Fevereiro de 2005


 

As etapas da reciclagem de PET e o seu crescimento no Brasil

                Elen B. A. Vasques Pacheco*

        O PET, utilizado para obtenção de embalagens, entrou no mercado brasileiro nos anos 90, com a importação de poliéster grau garrafa.  Inicialmente o PET foi destinado ao mercado de bebidas carbonatadas.  Logo depois passou para o de água mineral e óleos vegetais.  Atualmente é encontrado nas embalagens de aguardente, detergente, xampu, vinagre, suco, molho isotônico, chá-mate, catchup, suco concentrado de frutas, entre outros. A garrafa de PET apresenta-se em grande volume em relação ao seu peso.  

        A principal opção, no Brasil, para a disposição final das embalagens de PET pós-consumidas, oriundas de aglomerados urbanos, é o aterro.  Outra forma de se cuidar dos resíduos urbanos, que é a reciclagem, integra a coleta seletiva, fase intermediária para um futuro reaproveitamento. A coleta seletiva constitui a principal ação para o desenvolvimento da reciclagem e da reutilização.  Vale lembrar que essa é caracterizada pela separação dos materiais na fonte pelo gerador (população) com posterior envio a galpões de triagem, cooperativas, sucateiros, beneficiadores ou recicladores.

        Quando se separam os resíduos secos e úmidos, têm-se produtos triados e limpos.  Os materiais provenientes da coleta seletiva, então, gastam menos água e energia para a limpeza e reciclagem.  É obtido um produto final de melhor qualidade que aquele fornecido por uma usina de triagem, em que os restos de alimentos e os materiais passíveis de reciclagem estão juntos.

        Dentre as opções de destinação, a reciclagem é considerada uma das alternativas mais importantes.  É o resultado final de atividades intermediárias de coleta, separação e processamento, em que materiais pós-consumo são usados na manufatura de bens, anteriormente feitos com matéria-prima virgem.

        No Brasil, ainda não existem incentivos fiscais para estimular a reciclagem. Espera-se que, com a entrada em vigor da Política Nacional de Resíduos Sólidos, esse quadro mude. Contudo, já existem, no país, pesquisas na área de reciclagem de plásticos. Porém, pelo fato de boa parte dos recicladores trabalharem na informalidade, a aproximação dessas empresas com as entidades de pesquisa é prejudicada.

        O processo de reciclagem

        O fornecimento de garrafas pós consumo para a reciclagem pode ser feito através de catadores, sucateiros, beneficiadores e, também, de cooperativas. O material também pode ser coletado seletivamente ou separado em uma usina de triagem.

        Normalmente, as cooperativas fornecem garrafas soltas ou prensadas para os sucateiros ou beneficiadores. A atuação das cooperativas e dos catadores é de extrema importância para o bom andamento de um programa de coleta seletiva.  Há anos, a reciclagem no Brasil é sustentada através da catação informal nas ruas e nos lixões.

        O PET pode ser reciclado através de três formas: energética, química ou mecanicamente.  Na reciclagem energética, o plástico é queimado e a energia resultante da queima pode ser utilizada em usinas termelétricas, na alimentação de caldeiras e em alto-fornos. Apesar do PET apresentar um alto poder calorífico, a reciclagem energética ainda não faz parte de nossa realidade.  Na reciclagem química, o polímero é despolimerizado ou degradado a produtos de baixo peso molecular.  O processo mecânico de reciclagem constitui-se basicamente de lavagem, moagem, secagem e reprocessamento (transformação).  O resultado da reciclagem mecânica é um artefato ou grânulos (pellets).

        As reciclagens mecânica e química parecem ser as mais interessantes, pois exigem etapas anteriores ao reprocessamento, como etapas de coleta e separação, que podem gerar empregos para a população.  No país, a maioria do PET reciclado passa pelo processo mecânico.  As embalagens são captadas do lixo comum e são revalorizadas.  Resumidamente as etapas envolvidas na reciclagem das garrafas de PET são:

· Etapa 1: As embalagens são separadas por cor.  A separação é necessária para que os produtos obtidos tenham uniformidade de cor, facilitando, assim, sua aplicação no mercado.

· Etapa 2: A prensagem é feita para que o transporte das embalagens seja viabilizado, pois como comentado, elas ocupam um grande volume em relação ao seu peso.

· Etapa 3: As garrafas são moídas, lavadas e secas, ganhando valor no mercado. O produto que resulta desta fase é o floco da garrafa, comumente denominado flake. Essa etapa é conhecida como beneficiamento.

· Etapa 4: Os flocos limpos podem ser utilizados diretamente como matéria-prima para a fabricação em diversos produtos na etapa de transformação.  Nesta etapa, os flocos serão transformados em grânulos ou em um novo produto. Os transformadores utilizam PET reciclado para fabricação de diversos produtos, inclusive novas garrafas para produtos não alimentícios.

        De modo geral, as recicladoras compram o PET moído, lavado e seco (flakes) dos beneficiadores. O reciclador é o empresário que transforma o material beneficiado em grânulo, utilizado na indústria de plástico ou em um produto acabado.

Dados de mercado

        Atualmente, o índice de reciclagem de PET (Figura 1) no país é maior que 30% em relação ao consumo de embalagens (Figura 2).  O consumo aparente de PET vem aumentando, como também o índice de reciclagem, porém a produção não atende a demanda.  A reciclagem está suprindo o déficit de PET no país.

        Os principais mercados do material reciclado de PET no Brasil são para obtenção de fibras, materiais não tecidos, cordas, embalagens, cerdas, fitas de arquear, nos quais o de mono- e multifilamentos são mais significativos. Utilizam-se as fibras para o enchimento de colchões e travesseiros, para a confecção de edredons e mantas e os filamentos para a fabricação de cordas, cerdas de vassouras e escovas.  A resina insaturada é utilizada como matéria-prima para tintas.

Agradecimentos

Os autores agradecem o apoio da Faperj e Tribel.

Referências bibliográficas

1.Companhia Municipal de Limpeza Urbana - RJ, COMLURB, http://www2.rio.rj.gov.br/comlurb

2.E. B. A. V. Pacheco, Tese Doutorado: “Misturas reativas de PET/Polietileno de alta densidade/ionômeros e estudos mercadológicos para aplicação em reciclagem”, IMA/UFRJ, 1999

3.E. Kapaz, http://www.kapaz.com.br

4.Associação Brasileira dos Produtores de PET, ABIPET, http//www.abipet.com.br

5.“Anuário da Indústria Química Brasileira 2004”, Associação Brasileira da Indústria Química, ABIQUIM

*A autora é professora dos Cursos de Reciclagem de PET, Reciclagem de Plástico e Coleta Seletiva e Beneficiamento de Lixo Urbano que estão com inscrições abertas no NIEAD/CCMN/UFRJ: tel. (21) 2598-9495 ou www.niead.ufrj.br
elen@ima.ujfr.br

 

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