Vendas do setor de distribuição de produtos
químicos e petroquímicos mantêm tendência de queda
As vendas
em dólares de produtos químicos e petroquímicos registraram,
em dezembro de 2005, decréscimo de 9,4%, refletindo a normal
desaceleração das compras industriais no período, uma vez que
o forte da produção industrial concentra-se nos três meses anteriores.
Com o resultado do mês, as vendas acumuladas fecharam
o ano com 10,1% de vantagem em relação ao ano anterior, enquanto
na comparação com igual mês de 2005 também se constatou diferença
positiva um pouco menor e igual a 9,1%.
“O ano foi
caracterizado por forte concorrência de mercado, provocada pela
baixa atividade econômica do mercado interno, exigindo das empresas
do setor atenção redobrada na fixação dos preços de venda e
maior agilidade na política comercial. Apesar de todos os percalços
provocados pelas turbulências políticas observadas em 2005,
a maior parte das empresas do setor considerou bom o desempenho
obtido, pois não se constataram maiores dificuldades advindas
de algum tipo de incerteza decorrente dos acontecimentos relacionados
com a apuração das denúncias”, diz Rubens Medrano, presidente
da Associação Brasileira dos Distribuidores de Produtos Químicos
e Petroquímicos (Associquim) e do Sindicato do Comércio Atacadista
de Produtos Químicos e Petroquímicos no Estado de São Paulo
(Sincoquim).
Segundo Medrano,
o ótimo comportamento das exportações influenciou positivamente
a produção industrial do país, fornecedora dos mais diversos
tipos de bens para o exterior, devendo fechar o ano com crescimento
próximo de 3,5%. “Vale lembrar que o efeito positivo das
vendas externas na indústria encontra justificativa no crescimento
das exportações de produtos manufaturados que representaram
55,1% do total exportado, beneficiando os fornecedores de matérias
primas e insumos produtivos, pois o mercado interno viveu espasmos
de prosperidade, provocados pelo crescimento eventual do crédito
ao consumidor, destinado principalmente à aquisição de bens
duráveis”, destaca o dirigente.
Expectativas futuras
De acordo
com Medrano, “a previsão média para as vendas em dólares do
primeiro mês do ano de 2006 indica crescimento de 8% na comparação
com dezembro, que se constitui em base diminuta e que, historicamente,
apresenta desempenho negativo, com recuo em 2005 de 9,4% em
relação a novembro”. A expectativa dos informantes do Relatório
Tendências em relação a 2006 pode ser considerada favorável,
uma vez que 37% deles se revelaram otimistas em relação ao desempenho
de 2006.
“Ao examinar
detalhadamente os indicadores da atual situação da economia
brasileira e os sinais dados pelo mercado internacional, pode-se
concluir que o ano de 2006 deverá apresentar um desempenho melhor
do que o atingido em 2005, quando o PIB, de acordo com as estimativas
preliminares, deverá se situar em patamar inferior a 2,5%”,
antecipa o dirigente.
No entanto,
segundo ele, grande parte dos possíveis avanços dependerá da
atitude do Banco Central, administrador das taxas internas de
juros. “Mantido o conservadorismo já manifestado, notadamente
em 2005, a redução das taxas poderá ser bastante gradual e cautelosa,
no receio de aquecimento exagerado da demanda interna, com conseqüente
aumento da inflação, cuja meta de expansão foi fixada em 4,5%
no ano.”
No que se
refere ao mercado interno, a queda das taxas de juros, em maior
ou menor velocidade, deverá incentivar o aumento do nível de
investimentos e a redução dos custos operacionais das empresas
nacionais. “O crescimento da massa salarial, provocado, por
um lado, pelo aumento do salário mínimo e, por outro,
pelo efeito multiplicador dos gastos governamentais durante
o ano eleitoral, também se constitui em fator favorável para
o crescimento das vendas internas, resultando em crescimento
da produção e do comércio interno, notadamente nos setores de
bens de consumo”, conclui.
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