Fevereiro de 2005


Setor de cloro-soda fecha 2004 com resultados positivos

Produção cresce 7%, impulsionada pela demanda do mercado interno

        A produção brasileira de soda cáustica totalizou 1.298,6 mil toneladas em 2004, com um crescimento de 7,1% em relação a 2003. As vendas totais do produto registraram alta de 5,7%, acompanhadas do incremento de 7,9% no consumo aparente. O resultado foi puxado principalmente pela demanda do mercado interno, que apresentou os melhores índices desde 2000. Os dados são da Abiclor (Associação Brasileira de Álcalis, Cloro e Derivados).

        Com o avanço, os segmentos consumidores de soda cáustica ampliaram as importações do produto, que chegaram a 553,6 mil toneladas, um pouco abaixo da previsão da Abiclor, realizada em janeiro deste ano e 11,7% superior a 2004. “A indústria nacional não atende esta demanda pela falta de espaço para o cloro no mercado local. A fabricação deste produto é indissociável da produção de soda cáustica, realizada a partir do processo de eletrólise da salmoura”, afirma o presidente da Abiclor, Carlos Alberto Tieghi. Ele explica que nos países considerados desenvolvidos ocorre o contrário. “Nos Estados Unidos, por exemplo, o consumo per capita de cloro é muito superior ao observado no Brasil, o que muitas vezes leva a um excedente de soda-cáustica, destinada à exportação”.

        O setor que mais aumentou o consumo de soda cáustica foi o de metalurgia e siderurgia, tradicional importador, com incremento de 13,2% no período. Alimentos, sabões e detergentes também tiveram significativas altas: 22,2% e 10,5%, respectivamente.

        Em dezembro de 2004, o setor de cloro-soda registrou taxa de 94,3% do uso da capacidade instalada, a maior do ano. A média anual foi de 88,2%. Vale ressaltar que a taxa se manteve acima de 80% em todos os meses. A última vez que isto ocorreu foi em 2000.

        A produção de cloro também registrou alta de 6,8%, acompanhada do aumento de 7,6% no consumo cativo e 3,1% nas vendas totais. Os setores consumidores com incrementos mais expressivos foram os de solventes clorados, com 33%, e DCE (Dicloroetano), com 10%. Este último, principal matéria-prima do PVC, foi destinado principalmente ao mercado externo. “Caso os planos de investimentos em saneamento ambiental sejam concretizados, ampliaremos o mercado do cloro. O reaquecimento da construção civil também será fundamental, pois estes dois segmentos são grandes consumidores de PVC”, afirma Tieghi.

Previsões, investimentos e entraves

        O setor espera continuar crescendo em 2005, mas em ritmo menor. “Se o PIB fechar o ano em 3,5%, devemos alcançar patamares entre 5% e 6%. Acreditamos que novamente o consumo interno puxará a demanda”, explica Tieghi. Com isso, as importações também devem continuar em alta, chegando a 600 mil toneladas.

        A indústria de cloro-soda prevê, ainda este ano, investimentos na ampliação da capacidade instalada. Porém, como explica Tieghi, a falta de investimentos em infra-estrutura, principalmente em transportes, seja marítimo ou terrestre, encarece muito os custos do setor. “Além disso, nossa principal matéria-prima, a energia elétrica, tem embutidos  no preço até 50% de encargos, taxas e tributos. E este índice vem aumentando progressivamente”, afirma. Outros fatores apontados pelo executivo como entraves para o desenvolvimento do setor são: o alto custo do capital no País, devido aos juros e ao crescimento da carga tributária; e as dificuldades, entraves e duplicidades na obtenção de licenciamento ambiental.

        A disponibilidade de energia elétrica, que tanto preocupou e afetou os fabricantes em 2001 e 2002, não está mais entre as dificuldades momentâneas do setor. “Após o racionamento, os consumidores aprenderam a usar o insumo de maneira racional, como faz a indústria de cloro-soda, intensiva consumidora dessa “matéria prima” Além disso, as chuvas de 2004 ajudaram bastante, provocando um excedente de energia temporário. Este cenário nos tranqüiliza até 2008, mas o governo não pode descuidar desta questão”, finaliza o presidente da Abiclor, Carlos Alberto Tieghi.          

 

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