro:
- Fazer um balanço de 2001;
- Avaliar a política do Governo para a Cadeia do Plástico;
- Homenagear os companheiros que se destacaram na cadeia produtiva;
- Promover um momento de descontração e reforçar amizades.
Fazer um balanço, prestar homenagem e fortalecer amizades é fácil. O grande desafio é
analisar a política do governo para a cadeia do plástico ou para qualquer outro segmento produtivo.
Muito embora hoje se esteja falando em se criar uma política industrial, é uma omissão histórica
que sempre dificultou a vida das empresas. A situação se agravou ainda mais, quando o sonho de política
industrial foi substituído pela realidade de soluções modelo tapa-buracos nas contas públicas
com recursos retirados direta ou indiretamente do setor privado.
Felizmente, o ministro Sérgio Amaral está empenhado na formulação dessa sonha política
e temos motivos para acreditar que, finalmente, esse objetivo será alcançado.
Alguns exemplos:
- Veio a CPMF, a contribuição provisória que se tornou pemanente e o P de provisória
virou P de permanente;
- Veio a crise de energia, que já era prevista mas não foram tomadas medidas para evitá-la,
e a sociedade foi penalizada com o racionamento de energia que está custando caro, principalmente para às
indústrias.
- Com o contingenciamento, as receitas das companhias energéticas foram afetadas e, novamente, os consumidores
estão sendo chamados a pagar a conta com a elevação das tarifas.
- O dólar sobe e, conseqüentemente o custo do petróleo importado aumenta. mas governo aproveita
a onda para transferir todo o impacto do dólar para os derivados, esquecendo-se de que cerca de 80% do petróleo
consumido é produzido no País, a custos atrelados ao real. A sociedade paga a conta.
- Quando há um pretexto, real ou fictício, essa é a lógica. Quando não há,
inventa-se algum ou se recorre à necessidade de se cumprir o acordo com o FMI.
- No Afeganistão, o Leão atacado por um Taleben fanático virou símbolo nacional. No
Brasil o Símbolo são os contribuintes submetidos à verocidades de um dos Leões mais
cruéis do Planeta.
- Além de arcar com uma das cargas tributárias mais pesadas do mundo, os contribuintes brasileiros
que quiserem segurança, saúde ou escola de bom nível precisam pagar por conta própria.
Pesquisas recentes, realizadas por instituições renomadas do País revelam que tarifas e preços
públicos são hoje responsáveis por 50% de nossa inflação. E não é
de se espantar. Enquanto o setor privado não consegue repassar custos num mercado retraído, o governo
espolia a sociedade com ajustes arbitrários de seus preços e tarifas. É nesse cenário
hostil, temperado com juros extremamente elevados, que a empresa brasileira sobrevive, quando consegue. E tudo
isso se reflete no desempenho de nosso setor, que passamos a comentar agora.
Análises trimestrais
O primeiro ano do terceiro milênio começou com muita atividade e com muita esperança que se
confirmaram num primeiro trimestre alegre e produtivo, em que o consumo de resinas, alcançou um aumento
de 3%, em volume.
No segundo trimestre o cenário se modificou, em grande parte pela ação ou pela omissão
do governo. Enfrentamos um período difícil e acabamos perdendo o avanço do trimestre anterior:
Fechamos o semestre com um consumo 3% abaixo do que foi registrado no mesmo período do ano de 2000. As pricipais
causas desse comportamento foram:
- racionamento da energia elétrica, fruto da incúria, da incapacidade e falta de planejamento do
Governo.
- inexistência de uma política industrial para a petroquímica brasileira, no momento em que
se promovia a abertura do mercado para o petróleo e seus derivados. Tudo isso acabou gerando um ambiente
de dúvidas, de insegurança, de boatos, especulação e desentendimento ao longo de toda
a cadeia. Esse cenário acabou afetando o desempenho do setor.
Terceiro trimestre: os dados levantados em setembro, apesar dos aumentos de preço das resinas verificados
em meados do ano, mostram que o consumo se manteve praticamente estável. As importações e
exportações apresentaram pequena queda, mas, em compensação, as vendas internas de
resinas aumentaram, o que demonstra maior movimentaçào de estoques. Com isso, o mercado, como um
todo, manteve-se estável.
Outro aspecto verificado em setembro foi a alta dos preços da nafta, que atingiu o seu auge, perturbando
todos os elos da cadeia. Houve troca de acusações, boatos e ameaças. Na tentativa de se chegar
a um entendimento foram realizadas reuniões mediadas pelo Governo, mas sem sucesso já que todos ficaram
na defensiva, procurando imputar a culpa aos outros.
De qualquer forma, nenhum setor industrial, mesmo trabalhando com commodities, pode sobreviver num ambiente em
que os preços das matérias primas variam diariamente, seja pela especulação cambial,
seja pelos humores do mercado internacional do petróleo.
Na verdade, os sistema anterior, de total controle da Petrobrás, não foi acompanhado de medidas para
a transição para o mercado livre.
Tal indecisão, sem uma política séria, que pudesse se impor com sua autoridade pelo Governo,
a fim de ordenar e organizar a Cadeia, persistiu durante todo o período. A indecisão foi e está
sendo mais prejudicial à Indústria de Transformação do Plástico.
Assim começamos um quarto trimestre com mais dúvidas e incertezas que projetam muita apreensão
para o próximo ano. As previsões de consumo para todo o ano de 2001 demonstram que o mercado permaneceu
praticamente no mesmo nível do ano de 2000. Isto significa que as previsões que fizemos para o Fórum
da Competitividade da Cadeia da Indústria do Plástico não se realizaram.
Junto com o Ministério do Desenvolvimento, estamos revendo as projeões e já concluímos
que conseguriremos atingir as metas de consumo estabelecidas, mas num prazo bem maior.
Contudo, por mais otimistas que possamos ser, o equacionamento do problema da política de preços
deverá ser crucial para o desenvolvimento da transformação, principalmente da pequena empresa,
obrigada a se abastecer junto aos especuladores, rotulados como revendedores de resinas, pagando muito mais caro
e vendo, a cada dia, diminuir sua rentabilidade. Por isto nossa luta vai continuar, a fim de reverter a situaçào
caótica de política comercial de nosso segmento industrial e colocar um fim nas irregularidades existentes,
nas práticas ilegais, as quais poderão ser modificadas quando for concretizada a tão propalada
reforma tributária.
Não podemos, porém, desanimar. em 2001 demos continuidade às ações do Fórum
da Competitividade da Indústria do Plástico. Como resultado desse fórum e do apoio financeiro
do governo, foi criada a Organização de Normas Setoriais do Plástico e o Fundo Verde Amarelo,
que já aprovou o financiamento de unidades móveis de tecnologia coordenadas pelo Instituto Nacional
do Plástico uma unidade já foi criada em São Paulo, sob a denominação de Projeto
Prumo, e outra está sendo implantada no Rio Grande do Sul.
Destacamos também, como realizações neste ano, a criação da Estratégia
Competitiva da Indústria do Plástico - ECIP e, ainda que em ritmo mais lento, foram encaminahdos
os assuntos dos Grupos de Trabalho. Evoluíram também, os entendimentos para discussão de uma
política de preços, de alteraçòes na tributação do IPI, de desenvolvimento
de tecnologia, prospecção do mercado, principalmente de embalagens e fixação de uma
política para reciclagem e criação de emprego.
Está em estudo BNDES uma proposta nossa para criação de sistemas alternativos de concessão
de créditos, para o desenvolvimento do setor e para tentarmos alcançar, principalmente, o pequeno
e o médio transformador do plástico.
Nossa preocupação com o mercado exterior foi uma constante durante todo o ano. Nossas atividades
nessa área foram pautadas principalmente no sentido de viabilizar condições para o desenvolvimento
das exportações de manufaturados de plástico.
As ações conjunturais estiveram concentradas na identificação de mercados e dos importadores/distribuidores
externos, na divulgação dos nossos produtos através de feiras e exposições,
e na sensibilização dos empresários para a importância da exportação como
estratégia mercadológica.
Na esfera estrutural buscamos, através de uma participação efetiva e permanente junto aos
órgãos do governo e ao grupo de Coalizão Empresarial da CNI, acompanhar a evolução
das negociações comerciais em acordos internacionais, visando a defesa dos interesses do nosso setor.
No âmbito institucional, assumimos pela segunda vez a Presidência da Associação Latino
Americana de Plástico (ALIPLAST), desenvolvendo ações voltadas à integração
empresarial da região.
Como resultado de diversas ações realizadas pela ABIPLAST na área de comércio exterior,
a performance de exportacões de transformados plásticos foi bastante expressiva. Os dados de janeiro
a setembro do corrente ano indicam em relação ao ano (2000) um crescimento de 15,79% no valor das
exportações e de 18,02% no volume exportado, enquanto que as importações apresentaram
um acréscimo e 2,22% no montante e de 2,56% no volume, o que já vem representando uma melhoria no
comportamento da balança comercial do setor.
Senhores! Há muito ainda por se fazer. Para isto, temos contado com o apoio de todos os nossos companheiros
da Indústria de Transformação, o que nos tem permitido prosseguir nesse caminho. Temos certeza
de que 2002 haverá de ser um ano de vitórias, para que possamos esquecer as frustrações
deste ano.
Por isto, todos juntos, com fé e esperança, podemos desejar a todos e a cada um e nós e de
nossos familiares, um Feliz Natal e um próspero ano em 2002. Felicidades!
Obrigado!”
JEAN D. PETER

Jean D. Peter, Pres. do Siresp, no momento
que entregava o troféu para Almir Abdalla.
“Bom dia a todos!
É com grande satisfação que, mais uma vez, estamos aqui reunidos com representantes da indústria
do plástico de todo o Brasil.
Em nome dos produtores de resinas plásticas do Estado de São Paulo gostaria de agradecer a oportunidade
de falar a vocês sobre como vemos a situação do setor e do país.
Começamos pelos números do agregado das indústrias, que inclui todas as resinas temoplásticas,
inclusive PET. O consumo aparente teve queda de 1,3%; a produção recuou 3,7% e as exportações
caíram 14,7%. Decididamente, não foi um bom ano. Pela primeira vez, desde 1991, o setor de resinas
apresentou queda no consumo aparente.
Não é muito difícil explicar os motivos dessa queda. Os reajustes no preço da nafta
foram tão brutais que ameaçaram o funcionamento da cadeia produtiva. A fórmula administrada
pela Petrobrás, que se baseia no dólar comercial cheio, é um caso quase único nas relações
comerciais existentes no país. Nenhum produto brasileiro ( e 70% da nafta consumida é produzida aqui)
é tão dolarizado quanto esta matéria-prima. Nem mesmo os demais produtos da Petrobrás
ou produtos importantes como energia, eletro-eletrônicos ou queijo e carro importado não seguem o
dólar do dia.
Além desse velho e conhecido problema que o setor enfrenta, tivemos um ano bastante conturbado. A recessão
na economia mundial - em especial nos Estados Unidos-, a crise argentina, o racionamento de energia elétrica
e a alta do dólar também contribuíram para a retração de nossos indicadores.
Isto para não falar nos chamados entraves históricos, como imposto em cascata, custo Brasil, problemas
de logística, falta de uma reforma tributária, além das abusivas taxas de juros.
O conjunto desses fatores forçou a indústria a reajustar seus preços, criando uma forte tensão
no mercado, ainda não resolvida. De um lado, transformadores pressionados com o preço da resina;
do outro, produtores de resina operando no vermelho e aguardando um movimento mais expressivo na queda dos preços
das matérias-primas produzidas pelas centrais, que ainda estão tentando recuperar parte dos prejuízos
causados pelo aumento da nafta.
Mas o ano de 2001 não pode ser visto somente por seus aspectos negativos. Houve importantes avanços
no processo de organização da cadeia produtiva do plástico.
A partir de uma pesquisa com os transformadores, que nos disseram qual o tema que gostariam de ver discutido no
5º Workshop sobre Competitividade, ocorreu um concorrido evento sobre planejamento e recuperação
de tributos. Que já está fazendo com que várias empresas recuperem impostos que lhes são
de direito.
O Fórum de Competitividade com o governo está permitindo que medidas antigas reivindicadas pelo setor
sejam colocadas na ordem do dia, como o incentivo às exportações e a isonomia tributária.
Isto sem falar do sucesso da última Brasilplast e da participação brasileira na Feira K.
Ser empresário no Brasil por definição é ser otimista e criativo. Nosso principal desafio
é unir cada vez mais nossas forças. Temos que aproveitar as eleições presidenciais
e definir um programa de trabalho para apresentar aos potenciais candidatos. Seguindo orientação
da Fiesp, desta vez não ficaremos apenas ouvindo discursos, mas sim apresentando nossas exigências
para um setor mais competitivo.
Certamente, a isonomia tributária entre materiais sucedâneos, o fim da cumulatividade de impostos,
uma política de incentivo à exportação de produtos com maior valor agregado e uma política
comercial mais afinada com a realidade da cadeia do plástico a ser praticadas para os reajustes da nafta
farão parte desse conjunto de reinvidicações.
O peso da carga tributária está levando as empresas a entrarem na informalidade. Essa situação
está provocando uma profunda distorção na cadeia, prejuízo para o Governo, indústria
e sociedade. Todas as entidades representativas do setor reconhecem que reverter esse quadro é o principal
desafio. Caberá ao setor unir esforços para encontrar saídas.
Nosso desafio é tornar nossa indústria globalmente competitiva. Não queremos favores do Governo,
apenas condições básicas para que essa intenção se torne uma realidade.
Muito obrigado a todos.”
Veja tabela com dados sobre as resinas termoplásticas
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