O Redesenho do Setor Transformador de Plásticos e
a Governança Corporativa (III)
Prosseguimos com a série de entrevistas com José Simantob
Netto sobre esse tema. As anteriores, publicadas nas edições
de outubro e dezembro/2005, tiveram grande repercussão, gerando
vários e-mails para jsimantov@ig.com.br,
solicitando a remessa gratuita do Código das Melhores Práticas
da Governança Corporativa, editado pelo IBGC:
JP – Que receita o senhor daria para a perenização de uma
empresa?
Simantob - O primeiro ingrediente seria investir para
crescer sempre e competir em bases tecnológicas. O País cresce,
o mercado internacional globalizado cresce, a renda per capita
cresce, o uso do plástico cresce e a empresa também deverá crescer
para passar para as gerações seguintes. Para isso, além da capitalização
dos resultados financeiros no fluxo de caixa, é muito importante
a obtenção de recursos externos para acelerar a expansão da
empresa. O fator tempo também é muito importante.
O segundo ingrediente seria uma efetiva Governança Corporativa,
conforme definimos nas entrevistas anteriores, para facilitar
o acesso ao capital mais barato do mercado, seja com abertura
do capital, seja com financiamentos oficiais ou externos, ou
outras modalidades disponíveis.
JP – O senhor tem algum exemplo para dar?
Simantob - Sim. Na última entrevista demos o exemplo
do Grupo Odebrecht. Agora, damos o exemplo do Grupo Suzano,
que já está na 3ª geração com David, Daniel e Jorge Feffer.
Três das principais empresas do Grupo Suzano (Bahia Sul, Politeno
e Suzano Petroquímica) já receberam o PNQ – Prêmio Nacional
da Qualidade, atestando a excelência de classe mundial
da sua gestão. A Suzano Petroquímica, maior fabricante de polipropileno
da América Latina e segunda maior fabricante de resinas termoplásticas
do País, é uma das referências de crescimento com perpetuação
na cadeia de valor do Plástico, graças à sua Governança Corporativa,
classificada como nível 2 na listagem BOVESPA. O jovem David
Feffer, neto do fundador Leon e filho do primeiro sucessor Max,
ambos falecidos, recentemente afirmou em entrevista à mídia
que “doravante será difícil para uma empresa brasileira sobreviver
sem crescimento e abertura do seu capital”. O Novo Mercado,
um divisor de águas da BOVESPA, agora exige Governança Corporativa
segundo parâmetros mais rigorosos para proteção dos acionistas
e manutenção da confiança no mercado, com valorização das ações,
respeitando e atraindo todo e qualquer acionista.
JP – A que o senhor atribui o crescimento do grupo Suzano?
Simantob – Atribuo à visão estratégica (de curto, médio e
longo prazo) dos jovens herdeiros, que foram bem preparados
por Max para serem seus sucessores, sendo um na área do papel
e, outro, na petroquímica. Também creditamos este sucesso a
uma efetiva governança corporativa exercida por senhores grisalhos,
uma equipe de excelentes executivos e uma eficaz engenharia
financeira, que não se realiza sem a confiança em uma boa prática
de governança corporativa. Isto se constata em uma visita ao
site da Suzano, que dá uma grande transparência do seu
status financeiro e operacional aos stackholders. A Suzano é
uma referência de perenização, assim como outros grupos, também
do setor petroquímico.
JP – O senhor acredita que estes exemplos de perenização
da segunda geração poderão ser transpostos para a terceira geração
?
Simantob – Acredito que sim, desde que os grupos de terceira
geração, que cresceram e se tornaram maduros, utilizem por paradigma
os exemplos da segunda geração, que têm know how para
oferecer na área da governança. Talvez, a segunda geração, que
vem estimulando a terceira geração à gestão da qualidade, desenvolvimento
de novas tecnologias, ampliação das suas capacidades produtivas,
devesse agora, na maturidade destas grandes empresas transformadoras,
estimulá-las a se perenizarem e a não desaparecerem, como alguns
casos que conhecemos, e de outras que fatalmente irão desaparecer
por não terem preparado o seu processo de perenização.
JP – A perenização poderá se efetivar por meio de aquisições,
fusões e joint ventures?
Simantob – Sim , é perfeitamente possível pois a divisão
de poder deverá levar os sócios (quotistas ou acionistas) ao
diálogo e novas formulações estratégicas, pois duas ou mais
cabeças pensam mais e melhor do que apenas uma, criando novas
sinergias, desafiando a matemática, onde 2 mais 2 poderá se
tornar 6 ou mais. Entretanto, sem uma efetiva governança corporativa,
tudo se torna mais difícil, pois existe o risco muito grande
de que os interesses dos sócios venham se sobrepor aos
interesses da organização, criando, inclusive, conflitos de
interesse , em prejuízo da organização.
Voltando ao caso da Suzano, ela também participa de outros
investimentos com outros grupos, para explorarem estrategicamente
as oportunidades de mercado, como é o caso da sua participação
na Riopol. Além disso, participa com concorrentes seus em outros
empreendimentos, tais como, Politeno e Petroflex. Esta
também é uma forma de crescimento.
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