Janeiro de 2006

 



 

O Redesenho do Setor Transformador de Plásticos
e a Governança Corporativa (III)

Prosseguimos com a série de entrevistas com José Simantob Netto sobre esse tema. As anteriores, publicadas nas edições de outubro e dezembro/2005, tiveram grande repercussão, gerando vários e-mails para jsimantov@ig.com.br, solicitando a remessa gratuita do Código das Melhores Práticas da Governança Corporativa, editado pelo IBGC:

JP – Que receita o senhor daria para a perenização de uma empresa?

Simantob -  O primeiro ingrediente seria investir para crescer sempre e competir em bases tecnológicas. O País cresce, o mercado internacional globalizado cresce, a renda per capita cresce, o uso do plástico cresce e a empresa também deverá crescer para passar para as gerações seguintes. Para isso, além da capitalização dos resultados financeiros no fluxo de caixa, é muito importante a obtenção de recursos externos para acelerar a expansão  da empresa. O fator tempo também é muito importante.

O segundo ingrediente seria uma efetiva Governança Corporativa, conforme definimos nas entrevistas anteriores, para facilitar o acesso ao capital mais barato do mercado, seja com abertura do capital, seja com financiamentos oficiais ou externos, ou outras modalidades disponíveis.

JP – O senhor tem algum exemplo para dar?

Simantob -  Sim. Na última entrevista demos o exemplo do Grupo Odebrecht. Agora, damos o exemplo do Grupo Suzano, que já está na 3ª geração com David, Daniel e Jorge Feffer. Três das principais empresas do Grupo Suzano (Bahia Sul, Politeno e Suzano Petroquímica) já receberam o PNQ – Prêmio Nacional da Qualidade, atestando a  excelência de classe mundial da sua gestão. A Suzano Petroquímica, maior fabricante de polipropileno da América Latina e segunda maior fabricante de resinas termoplásticas do País, é uma das referências de crescimento com perpetuação na cadeia de valor do Plástico, graças à sua Governança Corporativa, classificada como nível 2 na listagem BOVESPA. O jovem David Feffer, neto do fundador Leon e filho do primeiro sucessor Max, ambos falecidos, recentemente afirmou em entrevista à mídia que “doravante será difícil para uma empresa brasileira sobreviver sem crescimento e abertura do seu capital”. O Novo Mercado, um divisor de águas da BOVESPA, agora exige Governança Corporativa segundo parâmetros mais rigorosos para proteção dos acionistas e manutenção da confiança no mercado, com valorização das ações, respeitando e atraindo todo e qualquer acionista.

JP – A que o senhor atribui o crescimento do grupo Suzano?

Simantob – Atribuo à visão estratégica (de curto, médio e longo prazo) dos jovens herdeiros, que foram bem preparados por Max para serem seus sucessores, sendo um na área do papel e, outro, na petroquímica. Também creditamos este sucesso a uma efetiva governança corporativa exercida por senhores grisalhos, uma equipe de excelentes executivos e uma eficaz engenharia financeira, que não se realiza sem a confiança em uma boa prática de governança corporativa. Isto se constata em uma visita ao site  da Suzano, que dá uma grande transparência do seu status financeiro e operacional aos stackholders. A Suzano é uma referência de perenização, assim como outros grupos, também do setor petroquímico.

JP – O senhor acredita que estes exemplos de perenização da segunda geração poderão ser transpostos para a terceira geração ?

Simantob – Acredito que sim, desde que os grupos de terceira geração, que cresceram e se tornaram maduros, utilizem por paradigma os exemplos  da segunda geração, que têm know how para oferecer na área da governança. Talvez, a segunda geração, que vem estimulando a terceira geração à gestão da qualidade, desenvolvimento de novas tecnologias, ampliação das suas capacidades produtivas, devesse agora, na maturidade destas grandes empresas transformadoras, estimulá-las a se perenizarem e a não desaparecerem, como alguns casos que conhecemos, e de outras que fatalmente irão desaparecer por não terem preparado o seu processo de  perenização.

JP – A perenização poderá se efetivar por meio de aquisições, fusões e joint ventures?

Simantob – Sim , é perfeitamente possível pois a divisão de poder deverá levar os sócios (quotistas ou acionistas) ao diálogo e novas formulações estratégicas, pois duas ou mais cabeças pensam mais e melhor do que apenas uma, criando novas sinergias, desafiando a matemática, onde 2 mais 2 poderá se tornar 6 ou mais. Entretanto, sem uma efetiva governança corporativa, tudo se torna mais difícil, pois existe o risco muito grande de  que os interesses dos sócios venham se sobrepor aos interesses da organização, criando, inclusive, conflitos de interesse , em prejuízo da organização.

Voltando ao caso da Suzano, ela também participa de outros investimentos com outros grupos, para explorarem estrategicamente as oportunidades de mercado, como é o caso da sua participação na Riopol. Além disso, participa com concorrentes seus em outros empreendimentos, tais como, Politeno e Petroflex.  Esta também é uma forma de crescimento.


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