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SYDNEY A. LATINI
A realização simultânea do Forum Econômico Mundial de Davos e do Forum Social de Porto
Alegre traz a baila estudo de Sérgio Paulo Rouanet, apresentado no Seminário Internacional “A Ética
do Futuro”, realizado no Rio de Janeiro em julho de 1997.
A busca do diálogo parece ter sido a intenção dos promotores do Forum de Porto Alegre, para
encontrar resposta à indagação cada vez mais persistente: “Seria a globalização
irreversível, inevitável e totalmente feliz?”
A globalização – já advertia Rounet, em 1997 – elimina diferenças que deveriam ser
mantidas; criam diferenças que não deveriam existir. Cria diferenças artificiais, de acordo
com estratégias personalizadas de “marketing”. Respeita diferenças que não deveriam ser respeitadas,
como as que se referem a certos regimes totalitários, sob a alegação de serem específicas
de valores Asiáticos ou Islâmicos, para justificar a violação dos direitos humanos.
O Fundo Monetário Internacional (FMI), cujo ex-diretor geral adjunto, Stanley Fisher, admitiu, no seminário
anual do Banco Central americano, realizado em agosto de 2000, em Kansas City, que “muitos dos ataques desfechados
por adversários da globalização contra os governos, as grandes empresas e as instituições
internacionais, são justificáveis”. No caso dos erros que o FMI reconheceu ter cometido na Indonésia,
quem as consertará e indenizará as vítimas? Que critérios “científicos” estão
por trás de decisões tão seguras e incontornáveis que dispensam um avaliação
democrática?
Para contrastar com o processo de globalização em marcha, Rouanet propõe uma alternativa:
a universalização. Enquanto os agentes do processo de globalização são as Diretoras
Executivas das empresas e dos conglomerados, seus Presidentes e seus gerentes, os agentes da universalização
são os artistas, intelectuais, organizações não governamentais e estados nacionais,
representados por seus Parlamentos e governos democraticamente eleitos.
A globalização é impessoal e segue as Leis do mercado; a universalização é
normativa e pressupõe o debate público e consenso político.
A globalização é a união de conglomerados; a universalização é
a união de seres humanos. Somos “objetos” da globalização, e “sujeitos” da universalização.
Enquanto a globalização obedece somente à lógica da eficiência, ignorando as
diferenças culturais – que, na melhor das hipóteses, são substituídas por diferenças
orientadas pelo mercado – a universalização é um processo orientado por aqueles diretamente
envolvidos, dentro de uma estrutura em que as diferenças são negociadas em vez de serem eliminadas
por um processo autoritário de uniformização.
Para acelerar velocidade e coerência à universalização, seu processo deve basear-se
em normas capazes de orientar e motivar seus atores: uma ética planetária.
O que se espera é que tanto Davos quanto Porto Alegre tenham sido orientados e motivados por uma ética
planetária consensual.
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