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XIX ENCONTRO NACIONAL DO PLÁSTICO
Como acontece, desde o início dos anos 80, a ABIPLAST -
Associação Brasileira da Indústria do Plástico, promoveu, em 04/12, mais um “Encontro
Nacional do Plástico”. Na oportunidade, foram homenageadas as personalidades de destaque da indústria
nacional de material plástico, no ano de 2002: Luiz Arthur Ribeiro Briones (in memoriam), pelos fabricantes
de resinas; Maristela Simões Miranda, pelos fabricantes de máquinsas e Attilio Bilibio, pelos transformadores
de plástico.
O evento contou com expressiva representatividade do setor e foi particularmente importante devido ao momento de
mudanças por que passa o País.
Na ocasião foram feitos importantes pronunciamentos
sobre a situação dos plásticos em 2002 e a previsão para 2003, pelos presidentes da
Abiplast, Merheg Cachum e do ainda Pres. do Siresp, Jean D. Peter, que transcrevemos, na íntegra, a seguir:
MERHEG CACHUM
“Senhoras e Senhores:
Mais uma vez estamos reunidos nesta Casa, para um novo encontro de confraternização - o décimo
nono da série - reunindo os mais expressivos representantes da Cadeia Produtiva da Indústria do Plástico
que, ao longo dos anos, se constituíram em grandes parceiros e amigos. Esta reunião nos permitirá
também homenagear ilustres personalidades de nosso meio e realizar um balanço de nosso setor que,
como todos os demais setores da Economia, viveu e ainda vive momentos de apreensão resultantes de um ano
complexo, de incertezas, queda do consumo, inadimplência alta, dólar com a cotação estratosférica,
economia mundial em baixa, juros escandalosos, inflação querendo chegar aos dois dígitos,
enfim muitos problemas a administrar e soluções pouco eficazes até agora.
Mas, estamos
aí no limiar de um Novo Ano e com um novo Governo, agora regido pelo Partido dos Trabalhadores, com uma
votação expressiva que se constitui numa grande esperança popular e que a classe empresarial
deverá dar seu voto de confiança, seu apoio, colaboração para que ele possa encontrar
soluções eficazes aos grandes problemas econômicos e sociais pelos quais todos nós nos
ressentimos.
A Cadeia Produtiva de nosso Setor pode ser considerada como um termômetro do comportamento econômico
da sociedade brasileira. A reação do consumidor tem um reflexo direto no segmento do plásticos,
que está presente praticamente em todos os setores de bens duráveis e de consumo imediato, com na
alimentação, na construção civil, nas indústrias automotiva e aeronáutica,
nos laboratórios farmacêuticos, na informática, no setor moveleiro,no eletro-eletrônico,
na indústria têxtil, enfim, diícil encontrar um ramo de atividade econômica onde o plástico
não tenha significativa participação.
Antes de iniciar este almoço, tive a oportunidade de apresentar um cenário do comportamento do setor
do plástico em 2002, ao expressivo contingente de jornalistas presente que, a cada ano, confere maior prestígio
ao nosso evento.
Passo agora, aos meus queridos convidadeos, alguns desses números que refletem o desempenho da cadeia produtiva
do plástico em 2002 e as nossas projeções para os primeiros meses de 2003.
1 - A Indústria de Transformação do Plástico conseguiu elevar o consumo total de resinas,
em relação ao ano passado. A taxa de crescimento projetada para este ano deverá ficar pouco
acima de 4%.
2 - A estagnação da indústria de transformação neste ano teve causas diferentes
das de 2001; enquanto que em 2001 os fatores externos ficaram bem definidos (apagão, crise da Argentina,
retração do mercado americano), em 2002, foi devido à alta do câmbio o grande fator
de instabilidade, provocando a postergação das compras.
3 - As importações de resinas estão se mantendo no mesmo nível do ano passado. As exportações,
contudo, caíram a menos da metade comparativamente ao ano anterior.
4- Quanto aos transformados de mateiral plástico, as importações estão se mantendo
no mesmo nível de 2001, mas representa a metade das importações de 2000. As exportações,
apesar do grande esforço que se está fazendo para aumentá-las, estão pouco abaixo das
exportações de 2001;
5 - O ano de 2002 começou muito fraco, mantendo-se, até o final do primeiro semestre, 5% abaixo do
primeiro semestre de 2001.
6 - Mas, a partir de julho, o mercado vem experimentando uma reação, a ponto de fechar o 3º
trimestre no mesmo patamar do 3º trimestre de 2001.
7 - Apesar de não dispor ainda dos dados fechados, nossas perspectivas para o 4º trimestre de 2002
são positivas, pois estimamos que ultrapasse os níveis de 2001, podendo apresentar um consumo anual
4% maior que o consumo anual de 2001.
8 - Para 2003, as perspectivas são plenamente favoráveis. O ano dverá se iniciar com tendência
de crescimento, pequena, mas muito firme. Prevemos que o primeiro trimestre de 2003 apresentará a retomada
da elevação de consumo aparente dos termoplásticos conforme já previsto nos estudos
do Fórum da Competitividade da Indústria do Plástico.
9 - Acreditamos numa melhoria do ambiente econômico internacional. A Argentina, e com ela o Mercosul, está
se recuperando paulatina, mas firmemente. as negociações bilateriais ou em bloco, com a Comunidade
Européia, o início do processo negocial da ALCA, das quais temos participado e acompanhado pessoalmente
como Presidente da ALIPLAST, entidade o setor sulamericano interlocutora da Indústria de Transformação
do Plástico em nível internacional. Também o trablaho desenvolvido nos últimos anos,
de levantamento, análise e tabulação dos dados de comércio exterior do setor, mas,
prinicipalmente os resultados dos levantamentos e das pesquisas feitas com nossos associados, possibilitou a formação
de um banco de dados completo e atualizado, que nos permite participar das discussões com determinação
e segurança;
10 - Ademais, outros fatores presentes apontam para o início de um período de crescimento para a
indústria de um modo geral, e para a de material plástico em particular:
a. A efetivação dos programs de exportação, elaaborados e desenvolvidos numa parceria
entre as segunda e terceira gerações, que vem sendo detalhado e implementado a partir do2º semestre
de 2001 e que já começou a apresentar resultados. Esse programa tem uma meta amabiciosa: aumentar
o faturamento de artefatos de material plástico para US$ 1 bilhão, mais que dobrando os níveis
atuais de exportação:
b. As expectativas geradas pelo novo Governo, que aposta no desenvolvimento econômico, como suporte para
a geração de novos empregos. Há uma expectativa muito otimista no sentido de que o Governo
Lula poderá criar e implantar uma política industrial, coisa que o Brasil não tem há
mais de 8 anos.
c. As expectativas de implantação de programas sociais novos e consolidação e ampliação
de programas sociais existentes; esses programs representam, de alguma forma, um processo de distribuição
de renda, que interferem, diretamente no consumo do plástico - especialmente no aumento da produção
de embalagens;
d. A disposição do novo Governo no sentido de privilegiar decisões acordadas por consenso
na organização das Cadeias Produtivas, dentre as quais, a do Plástico que tem acumulado experiência
de negociação ha mais de 3 anos.
e. Sinais de que o Governo que tomará posse no dia 1º de janeiro está disposto a realizar as
esperadas reformas Tributária, Previdenciária e Política, que não podem ser mais adiadas
sob o risco deste País se tornar inviável.
f. E, finalmente, as tendências de que a economia americana sinaliza por uma recuperação impulsionando
novamente o mercado mundial.
Tudo isso são fatores que estimulam nosso otimismo para 2003.
É cavalgando em cima desse otimismo que quero encerrar esta minha mensagem, complemtnatada pelos meus sinceros
votos para que todos os que aqui se encontram, junto com seus familiares, amigos e colaboradores, tenham um Natal
maravilhoso e um Ano de 2003 saudável, empreendedor, lucrativo e com muita Paz!
Um abraço a todos.
Obrigado!”
JEAN DANIEL PETER
“Bom dia a todos!
É com grande satisfação que, mais uma vez, estamos reunidos com representantes da indústria
do plástico de todo o Brasil. É importante aproveitar esta oportunidade, para analisar o que avançamos
e o que temos de desafios pela frente, sempre dentro de uma visão de cadeia produtiva.
A indústria brasileira de resinas teve um ano de crescimento. Ainda que sem os números finais, é
possível estimar que o consumo aparente cresça 3% e a produção 4%, em comparação
a igual período do ano anterior. É preciso reconhecer no entanto, que este resultado foi fortemente
concentrado no 2º semestre deste ano. Vale ressaltar que as exportações e as importações
representaram cada uma cerca de 20% do total produzido ao longo do ano, refletindo a abertura do mercado brasileiro.
Outra característica importante, neste sentido, é que a Argentina deixou de ser um grande mercado
importador e o Brasil passou a exportar para outras regiões do mundo.
Apesar
da volatilidade do mercado atual, a indústria brasileira de resinas continua investindo na ampliação
de seu parque produtivo, como mostra a construção do 4º Pólo Petroquímico/Rio
Polímeros, e a nova fábrica da Polibrasil. Também tem havido introdução de novas
tecnologias e o exercício do suprimento alternativo de matérias-primas nas centrais.
Diante deste cenário, os números positivos e as ações adotadas mostram a força
da indústria petroquímica e do plástico no Brasil e de nossos mercados finais, já que
o PIB nacional no período deve fechar quase à metade do percentual alcançado pelo setor.
Certamente, este resultado poderia ser muito melhor se o Brasil valorizasse mais suas cadeias produtivas, como
fazem os países mais desenvolvidos. No caso da nossa cadeia é evidente o peso que as matérias-primas
tem em todas as etapas do processo produtivo e de comercialização, influenciando os preços,
estreitando margens e inibindo investimentos. Três fatores influenciaram brutalmente a indústria petroquímica
este ano: o grande impacto da valorização do barril do petróleo, a desvalorização
do real e os altos impostos. Este quadro está refletido no resultado do balanço das empresas no fim
do ano. Impõe-se, portanto, o desafio para o próximo período de eliminar o impacto de efeitos
especulativos na formação dos preços das matérias-primas como fator decisivo de competitividade.
Um importante sinal de mudança na atitude de Brasília é certamente o ExportPlastic, o programa
brasileiro de exportação de manufaturados plásticos que está sendo elaborado com o
apoio da Petrobrás, do Sebrae e das entidades do setor. As empresas petroquímicas de resinas estão
comprometidas com este programa, uma vez que a exportação de produtos transformados pode agregar
até 50 vezes mais valor de que seu insumo de origem. O ExportPlastic é uma megaoperação,
séria, consistente e com a força necessária para reverter o atual déficit de US$ 0,5
bilhões/ano na balança comercial do setor. Esta ação nos deve encher de orgulho e consolida
o trabalho de anos da Força-Tarefa, que reúne Abiplast, Abiquim e Siresp no esforço de tornar
a cadeia produtiva mais competitiva.
Muito obrigado a todos.”
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