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Dezembro de 2004 |
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A Petrobras e a petroquímicaSydney A. Latini*Em 1967 foi criada a Petroquisa Química S A., - Petroquisa, primeira subsidiária da Petrobras, para desenvolver e consolidar a indústria petroquímica no Brasil. Sua criação decorreu da impossibilidade tecnológica, empresarial e financeira da iniciativa privada, à época, de desenvolver a indústria petroquímica no País, assim como do desinteresse das grandes companhias estrangeiras em investir neste segmento, preferindo exportar produtos acabados de suas fábricas no exterior para o Brasil. Com a criação da Petroquisa, começaram a surgir as primeiras parcerias societárias mediante um modelo que ficou conhecido como tripartite, que estimulou a associação do Estado (por intermédio da Petroquisa), capitais privados nacionais e grupos internacionais detentores de tecnologia. A Petrobras implantou três pólos petroquímicos no País (São Paulo, Bahia e Rio Grande do Sul), um pólo cloroquímico em Alagoas e unidades petroquímicas em Pernambuco e no Rio de Janeiro. A parceria viabilizada pelo modelo tripartite permitiu a implantação do Pólo Petroquímico de São Paulo, em Cubatão, hoje integrado por dezenas de empresas que utilizam produtos básicos da Petroquímica União. A experiência de São Paulo orientou a instalação do segundo pólo, em Camaçari, Bahia, empreendimento hoje totalmente privatizado, que começou a operar em 1978. A Petroquímica do Nordeste – Copene foi criada como subsidiária da Petroquisa, com a finalidade de implantar o pólo, fornecendo matéria-prima, energia e facilidade de manutenção para as demais empresas instaladas à sua volta. Cumprida sua missão, a Copene foi privatizada, mantendo-se cerca de 15% do capital. Em 1982, foi a vez da entrada em operação do Pólo Petroquímico de Triunfo, no Rio Grande do Sul. Coube à Petroquisa conduzir a construção da Central de Matérias-Primas, que deu origem à Companhia Petroquímica do Sul-Copesul, também privatizada depois da consolidação do pólo, onde operam dezenas de empresas nacionais e estrangeiras. O processo de desestatização empreendido pelo governo após 1990 levou à saída da Petroquisa de praticamente todas as empresas, mantendo-a nas centrais petroquímicas – Petroquímica União (PQU), Copene, Copesul – com participação entre 15% e 22% do capital volante das empresas. Nesse processo a Petroquisa foi substituída em todos os casos, por um ou mais dos sócios com os quais ela anteriormente compartilhava o controle. Além dos três pólos já em funcionamento, está em fase de conclusão o pólo gás-químico do Rio de Janeiro (Rio Polímeros S.A ), controlado pela Suzano e a Unipar, com uma participação da Petrobrás de 16,67% no capital volante. Até o fim do ano 2005 pretende gerar 500 mil t/ano de eteno, a partir do etano separado do gás natural da Bacia de Campos. O retorno da Petrobras à petroquímica, com maior poder decisório, já está definido. A construção de uma unidade que irá produzir matéria-prima petroquímica a partir de petróleo pesado, já está sendo discutida com uma empresa privada, possivelmente a Ultra, segundo comenta-se no mercado. O investimento previsto é de US$ 3,5 bilhões e o objetivo do empreendimento é aumentar a oferta de matéria-prima petroquímica, já que hoje as centrais importam diretamente cerca de 30% da nafta que consomem. Os restantes 70% são fornecidos pela Petrobras, mas prevê-se que as importações dessa matéria-prima básica para a indústria petroquímica – cujo preço no mercado internacional subiu de US$ 165 a tonelada em 1995, para US$ 333 a tonelada em 2004 – poderão saltar de 3 milhões de toneladas por ano para de 8 a 13 milhões de toneladas em 2010. A tecnologia a ser usada na nova unidade de refino se propõe, segundo se informa, a não usar nafta como matéria-prima, mas frações mais pesadas de derivadas de petróleo nacional. O que a gigante brasileira de petróleo desejaria de fato, seria retomar pelo menos grande parte do poder de influência que teve até o início dos anos 90 na indústria petroquímica do Pais, que ajudou a montar, e que hoje movimenta US$ 45 bilhões ao ano. De controladora de mais de 30 empresas do setor, incluindo as três centrais de matérias-primas, a estatal é hoje dona (através da Petroquisa) de participações minoritárias em pouco mais de meia dúzia de companhias, além das três centrais nas quais permaneceu após os leilões de privatização de ações. Parece realmente não fazer muito sentido a Petrobras, sendo a maior produtora de petróleo do País – por enquanto, a única – ficar fora dos segmentos que agregam valor à produção de petróleo. No ambiente de competição que está sendo criado com o fim do monopólio, parece não restar alternativa à estatal, a não ser lutar pelo mercado. |
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