O Redesenho do Setor Transformador de Plásticos e
a Governança Corporativa (II)
A entrevista publicada na edição de outubro, sobre
o mesmo assunto, gerou vários e-mails de nossos leitores
para jsimantov@ig.com.br , solicitando remessa gratuita do Código
das Melhores Práticas da Governança Corporativa,editado pelo
IBGC. Assim, estamos dando continuidade às nossas entrevistas
com José Simantob sobre este interessante tema.
JP – Como
o Senhor avalia as solicitações recebidas?
Simantob
– A maioria quase absoluta de solicitações para o envio do Código
foi feita por executivos e não pelos proprietários de empresas.
Entramos em contato telefônico com alguns deles e notamos que
a grande preocupação se dá em relação ao futuro das respectivas
empresas para as quais eles trabalham, ou seja, mesmo diretores
profissionais não sentem qualquer transparência com relação
à estratégia ou visão de longo prazo e a sucessão, em caso de
ausência do fundador. A empresa apenas sobrevive, mesmo que
cresça sua capacidade de produção ou venha absorvendo novas
tecnologias e outras empresas menores.
JP – Qual
o perfil destas empresas e como se manifestou a preocupação
dos executivos?
Simantob
- Selecionamos três casos reais, dois de empresas
maduras, lucrativas, de controle familiar na primeira geração,
ou seja do fundador. O terceiro caso de uma empresa que vêm
crescendo à custa de incorporações e fusões.
Nas duas primeiras empresas toda a “governança” está na cabeça
dos seus respectivos proprietários/ fundadores, dois trabalhadores
incansáveis, centralizadores do poder, chegando ou já chegados
aos 70 anos de idade. Nestas duas primeiras empresas, os executivos
não vêm qualquer transparência em relação ao efetivo preparo
do sucessor ou implantação de uma Governança Corporativa para
perenização das respectivas organizações. O que mais os preocupa
é o futuro em uma eventual ausência do fundador.
No terceiro
caso, uma empresa que cresceu à custa de fusões e de incorporações,
a preocupação do executivo é de que os grupos que detêm a propriedade
da empresa agora expandida, ou seja, os sócios e respectivos
herdeiros, coloquem seus interesses particulares acima dos interesses
da sociedade, também por falta de uma governança corporativa.
Herdeiro pode não ser necessariamente sucessor.
JP – É justa
esta preocupação dos executivos em relação às empresas onde
a “governança” está na cabeça do dono?
Simantob
– Usando as palavras de Norberto Odebrecht, fundador do que
é hoje a Braskem, “a expectativa de cada funcionário é a de
que a empresa sobreviva, cresça e se perenize”. Para defender
a empresa para a família é preciso defendê-la da própria família.
Atualmente,
partindo para a terceira geração da família controladora, a
Braskem é uma referência em termos de Governança Corporativa,
a exemplo de outros grupos investidores da petroquímica.
Temos muitos
casos de empresas que morreram na segunda geração e outras que
se perenizaram para as gerações seguintes.
Infelizmente,
vimos muitos casos de avô rico, filho nobre e neto “pobre”.
Notem que, enquanto a propriedade cresce em progressão aritmética,
a quantidade de herdeiros pode crescer em progressão geométrica.
Isto pode gerar disputas em família em prejuízo para a propriedade.
Dificilmente, o herdeiro sucessor terá cabeça e o poder do fundador,
sem uma efetiva Governança Corporativa.
É aí que
a Governança Corporativa assume um importantíssimo papel, pois
ela separa os interesses da sociedade dos interesses da família,
em busca da sobrevivência, crescimento e perpetuação. Antecedendo
a implantação da Governança Corporativa, é importante constituir
um Conselho de Família, com orientação profissional.
JP – Qual
seria o primeiro passo para esse proprietário de empresa familiar
implantar Governança Corporativa na sua empresa?
Simantob-
Em termos práticos, nossa sugestão é conversar, sem compromisso,
com algum consultor especializado no assunto, ou então, ler
o Código das Melhores Práticas em Governança Corporativa, publicado
pelo IBGC, que poderemos mandar gratuitamente por e-mail.
Notem que,
a exemplo das normas de gestão da qualidade, tais como ISO 9000:2000,
o Código sugere o que fazer para implantar uma efetiva Governança
Corpotrativa, enquanto o como fazer dependerá de cada
empresa e para isso será importante apoio de especialista.
|