DEZEMBRO DE 2001


ECOS DA K 2001
PLÁSTICOS, DO COSMOS PARA A TERRA

Antonio Guarino de Souza*


Estação Espacial Internacional que deverá estar operando
plenamente em 2005/2006. Foto: ESA/D. Ducros

Assim como a pré-história conheceu as idades da pedra, do bronze e do ferro, o século XX marcou o início da idade do plástico.

Essas foram as palavras iniciais da palestra de Wolfgang Sutterlin, presidente do comitê de planejamento da K 2001, cujo teor resumimos a seguir.

O rápido desenvolvimento dos plásticos na última década do século XX, motivado sempre pelo desafio de novas aplicações em substituição a materiais convencionais (metais, vidros,papel), elevou as dezenas de resinas e compostos à categoria de materiais nobres e de ampla aplicação em funções extremamente delicadas e precisas como por exemplo nas missões do ser humano ao espaço sideral.

Uma vez amplamente utilizados no cosmos,os plásticos especiais e sua ciência e tecnologia voltaram à terra para simplificar e aumentar a segurança da vida humana.

Na K 2001 entre cerca de 200 inovações vindas do cosmos foram apresentados exemplos fascinantes de transferência de tecnologia para aplicações cotidianas na terra.

CASA ESPACIAL - Uma solução adequada a regiões sujeita a abalos císmicos.
A ESA (Agência Especial Européia) desenvolveu a idéia de um “ALBERGUE CÓSMICO” capaz de abrigar os astronautas durante sua permanência em outro planeta. O módulo de formato semiesférico, dotado de patas, é construído à base de material composto de fibra de carbono e epóxi. Nas estruturas secundárias foram empregados fibras naturais.

O conjunto pode ser transportado pelo espaço, dado que é constituído de materiais e alta resistência e leves.

A “ Space House “ fornece no cosmos o ambiente terrestre, mediante a reciclagem da água e do ar e a geração de energia através de células solares de alto rendimento.

Um albergue como o Space House resiste com segurança a terremotos de intensidade até 8,5 na escala Richter e ventos de até 200 Km/H.

Dando ao seu reduzido peso é facilmente transportável já montado.

TRAJES ESPACIAIS.
Os materiais e a tecnologia empregados nos trajes utilizados pelos astronautas permitiram desenvolver vestimentas especiais para bombeiros, pilotos de prova, para a indústria química e competições esportiva.

Os trajes tem seu próprio microclima termofisiológico que confere total independência ao corpo com relação ao clima ambiente. A parte exterior impermeável dos trajes, composta de materiais têxteis de alta resistência promove as funções excenciais de proteção, como ermeticidade contra gases etc. A parte interior consta de uma capa intermediária que serve de canal de circulação do ar,isolamento, meio de flutuação e de roupa interior funcional, apta à transmissão de calor e umidade.

O desenho dos trajes pode se adaptar principalmente a função de proteção contra fogo, água do mar, gás, armas atômicas ,químicas e biológicas, pressão mecânica etc.

As roupas esportivas mais avançadas são adaptações das experiências extra terrestres.

Os materiais microcapsulados tem a propriedade de regular a temperatura. Trata-se de parafinas especiais cobertas de um plástico resistente.As cápsulas são microscópicas (milhares delas cabem na cabeça de um alfinete). Essas micro cápsulas se aplicam a lâminas e bolsas a base de napa e tecido suaves de poliéster e poliamida, que se empregam para confeccionar roupa esportiva.

Com a mudança da temperatura do corpo, a parafina contida nas cápsulas se derrete e se consolida continuamente, recebendo ou transmitindo calor ao corpo, mantendo-o em temperatura equilibrada.

PROTEÇÃO CONTRA A MORTE SÚBTA DE BEBÊS.
Os conhecimentos adquiridos com o sistema de vigilância com que se controla a respiração e a função cardíaca dos astronautas trouxeram resultados importantes para a pesquisa das causas da síndrome da morte súbita de bebês ( SMS).

Trata-se de um traje para bebês com sensores incorporados a caixa de dados onde se armazenam. A caixa de dados (um micro p.ex.) está programada para reconhecer situações perigosas a partir dos sinais recebidos e emite sinal de alarme.Os dados anteriores e posteriores ao sinal de alarme são memorizados para fins de investigação.

PARACHOQUES SENSÍVEIS E COLHETADEIRA DE GRÃOS.
Partículas cósmicas microscópicas de pó, chamadas micrometeoritos, se chocam com satélites ou astronaves tripuladas e, devido a sua alta velocidade, podem destruir as lâminas de proteção térmica e os trajes dos astronautas. Para analisar o potencial destrutivo dessas películas foram desenvolvidas tecnologias a base de sensores que registram e medem seu impacto.

Esses sensores foram construídos a partir de lâminas piesoelétricas de plástico com as quais se reverte a superfícies de impacto.

Essa técnica é aplicada em colheitadeira, permitindo contar os grãos que caem junto com a palha e regular a velocidade de avanço em função do rendimento de máquina.

Essas lâminas piesoelétricas quando aplicadas em para-choques dos carros podem viabilizar o funcionamento instantâneo dos dispositivos de segurança como os “airbags“.
COM ENERGIA SOLAR À 160 KM / H.

Tornou-se uma grande atração da feira o bólido NUMA. Fabricado com fibras de carbono, resina sintética e plástico expandido, o veículo pesa apenas 220 kg incluída uma bateria de 5 kwh,(também projetada para satélites artificiais) capaz de suprir energia ao veiculo em caso de tempo nublado ou sombras.

As células solares que impulsionam o veículo são idênticas as que se empregam em satélites de pesquisas.

O sistema de navegação e telecomunicação utiliza as mesmas células solares que formam parte dos coletores de energia do telescópio espacial Hubble. A linha aerodinâmica do NUMA também foi projetada a partir da tecnologia de moldagem dos módulos espaciais.
O bólido está preparado para disputar, ( e ganhar) na Austrália uma corrida de 3.000km exclusiva para veículos movidos por energia solar.

Acompanhe “Ecos da K 2001” nas próximas edições do JP.

* Antonio Guarino de Souza é colaborador do JORNAL DE PLÁSTICOS, através de artigos. É Industrial de Plásticos - Plásticos Zarzur, ex-Presidente do Sebrae Nacional e representou o JORNAL DE PLÁSTICOS na K 2001.

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