JULHO DE 2001

 

REFRIGERAÇÃO EM INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS E PROCESSOS INDUSTRIAIS.

Refrisat
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RECICLAGEM DE PET

Élen B. Pacheco & Marcos L. Dias

O poli(tereftalato de etileno) (PET) é um dos plásticos mais usados na atualidade. Esse material é utilizado na fabricação de embalagens de refrigerante, óleo comestível, água mineral, vinagre, maionese e muitas outras, que quando descartadas ocupam um grande volume nos aterros. Este poliéster passou a ser o foco de atenção dos jornais, revistas e noticiários, principalmente devido ao não conhecimento de sua reciclabilidade e de sua potencialidade de uso como plástico de engenharia. O PET apresenta excelentes propriedades mecânicas, óticas e químicas e está sendo jogado em rios, ruas, lagos, encostas e lugares que podem causar danos a vida humana. Do total de PET consumido no Brasil, cerca de 21%, como mostra do na tabela abaixo, é efetivamente reciclado. O processo de reciclagem do PET apresenta muitas dificuldades, devido principalmente à queda brusca do seu peso molecular, o que diminui demasiadamente sua viscosidade, dificultando a obtenção de artefato.

ANO

CONSUMO
(t/a)

RECICLAGEM
(t/a)

RECICLAGEM
(%)

1997

211.000

30.000

14,21

1998

260.000

40.000

15,38

1999

286.000

50.000

17,48

2000

315.000

67.000

21,26

Fonte: Abepet

Dados de consumo e quantidade
de PET reciclado no Brasil


Objetivando contribuir para resolução de problemas de poluição ambiental o Instituto de Macromoléculas Professora Eloisa Mano da Universidade Federal do Rio de Janeiro vem pesquisando a reciclagem deste plástico desde 1994. As pesquisas têm como prioridade resolver alguns problemas da reciclagem de PET, como a estabilização do reciclado durante o reprocessamento e a preparação de misturas com outros polímeros e aditivos, visando a obtenção de materiais com propriedades de engenharia. O uso desses materiais em produtos de maior valor agregado com certeza irá atrair investimentos, e dessa forma será retirado do meio ambiente. Mercados potenciais para os materiais desenvolvidos podem ser os seguintes: embalagens para produtos não-comestivéis (frascos e potes); automobilístico (para-choques, paineis); naval (parte de barcos); carcaças de eletrodomésticos; cabos e estojos de ferramentas; móveis (sofás e cadeiras) e outros.

Esse mercado estudado é diferente do que está sendo obtido nas indústrias de reciclagem do Brasil. O principal mercado para o PET reciclado é o de mono e multifilamentos. As maiores aplicações são:
· fibras para enchimento de colchões e travesseiros;
· fios de filamentos para fabricação de cordas e cerdas de vassouras e escovas.
. A Recipet, a Repet, a Ecofabril e a Arteplás são responsáveis por 80% da reciclagem nacional de PET. Hoje o Brasil tem uma capacidade instalada para recuperar cerca de 67.000 toneladas anuais (Fonte: Abepet)

Outro dado importante para o incentivo da reciclagem no Brasil é que os plásticos respondem por 20% em peso no lixo total, segundo dados da Comlurb (Figura 1). O PET é um dos tipos de plásticos mais presentes no lixo (Figura 2), dessa forma, apresenta grande potencial econômico para ser reciclado.

Figura 1: Composição do lixo da cidade do
Rio de Janeiro - Fonte: Comlurb, 2000


Figura 2. Composição do lixo plástico por tipo
Fonte: CBIP-Curso Básico Intensivo de Plásticos
Aula 34


Os conhecimentos sobre as características do material plástico, a forma de reprocessamento e as técnicas envolvidas na reciclagem podem ser passadas pela Universidade e por empresários do ramo através de cursos. Um Curso de 40 horas sobre “Reciclagem de PET” será oferecido pelo Núcleo Interdisciplinar de Estudos Ambientais e Desenvolvimento (NIEAD) do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN) da UFRJ para a sociedade, pessoas que queiram investir no ramo ou pessoas jurídicas ligadas ao governo ou entidades não-governamentais interessadas em conhecer mais sobre o assunto. O Curso abordará também os aspectos envolvidos no projeto, operação e administração de uma recicladora de plástico, visando a capacitação para a escolha de um empreendimento limpo e rentável, sob o ponto de vista econômico.

Mais informações pelos telefones
(21) 2270-8547 / 2598-9495
Ou e-mail:
decccmn@acd.ufrj.br

Para entrar em contato com os autores:
e-mail:
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