Capa do Mês

O Redesenho do Setor Transformador de Plásticos e a Governança Corporativa (IX)
Prosseguimos com a série de entrevistas com José Simantob Netto sobre esse tema. As anteriores, publicadas nas edições de outubro e dezembro/2005 e nas de janeiro a junho/2006 tiveram grande repercussão, principalmente nas empresas de terceira geração da cadeia Petroquímica, gerando vários e-mails para jsimantov@ig.com.br, solicitando a remessa gratuita do Código das Melhores Práticas da Governança Corporativa, editado pelo IBGC:

JP- Entre as perguntas que nos têm sido feitas pelos leitores, destacamos a solicitação feita sobre o conteúdo de um eventual Código de Ética na Empresa Familiar. Qual a finalidade deste Código?

Simantob – A finalidade deste Código é colocar os interesses da empresa acima dos interesses imediatos e pessoais da família, sem esquecer que a empresa pertence à família. Em outras palavras, para defender a empresa para a família é preciso defender a empresa do próprio risco família.

JP - Isto não é uma tarefa difícil, considerando-se uma tendência paternalista da maioria dos empresários?

Simantob – Tudo vai depender da maneira como o empresário criou e educou seus filhos e de como os tenha preparado para a sucessão. Simplesmente o herdeiro, na maioria dos casos, não é sucessor. Sucessão não é um processo fácil. Às vezes, o empresário pensa que seu herdeiro será o seu sucessor com a mesma competência que ele teve como fundador. Temos, no setor dos plásticos, dezenas de empresas maduras que têm herdeiros e não sucessores, para angústia dos seus gestores, pois sabem que a empresa poderá ter seu fim na segunda geração de herdeiros, como exemplos que eles têm visto. Esta angústia é maior quando o fundador já está chegando ou ultrapassou a casa dos 70 anos de idade.

JP- O senhor poderá enviar, a quem tiver interesse, um Código de Ética na Empresa Familiar? Como é este Código?

Simantob - Com muito prazer, desde que solicitado aos cuidados do JP. Uma vez redigido em consonância com os valores da família e assinado por todos os herdeiros, ele propiciará condições para a formação de um Conselho de Família. Este é o primeiro passo para a futura implementação de Governança Corporativa, que hoje é quase condição “sine qua non” para obter recursos para crescimento, em condições competitivas, e sobrevivência da empresa.

Destacamos, a seguir, alguns pontos que fazem parte do Código de Ética para Sócios e Parentes:

- Compromisso com a continuidade da empresa;
- Prioridade do interesse da empresa sobre o interesse pessoal;
- Harmonia e união da família;
- Boas relações humanas dentro da família;
- Comprometimento com a excelência;
- Não ingerência na linha hierárquica;
- Identificação e reforço dos valores da família;
- Compromisso com a profissionalização;
- Habilitação no lidar com o comportamento político das pessoas;
- Manutenção de um clima de respeito e orgulho profissional e familiar;
- Exigência da prática da ética com o dinheiro e
- Respeito pelo ser humano e atitude contra preconceitos.

JP- Obviamente, sem o apoio de um consultor externo especializado é muito difícil, ou quase impossível o empresário, algum herdeiro, parente, ou profissional da empresa se superar para implementar efetivamente os itens acima. Qual o perfil ideal do consultor?

Simantob - Em primeiro lugar, competência adquirida mediante vivência corporativa em empresas exemplares. Logo a seguir, habilitação em Governança Corporativa pelo IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativa- bem como, familiaridade com a metodologia recomendada pelo FFI – Family Firm Institute of Boston, que preconiza as seguintes Considerações Éticas para Consultores:

- Integridade, independência, objetividade e competência;
- Confidencialidade com as informações do cliente;
- Nunca tirar vantagem financeira com informações do cliente;
- Chegar a um acordo sobre remuneração, impostos e contribuições, débitos de despesas antes de começar o trabalho;
- Procurar assistência profissional externa em áreas de necessidade do cliente onde o consultor não seja forte (legislação, mercado de capitais, etc.);
-É indesejável receber comissões de apresentação para terceiros. Porém, se as comissões são pagas, é essencial que o cliente saiba;
- Não aceite um cliente que trabalha com outro consultor até que você tenha conversado com o outro consultor e tenha ficado satisfeito com as razões para a transferência;
- Comunique ao cliente os seus interesses especializados;
- Assegure-se de que não haja conflitos de interesse com nenhum membro da família;
- Não tome partido nas disputas políticas de família;
- Mantenha foco sobre a harmonia familiar e sobre o melhor aumento do capital da família;
- Aumente continuamente a sua capacidade profissional;
- Só aceite missões nas quais você tem confiança de que pode se desempenhar no benefício do cliente;
- Crie valor para o cliente em qualidade e eficiência.

JP- A sua próxima palestra sobre este assunto será ministrada na ABIPLAST no dia 30 de agosto próximo (ver no site www.abiplast.org.br , clique em palestras). Esta mesma palestra poderá ser dada para grupos regionais de empresas ou até mesmo, privadamente, para familiares de sócios das empresas?

Simantob – Com todo o prazer, basta me contatarem pelos telefones 11-3997-4346; 3884-6991; 82661817 ou jsimantov@ig.com.br
Série de 9 Entrevistas com José Simantob Netto
"O Redesenho do Setor Transformador de Plásticos e a Governança Corporativa"

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