Janeiro de 2006

 


Vendas do setor de distribuição de produtos químicos
e petroquímicos mantêm tendência de queda

        As vendas em dólares de produtos químicos e petroquímicos registraram, em dezembro de 2005, decréscimo de 9,4%, refletindo a normal desaceleração das compras industriais no período, uma vez que o forte da produção industrial concentra-se nos três meses anteriores.  Com o resultado do mês, as vendas acumuladas fecharam o ano com 10,1% de vantagem em relação ao ano anterior, enquanto na comparação com igual mês de 2005 também se constatou diferença positiva um pouco menor e igual a 9,1%.

        “O ano foi caracterizado por forte concorrência de mercado, provocada pela baixa atividade econômica do mercado interno, exigindo das empresas do setor atenção redobrada na fixação dos preços de venda e maior agilidade na política comercial. Apesar de todos os percalços provocados pelas turbulências políticas observadas em 2005, a maior parte das empresas do setor considerou bom o desempenho obtido, pois não se constataram maiores dificuldades advindas de algum tipo de incerteza decorrente dos acontecimentos relacionados com a apuração das denúncias”, diz Rubens Medrano, presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos (Associquim) e do Sindicato do Comércio Atacadista de Produtos Químicos e Petroquímicos no Estado de São Paulo (Sincoquim).

        Segundo Medrano, o ótimo comportamento das exportações influenciou positivamente a produção industrial do país, fornecedora dos mais diversos tipos de bens para o exterior, devendo fechar o ano com crescimento próximo de 3,5%.  “Vale lembrar que o efeito positivo das vendas externas na indústria encontra justificativa no crescimento das exportações de produtos manufaturados que representaram 55,1% do total exportado, beneficiando os fornecedores de matérias primas e insumos produtivos, pois o mercado interno viveu espasmos de prosperidade, provocados pelo crescimento eventual do crédito ao consumidor, destinado principalmente à aquisição de bens duráveis”, destaca o dirigente.

 

Expectativas futuras

        De acordo com Medrano, “a previsão média para as vendas em dólares do primeiro mês do ano de 2006 indica crescimento de 8% na comparação com dezembro, que se constitui em base diminuta e que, historicamente, apresenta desempenho negativo, com recuo em 2005 de 9,4% em relação a novembro”. A expectativa dos informantes do Relatório Tendências em relação a 2006 pode ser considerada favorável, uma vez que 37% deles se revelaram otimistas em relação ao desempenho de 2006.

        “Ao examinar detalhadamente os indicadores da atual situação da economia brasileira e os sinais dados pelo mercado internacional, pode-se concluir que o ano de 2006 deverá apresentar um desempenho melhor do que o atingido em 2005, quando o PIB, de acordo com as estimativas preliminares, deverá se situar em patamar inferior a 2,5%”, antecipa o dirigente.

        No entanto, segundo ele, grande parte dos possíveis avanços dependerá da atitude do Banco Central, administrador das taxas internas de juros. “Mantido o conservadorismo já manifestado, notadamente em 2005, a redução das taxas poderá ser bastante gradual e cautelosa, no receio de aquecimento exagerado da demanda interna, com conseqüente aumento da inflação, cuja meta de expansão foi fixada em 4,5% no ano.”

        No que se refere ao mercado interno, a queda das taxas de juros, em maior ou menor velocidade, deverá incentivar o aumento do nível de investimentos e a redução dos custos operacionais das empresas nacionais. “O crescimento da massa salarial, provocado, por  um lado, pelo aumento do salário mínimo e, por outro, pelo efeito multiplicador dos gastos governamentais durante o ano eleitoral, também se constitui em fator favorável para o crescimento das vendas internas, resultando em crescimento da produção e do comércio interno, notadamente nos setores de bens de consumo”, conclui.

 

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