|
|
|
|
JULHO DE 2001
|
| |
|
UNIDADES DE ÁGUA GELADA
Para indústria de plásticos.
Largamente utilizadas em todos os processos de resfriamento
industrial nos segmentos químico, farmacêutico, de borracha, galvanoplastia, papéis e tratamento
térmico.
Soluções especiais para
baixa temperatura.
REFRIAC
Refrigeração e Ar Condicionado
Rua Pirambóia, 1038 - Jardim Estela
09185-410 - Santo André - S.P. - Brasil
Pabx: 0xx11 4994-7699
Fax: 0xx11 4994-7656
Internet: http://www.refriac.com.br
E-mail: refriac@refriac.com.br
O melhor atendimento pós-venda
|
|
MENOS 50% DE ENERGIA!
No processo de Masterbach e Compostos pode-se reduzir até 50% de energia
eliminando as etapas:
- Mistura; - Homogeneização;
- Moagem; - Extrusão;
Dupla Rosca Co-Rotante
DRC-30mm - DRC-40mm
DRC-58mm - DRC-70mm
L/D 1:40 Produção até 700 kg/hora.
“NÃO COMPRE NO ESCURO”
A IMACOM dá UMA LUZ para você?
IMACOM
Qualidade e Tecnologia
Fone/Fax: (0xx11) 4392-4611
e-mail: vendas@imacom.com.br
site: http:// www.imacom.com.br
|
|
ECONOMIA E MEIO AMBIENTE: REVENDO DESAFIOS
Maria Cecília Junqueira Lustosa
Taxa de juros, câmbio, inflação.
Necessidade de financiamento do setor externo, competitividade, crescimento econômico. Financiamento da safra
agrícola, investimentos externos diretos, gastos públicos. O que será que essas e outras palavras
do “economês” têm a ver com o meio ambiente? Certamente, a maioria das pessoas diria nada a ver, mas
é justamente o contrário: têm tudo a ver.
A questão ambiental está inserida nas diversas áreas de estudo da economia, uma vez que o
meio ambiente é fonte de matérias primas e energia, local de despejo dos rejeitos das atividades
produtivas e contribui de maneira significativa para o bem-estar da população. A abundância
dos recursos ambientais talvez seja uma das razões pelas quais os economistas não prestaram atenção
às questões ambientais em épocas anteriores. Afinal, a economia é por muitos definida
como a ciência que aloca recursos escassos para fins alternativos.
Entretanto, nas três últimas décadas, evidenciou-se que os recursos ambientais começaram
escassear: o ar puro ficando cada vez mais poluído, a água potável menos disponível,
os solos mais degradados, espécies da fauna e flora em extinção acelerada, os minerais cada
vez mais difíceis de serem extraídos e a biodiversidade sendo perdida, afastando cada vez mais a
possibilidade de descobrirmos os segredos da natureza.
Os danos causados ao meio ambiente de origem antrópica acompanham o ritmo do crescimento econômico.
A partir do século XIX, com a intensificação do processo de industrialização
e dos sistemas agropecuários, a demanda por recursos naturais e os danos ao meio ambiente tornaram-se crescentes.
A constatação de que a capacidade de suporte do planeta estava chegando ao seu limite, seja pela
quantidade de poluentes lançados no ambiente ou pela exaustão dos recursos naturais, data do final
dos anos 60. A discussão era se deveria ou não desacelerar o ritmo de crescimento econômico
em função da crescente degradação ambiental. O relatório Limites do Crescimento,
de 1972, coloca explicitamente os limites do crescimento econômico devido à finitude dos recursos
naturais, propondo o “crescimento econômico zero”.
O enfoque do “crescimento zero” foi superado e ganha importância crescente o conceito de Desenvolvimento
Sustentável. O termo Desenvolvimento Sustentável foi difundido no relatório Nosso Futuro Comum,
de 1987, da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento das Nações Unidas e centra-se
em três eixos principais: crescimento econômico, equidade social e equilíbrio ecológico,
sendo mais uma meta do que um estado de harmonia. Do ponto de vista econômico, implica duas condições:
o desenvolvimento deve permitir a ampliação, ou pelo menos a manutenção, da qualidade
de vida em um horizonte temporal longo; e manutenção, ao longo do horizonte temporal, do estoque
de capital, incluindo os recursos naturais.
Ou seja, o meio ambiente afeta e é afetado pela economia. E como a taxa de juros pode influenciar no meio
ambiente? Taxas de juros muito altas, estimulam a extração mais rápida dos recursos naturais.
Dada a incerteza do futuro, os agentes econômicos preferem transformar seus recursos naturais em moeda hoje
e ganhar os rendimentos das altas taxas de juros, do que manter o recurso natural para transformá-los em
moeda no futuro.
Como os investimentos externos diretos podem afetar o meio ambiente? Os capitais externos que ingressam no país
são para compra de empresas ou para expansão da capacidade produtiva. No primeiro caso, se os novos
controladores não tiverem preocupações ambientais, suas atividades podem prejudicar o meio
ambiente. Evidência empíricas, entretanto, sugerem que as empresas parcial ou totalmente controladas
por capital estrangeiro são as que mais apresentam preocupações ambientais. Quando há
expansão de capacidade produtiva, os impactos ambientais são evidentes, pois não há
tecnologia disponível que aproveite 100% dos insumos. Mesmo que essa expansão seja no setor de serviços,
por sua natureza menos poluente que o industrial e o primário, ele é grande demandante de energia,
cuja geração implica significativos impactos ambientais negativos.
O comércio internacional também pode trazer conseqüências danosas para o meio ambiente,
como a poluição resultante do transporte de mercadorias. No caso das exportações brasileiras,
que complementam a oferta de bens de outros países, estudos empíricos indicam que o setor exportador
apresenta um alto potencial poluidor. Assim, os rejeitos industriais e possíveis danos ao meio ambiente
ficam no Brasil, sem a contrapartida do consumo dos bens produzidos, que será realizado pelos importadores.
Então, quando se fala na necessidade de aumentar as exportações, para gerar divisas e suprir
a necessidade de financiamento do setor externo, significa aumentar a produção de commodities intensivas
em recursos naturais e energia, onde o Brasil possui vantagens competitivas. Logo, é esperado o aumento
da poluição e aumento da velocidade de exploração dos recursos naturais. Surgem duas
questões importantes: a primeira é que se os recursos naturais forem explorados de forma não
sustentável, eles tendem à exaustão e o país pode perder sua vantagem competitiva.
A segunda é que o preço das commodities é cotado no mercado internacional, fazendo com que
os produtores sejam tomadores de preços. Se os custos ambientais forem internalizados – seguindo o princípio
constitucional do poluidor-pagador – certamente terão sua renda líquida diminuída.
Dessa forma, se a expansão das atividades econômicas tiver como metas a redução da pobreza
e a melhoria do bem-estar da população, essa última pode não acontecer, na medida em
que parcelas mais desfavorecidas da população são aquelas que sofrem mais com os problemas
da poluição – as áreas poluídas ficam desvalorizadas, incentivando sua ocupação
pela população de baixa renda; locais onde vivem essas populações podem ser mais facilmente
poluídos, pois elas não apresentam força política nem organização suficientes
para evitar tais problemas ambientais. Adiciona-se a esse fato, os gastos com saúde pública, que
se elevam na medida em que os problemas de saúde por causa de poluição aumentam.
Mas além da poluição resultante das atividade produtivas – a poluição da riqueza
– existe a poluição da pobreza. A falta de saneamento básico e os lixões a céu
aberto são exemplos desse último tipo de poluição. São problemas cujas soluções
são bastante conhecidas – e demandam mão-de-obra, abundante em nosso país – e que não
são implementadas por falta de recursos financeiros, característica elementar da pobreza (ou falta
de vontade política, característica da pobreza política?).
É importante lembrar que o custo da despoluição é muito alto, como pode-se constatar
por diversos programas de despoluição, como o da Baía de Guanabara no Rio de Janeiro e o do
Rio Tietê em São Paulo, que já consumiram milhões de dólares e ainda não
estão perto de uma solução definitiva. Tais recursos – os gastos adicionais com saúde
e despoluição – poderiam ser alocados para outros fins, caso a poluição fosse evitada.
A irreversibilidade dos danos causados aos recursos ambientais – sejam renováveis ou não – deve também
ser levada em consideração, uma vez que seja reconhecida a responsabilidade da geração
atual de garantir recursos ambientais de qualidade para as gerações futuras.
Aliada à exclusão social está, portanto, a exclusão ambiental. São as camadas
sociais menos abastadas que possuem um padrão de consumo menos intensivo em recursos ambientais, por consumirem
menos e usarem bens menos intensivos em energia, porém moram em áreas de maior degradação
ambiental e possuem menor acesso aos bens ambientais de qualidade.
Essas são algumas das questões que trata a economia do meio ambiente. É necessário,
portanto, discutir velhas questões incluindo a variável ambiental. O desenvolvimento deve ser não
somente econômico e social, mas também ambiental, relembrando a idéia de desenvolvimento sustentável.
Porém não significa transformar toda a agricultura em orgânica, não considerando sua
menor produtividade, e nem acabar com a indústria e as exportações potencialmente poluidoras,
mas criar novas tecnologias, formas de gestão e incentivar padrões de consumos mais saudáveis
ao meio ambiente. Ou seja, trata-se de buscar soluções endógenas para muitos problemas ambientais
que foram conseqüência de padrões de consumo e produção vindos de fora.
São crescentes e bem fundamentadas as preocupações da sociedade com as questões ambientais.
Há o dois lados: aqueles que percebem e sofrem as conseqüências da degradação do
meio ambiente, portanto demandam soluções para esses problemas, e outros que vêem a questão
ambiental como mais um modismo da sociedade, que estaria camuflando outros interesses.
A evidência de questão ambiental é crucial está no fato de estar sendo paulatinamente
internalizada pelos diversos agentes econômicos, que passam incluir a variável ambiental em suas análises
e decisões. As diversas áreas do conhecimento científico também estão internalizando
essas questão, apesar dos setores e áreas mais conservadores apresentarem grande resistência.
Esse é o caso de muitos economistas. Será por acharem a questão pouco relevante ou por não
possuírem instrumental teórico que apresente soluções realistas? Independentemente
de achar a causa de tais resistências, a realidade é que a sociedade precisa ampliar a gama de conhecimentos
nas questões que envolvem meio ambiente e economia. Os atores sociais, querendo tratar essas questões,
muitas vezes não estão atentos para as áreas de interseção que estão
presentes.
A atuação de organizações não governamentais (ONGs) está sendo cada vez
mais importante para tratar as relativas ao meio ambiente. Elas têm conseguido fazer com que a sociedade
civil seja mais organizada e esteja presente em decisões importantes. Além dos trabalhos que têm
desenvolvido, as ONGs realizam pesquisas relevantes, a fim de que a realidade fique mais compreensível.
Mas, devido à interdisciplinariedade das questões ambientais, é necessário reforçar
a formação dos profissionais que atuam nesse segmento, para não serem taxados de neo-protecinistas
e nem acusarem os setores que têm uma natureza mais agressiva ao meio ambiente de “eco-delinqüentes”.
A mídia também exerce papel fundamental na formação de opinião e na informação
da sociedade quanto às questões ambientais. Entretanto, encontra-se na imprensa confusões
em relação ao assunto, como “... para a redução da emissão de gás carbônico
(CO2) na atmosfera, principal destruidor da camada de ozônio”, fazendo associações indevidas
entre a depleção da camada de ozônio e o aquecimento global. Esses fenômenos apresentam
características distintas, sendo alvo de tratados internacionais independentes, com implicações
econômicas diversas. A atualização de profissionais na área de meio ambiente é,
portanto, importante para que velhas questões sejam repensadas e novas soluções encontradas.
Para abordar este tema o Núcleo Interdisciplinar de Estudos Ambientais e Desenvolvimento (NIEAD) do Centro
de Ciências da Matemática e da Natureza (CCMN) da UFRJ realizará em agosto o curso de Treinamento
Profissional em Economia do Meio Ambiente, voltado para empresários, executivos, jornalistas, ONG’s e ambientalistas.
Mais informações pelos telefones(21) 2270 8547 ou 2598 9495.
|