EXPO SUCATA ANALISA RECICLAGEM DE PET
Variedade de aplicações e benefícios ambientais geram boa aceitação da resina, que tem a sucata mais valorizada dentre os plásticos
O mercado do PET (politereftalato de etileno) reciclado no Brasil tem um enorme potencial. Desde 1997, a taxa de reciclagem do material registra crescimento anual acima de 20%. Apesar disso, em 2004 foram recicladas 167 mil toneladas da resina, número correspondente à metade do total produzido. Uma análise desse mercado será apresentada no dia 31 de agosto durante a primeira EXPO SUCATA, Feira e Congresso Internacional de Negócios da Indústria da Reciclagem, que acontece no Blue Tree Convention Ibirapuera, em São Paulo.
“A resina do PET possui boa aceitação em diversos segmentos. 34% do material reciclado são transformados em fibra de poliéster, utilizada pela indústria têxtil”, comenta Hermes Contesini, coordenador de comunicação da Abipet (Associação Brasileira da Indústria do PET), que fará a palestra sobre o tema durante o congresso. “Há também um aumento do uso do PET reciclado na produção de novos frascos para produtos não-alimentícios”, conta o coordenador. A indústria automobilística também contribui: 60% dos carpetes automotivos utilizam material reciclado. O PET é a sucata plástica mais valorizada e serve ainda para a fabricação de cordas, vassouras, tintas, vernizes, entre outros.
Os benefícios ambientais do PET começam antes mesmo da reciclagem. “Para fabricar uma garrafa PET de um litro, utilizam-se dois litros de água; uma garrafa retornável de um litro gasta seis litros de água”, afirma Contesini. A redução no consumo de energia é outra vantagem: a reciclagem do material consome apenas 3% da energia utilizada para a produção da resina virgem. Segundo ele, o maior problema da reciclagem do PET está na falta de coleta seletiva. “Das 167 mil toneladas recicladas, 70% vêm dos lixões, dificultando o processo. É preciso conscientizar o consumidor da reciclabilidade do material, para que este seja descartado de forma adequada”, explica.
Para Contesini, a realização da EXPO SUCATA – que terá apoio institucional da Abipet – mostra que o Brasil conta com uma indústria recicladora estabelecida, com investimentos sérios. “Vejo o evento com bons olhos. A indústria da reciclagem é muito nova, mas as pessoas envolvidas são experientes e empreendedoras”, avalia. O coordenador acredita que o evento servirá também para unir o setor e mostrar ao público que o sistema é econômico, social e ambientalmente muito atraente.