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NOVOS RUMOS PARA A ECONOMIA BRASILEIRA
Sydney A. Latini
Durante décadas a economia brasileira cresceu
à taxa média de 7% a.a , surpreendendo o mundo, não obstante a convivência com uma persistente
inflação que acabou atingindo níveis insuportáveis, que era imprescindível abater.
Com o Plano Real, partimos para o extremo oposto. Contivemos uma inflação galopante num prazo tão
curto que também surpreendeu o mundo. Em compensação a economia nunca cresceu tão lentamente.
É preciso buscar o meio termo. Após o sucesso alcançado na estabilização dos
preços, é urgente dispensar-se maior atenção à economia real e ao seu desenvolvimento.
Tal como aconteceu ao tempo do Plano de Metas, quando Juscelino conseguiu uma convergência entre técnicos
nacionalistas e técnicos cosmopolitas, como gostava de classificar Roberto Campos, é oportuno, agora
– quando o País se prepara para eleger novos governantes – criar condições para que técnicos
desenvolvimentistas e técnicos monetaristas se entendam em torno de novo plano de ação, que
congregue governo e iniciativa privada, não propriamente para abandonar o programa de estabilização
e nem romper com o FMI, mas para definir estratégias nítidas visando à recuperação
do desenvolvimento com estabilidade, sem abrir mão de nossa identidade cultural.
A abertura indiscriminada do mercado interno brasileiro à competição internacional sem limites
– iniciada pelo governo Collor e aprofundada no atual governo – vista e entendida como inevitável pelo dogmatismo
do pensamento único, gerou uma situação de desamparo em vários setores da indústria
brasileira e também entre os trabalhadores. A partir de então, temos nos distanciado cada vez mais
de qualquer modelo que possa indentificar-se com uma política industrial.
É possível obter uma inserção internacional adequada do país se o estado brasileiro
tiver um planejamento estratégico que contemple uma visão sistêmica e holística do desenvolvimento
sustentado, sendo imperativo considerar, no entanto, que num país como o Brasil, com grandes desigualdades
regionais e econômicas, numerosa população e problemas sociais agudos, precisamos procurar
soluções próprias para nossos problemas. Estas soluções podem, naturalmente,
incorporar elementos provenientes da experiência de outros países, mas a adaptação não
pode ser mecânica.
O reconhecimento de que em menos de setenta e cinco anos, depois de ter sido iniciada oficialmente, a disputa entre
capitalismo e socialismo terminou com a vitória do capitalismo, não implica em admitir que venceu
o estilo anglo-saxão (ou norte-americano) de capitalismo de absoluta submissão às forças
do mercado.
Um projeto nacional para o século XXI requer a recuperação da importância do papel do
estado na economia. Cabe definir de que forma a política econômica continuará a navegar entre
os perigos da recessão, de um lado, e da hiperinflação e insolvência externa de outro
lado, mediante a adoção de políticas públicas que contribuam para combater os desequilíbrios
sociais e regionais. Tudo isso em meio à necessidade de definir nova fronteira de expansão para os
próximos anos bem como garantir o pleno exercício da cidadania e da liberdade.
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