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Marcelo C. Bianchi, Diretor Comercial da CBE – Cia. Brasileira de Estireno

O JORNAL DE PLÁSTICOS entrevistou o diretor comercial da CBE – Cia. Brasileira de Estireno

Planos da subsidiária da Unigel após a compra do negócio de plástico poliestireno da BASF no Brasil

Conforme o JORNAL DE PLÁSTICOS havia publicado, a Companhia Brasileira de Estireno (CBE), empresa subsidiária da Unigel S.A., adquiriu o negócio de poliestireno da BASF no Brasil.

Uma das primeiras indústrias químicas instaladas no país - com início das operações em 1957 - a CBE é hoje uma das principais produtoras nacionais de monômero de estireno, com capacidade para produzir 120.000 tons/ano do mesmo.

Como registro histórico, gostaríamos de ressaltar que, na primeira edição do JP (julho de 1956), o jornalista Ataliba Belleza Chagas, nosso Diretor Fundador, publicou a matéria fotográfica em que dava destaque à situação das obras de construção da CBE em Cubatão-SP, que seria efetivamente inaugurada no ano seguinte.

Para termos maiores informações sobre esse assunto de grande interesse para o mercado transformador plástico, entrevistamos o novo Diretor Comercial da CBE, Marcelo C. Bianchi, executivo com grande experiência no setor tendo exercido, anteriormente, importantes funções na OPP, EDN – Estireno do Nordeste e a diretoria comercial da Innova e PQU – Petroquímica União, além de ter participado, também, da diretoria do Siresp – Sindicato da Indústria de Resinas no Estado de São Paulo:

JP – Como surgiu a idéia da compra da unidade de poliestireno da Basf?
Marcelo – A Basf colocou à venda, há algum tempo, no mundo inteiro, suas unidades fabricantes do poliestireno. A primeira a ser efetivamente negociada dentro dessa perspectiva foi a do Brasil, em São José dos Campos-SP, adquirida pela CBE – Cia. Brasileira de Estireno, uma subsidiária do Grupo Unigel. Essa unidade de produção de poliestireno é a de maior capacidade instalada no Brasil, totalizando 190 mil tons/ano.
Com essa última compra da unidade de poliestireno, em São José dos Campos, o Grupo Unigel consolidou a integração dos negócios estirênicos: começou com a aquisição, em 1997, do controle acionário total da CBE; em 2008, obteve a planta produtora do monômero de estireno da EDN em Camaçari-BA. Somadas essas duas unidades, o Grupo Unigel passou a ser o maior produtor de monômero de estireno do país.

JP – A Basf já comprava o monômero da CBE?
Marcelo – Sim, ela era um dos nossos principais clientes de monômeros de estireno.

JP – A sua produção do monômero vai ser cativa ou será vendido o excedente?
Marcelo – Hoje nós somos um grande player no mercado local de monômeros de estireno e vamos continuar sendo. Além do monômero de estireno que vendemos no mercado, tanto originário de Cubatão ou de Camaçari, nós o consumimos para a produção do poliestireno.
A capacidade instalada de 190 mil tons/ano de poliestireno tem uma ociosidade muito grande. Quando a Basf nos passou sua unidade, estava com uma participação no mercado relativamente pequena. Nosso objetivo, ao longo dos próximos meses, é ocupar cada vez mais essa capacidade de produção de poliestireno.


JP – A idéia é expandir a capacidade de produção de poliestireno?
Marcelo – Não, capacidade nós já temos; queremos é ocupa-lar cada vez mais. Nós acreditamos que a participação de mercado que recebemos da Basf não é compatível com a nossa posição atual – hoje, nós somos o maior produtor de monômeros de estireno do Brasil; temos essa integração do monômero, temos a unidade mais moderna e atualizada de produção de poliestireno, a maior capacidade instalada. Ou seja, nosso objetivo é obter uma participação no mercado compatível com esse negócio.

JP – A Basf estava utilizando quanto percentualmente da capacidade instalada?
Marcelo – Eu não teria como dizer isso, pois estamos numa transição, mas nós consideramos que era muito pouco, principalmente quando comparada com os maiores players do mercado. Nosso objetivo é ter uma posição compatível com nossa capacidade, ou, no mínimo, equilibrar o market share.

JP – Vocês têm perspectivas de exportar poliestireno?
Marcelo – Sim, certamente. Mas, nós temos boas oportunidades de expansão no mercado interno, nós já iniciamos esse trabalho. Na realidade, nesse período de transição, o nosso objetivo é dar continuidade ao que já vinha sendo feito quando esse negócio estava com a Basf, e, gradativamente nó iremos conquistar outras contas. Em paralelo, nós estamos desenvolvendo o mercado internacional.
Quando esse negócio pertencia à Basf, por ser ela uma empresa global e ter várias unidades no mundo todo, havia muitas limitações de exportação a partir do Brasil. Agora, com esse negócio nas mãos do Grupo Unigel, não temos limitação nenhuma, ou seja, podemos exportar para qualquer região do planeta. Evidentemente, nós iremos priorizar as regiões onde tenha a maior remuneração.

JP – E suas perspectivas agora para o ano de 2010, que, ao que tudo indica, será um ano de recuperação, em relação especificamente ao poliestireno? Você acha que haverá um crescimento de consumo dos transformadores bastante similar ao crescimento do PIB de 2010? Antigamente, o crescimento do consumo de resinas era bem maior que o crescimento do PIB.
Marcelo – Isso depende muito da resina em questão. Sempre houve uma elasticidade no consumo ou na demanda pelo consumo das resinas, quase sempre acompanharam em duas vezes o crescimento do PIB.
Nós acreditamos que 2010 será um ano muito bom para a economia em geral. Nos vários segmentos em que participamos, estamos com um otimismo muito grande. Eu poderia dizer que grandes segmentos de mercado, como o da linha branca, por exemplo, onde o interior da geladeira é feito com poliestireno, esse é um segmento que esteve muito bem em 2009 e suas perspectivas para 2010 também são muito boas.

JP – O governo prorrogou a redução do IPI da linha branca...
Marcelo – Sim, ele prorrogou só que de maneira seletiva: ele está dando prioridade àqueles que são “ambientalmente mais amigáveis”. E como todos os fabricantes locais de refrigeradores têm trabalhado muito fortemente em lançamento de produtos mais econômicos, ambientalmente mais amigáveis, acredito que isso aí não deva mudar. E mesmo com o fim dessa vantagem da isenção do IPI, o setor continua otimista e tem certeza de que continuará a crescer.

JP – Principalmente em termos de linha branca, realmente, com a distribuição de renda melhor, muitas famílias entraram no mercado para trocarem os eletrodomésticos da linha branca, como as geladeiras, por exemplo. Também houve uma maior facilidade ao crédito, o que não havia antigamente...
Marcelo – Acho que há uma demanda reprimida muito grande e o pessoal tem feito a substituição dos eletrodomésticos de linha branca. O que nos preocupa é que, nos refrigeradores onde é utilizado o poliestireno, já há uma saturação muito grande: cerca de 90% dos lares brasileiros já têm geladeira. Porém, como você mesmo mencionou, há um movimento de renovação muito grande desses refrigeradores, e isso é importante. Por outro lado, 2010 é ano de Copa do Mundo! E em ano de copa do mundo, vemdem-se mais televisores. E a compra da televisão, geralmente, reduz a compra da linha branca. Mesmo com tudo isso, as perspectivas são otimistas.
Em outros segmentos de mercado, e nós acreditamos muito no setor de laticínios, o poliestireno vem crescendo muito em aplicação, como nas bandejas espumadas para alimentos, como também em potes de iogurte. O iogurte tem um potencial de crescimento muito grande ainda no mercado brasileiro, principalmente comparado ao da Argentina, por exemplo.

JP – Isso também tem a ver com a renda familiar?
Marcelo – Sim, mas também com o hábito alimentar. O consumo do poliestireno tem crescido em relação ao polietileno no mercado de laticínios, em sua utilização no pote de iogurte.

JP – O poliestireno perdeu um tanto do mercado, por exemplo, em sua utilização em copos descartáveis?
Marcelo – Sim, há alguns anos atrás, quando o poliestireno sofreu um pouco, porque o polipropileno cresceu em detrimento do mesmo. Hoje o poliestireno vem crescendo no mercado dos descartáveis. Com essa briga ambiental contra as sacolas plásticas, contra copos plásticos, etc., o que temos pregado é que o consumo seja consciente, isto é, que haja a valorização da qualidade do copo, por exemplo. Com tantos problemas relacionados à higiene, à saúde e contaminações por epidemias, como a gripe suína, por exemplo, nós sentimos a elevação do consumo de copos descartáveis.

JP – Aliás, essa questão ambientalista é muito interessante. Fazendo um paralelo com a história de Santos Dumont, que ficou apavorado quando descobriu que o avião que ele havia criado estava sendo usado na guerra, como bombardeiro, e ele não o tinha feito com tal propósito, quando há o mau uso da tecnologia, o culpado não é o produto. Da mesma forma que os plásticos, é o seu emprego de forma irresponsável que é o problema. É óbvio ser necessário que seja feita a coleta de lixo seletiva. Como você bem apontou, imagine hoje, com toda a população que existe, se não houvesse a oportunidade de haver coisas descartáveis, a um custo baixo, algo que só uma pessoa possa utilizar, como, por exemplo, as seringas descartáveis, se não houvesse descarte desse material, hoje haveria várias epidemias incontroláveis. Isso se deve ao plástico.
Marcelo – As próprias sacolas, que são tão combatidas, elas não são simplesmente jogadas fora na sua maioria: elas servem, entre outros usos, para jogarem o lixo nelas. Na ausência delas, as pessoas vão ter que comprar sacos de lixo da mesma forma.

JP – Complementando: antigamente, não existia esse número de supermercados, então como é que a dona de casa, ou a empregada faziam? Havia aquelas sacolas de pano, ou de lona, elas iam ao mercado e faziam suas compras. Isso há 30 quase 40 anos atrás, o Brasil tinha 80 milhões de habitantes mais ou menos. As pessoas que moravam sem condições de higiene eram menores, obviamente. Imagine hoje as pessoas terem que lavar suas sacolas de pano depois de feitas suas compras!... Se a pessoa não conservar muito bem higienizada essa sacola, podem ficar resíduos de alimentos que vão perecer dentro da mesma, propriciando que colônias de bactérias se instalem ali. Isso hoje em dia é inimaginável: precisa-se de um veículo para poder ser descartado, inclusive o lixo orgânico...
Finalizando nossa entrevista, há outra coisa que você queira falar sobre suas perspectivas?

Marcelo – Nossa perspectiva para o ano de 2010, em relação ao crescimento do mercado de poliestireno, é muito otimista, por que além do crescimento natural do mercado, com a aquisição desse novo negócio, nós vamos crescer. Nós temos que ter uma participação do mercado mais compatível com o nosso negócio, com o nosso tamanho, com a nossa capacidade e com a nossa estratégia.
Resumindo, o Grupo Unigel, com esse negócio do poliestireno, confirmou sua lógica de integração: somos uma empresa que sempre procurou uma integração cada vez maior das cadeias nas quais ela participa, seja na cadeia acrílica, seja na cadeia estirênica. Hoje temos a maior capacidade instalada de poliestireno, somos o maior produtor de monômeros de estireno. Em termos de competitividade, nós estamos buscando cada vez mais sermos competitivos, e, principalmente, somos uma empresa que tem hoje um interesse estratégico muito grande em desenvolver o negócio de poliestireno, ser o principal player no mercado nacional, pois o poliestireno é um plástico com ampla aplicação nos setores de embalagens, eletrodomésticos, produtos eletrônicos e equipamentos para escritórios, sendo também largamente utilizado na construção civil e em isolamento térmico.

 

Sobre a Unigel S.A.

Um dos mais sólidos grupos empresariais do país, com capital 100% nacional, a Unigel S.A. é uma das empresas líderes da indústria petroquímica brasileira, com 11 empresas e cerca de 2.000 funcionários distribuídos em instalações industriais situadas no Brasil e no México.
A história da Unigel, criada em 1966, sempre foi marcada por pioneirismo e inovação. As empresas da Unigel sempre priorizam o desenvolvimento de tecnologia própria, com o objetivo de obter maior produtividade e benefícios aos clientes. A inovação é parte essencial do pensamento estratégico, com o objetivo de ampliar o leque de produtos para os consumidores situados no país e no mercado externo.
A Unigel está presente em diversas áreas de negócios:
- Químicos: acrilatos leves, acrilonitrila, estireno, metacrilatos e cianetos;
- Plásticos: poliestireno, policarbonato, resinas acrílicas, blendas e chapas acrílicas e de policarbonato;
- Fertilizantes: sulfato de amônio;
- Embalagens: filmes de polipropileno, latas de alumínio, PET.
 

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