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DEZEMBRO DE 2003 |
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Um estilo de desenvolvimento para o BrasilSydney A. Latini*Em um país como o Brasil, com grandes desigualdades regionais e econômicas, numerosa população e problemas sociais agudos, cometer-se-ia um erro grave ao adotar um modelo econômico sem pensar profundamente sobre a adequação a sua realidade. Precisamos procurar soluções próprias para nossos problemas. Estas soluções podem naturalmente, incorporar elementos provenientes da experiência de outros países, mas a adaptação não pode ser mecânica. O reconhecimento do que, em menos de setenta e cinco anos depois de ter sido iniciada oficialmente, a disputa entre capitalismo e socialismo terminou com a vitória do capitalismo, não implica em admitir que venceu o estilo anglo-saxão (ou norte-americano) de capitalismo, rotulado nestes últimos anos de neo-liberalismo. Será que o modelo econômico americano provou sua superioridade incontestável ao ponto de ser adotado como modelo, indistintamente para todos os países? Após discorrer sobre os setes modelos que considerou os mais representativos, o próprio modelo americano, o japonês, o dos tigres asiáticos, o alemão, o sueco, o neo-zelandês e o holandês, a conceituada e insuspeita revista The Economist, em recente pesquisa, concluiu que o modelo ideal muda de acordo com as circunstâncias de cada um desses modelos. Três características do modelo japonês, que muito influenciam os modelos dos chamados tigres asiáticos –principalmente Coréia do Sul, e Taiwan – devem merecer (ou já deveriam estar merecendo) atenta análise dos formuladores da política econômica e social do governo brasileiro, a saber: • íntima cooperação entre governo e iniciativa privada; • valorização dos recursos humanos; • formação e a preservação de uma burocracia estatal competente. As relações estreitas entre as empresas, o sistema bancário e o governo tornaram possível a formulação e execução de políticas mais preocupadas com o longo prazo e menos vulneráveis as contingências de curto prazo. A atenção dispensada pelas empresas e pelo governo à educação, em todos níveis, com ênfase especial à preparação da mão-de-obra e a preocupação com seu bem estar constituíram as bases de uma sociedade solidária e de uma coesão social que explicam o elevado nível de produtividade e os baixos níveis de litígio entre patrões e empregados. A existência de uma burocracia estatal competente é outro elemento que poderia ser imitado – e o nosso país tem boas condições para perseguir esse objetivo, tendo em vista os padrões já atingidos em passado não muito distante, de que são exemplos o Banco do Brasil, o Itamarati e o desempenho do DASP (Serviço Administrativo do Serviço Público), para racionalizar a estrutura administrativa governamental. O perigo a evitar é o de criar uma burocracia eficiente mas divorciada da realidade social que a circunda. No que tange ao Banco do Brasil, é imprescindível que volte a ser urgentemente acionado como instrumento estratégico para o desenvolvimento do país, especialmente se considerarmos o seu papel de suporte à agricultura e às exportações. Não tem nenhuma lógica um governo deixar de utilizar a enorme capacidade de mobilização do Banco, em todas as regiões do país, pois exerce, como já se afirmou, as funções de olhos e braços do governo. A Nação tem objetivos – ou pelo menos deveria tê-los – que não são atendidos pelo sistema financeiro privado, aqui e no exterior. No limiar de 2004 – segundo ano de um governo eleito sob o signo da esperança – a nação aguarda ansiosa sinais evidentes de início da arrancada para um novo período de desenvolvimento. *Economista, foi Secretário Executivo do GEIA-Grupo Executivo da Indústria Automobilística durante o Governo JK. |
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