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O MUNDO NOVO DA INTERNET E OS VELHOS DESAFIOS
SYDNEY A. LATINI
No início dos anos 90, inovações
de fácil utilização, como a criação do World Wide Web (www), transformaram as
misteriosas linguagens informáticas num simples premir do botão de um mouse, tornando a Internet
mais amplamente acessível.
Ao mesmo tempo os computadores tornaram-se muito mais baratos e a rede decolou. Mesmo as pessoas ligadas à
indústria não previam a revolução. Há algum tempo, um executivo da indústria
de computadores afirmou: “não há nenhuma razão para alguém querer um computador em
casa”. Hoje, mais de 50 milhões de famílias nos Estados Unidos e quase 50 milhões na Europa
têm, pelo menos um computador em casa – e muitas possuem dois.
A combinação da informática com as comunicações, no início dos anos 90,
gerou um crescimento súbito e sem precedentes de formas de comunicar. Desde então, enormes ganhos
de produtividade, custos sempre decrescentes e rápido crescimento das redes de comunicações
transformaram os setores da informática e das comunicações. Se a indústria de automóveis
tivesse o mesmo crescimento de produtividade, um carro custaria hoje 3 dólares.
O número de hospedeiros de Internet – computadores com ligação direta – subiu de menos de
100.000 em 1988 para mais de 36 milhões em 1998. Estima-se que em 1998, mais de 143 milhões de pessoas
utilizavam Internet – e prevê-se que esse número aumente para mais de 700 milhões em 2001.
A Internet é o instrumento de comunicação com o crescimento mais rápido em todos os
tempos.
Enquanto o rádio levou 38 anos para ganhar ampla difusão; o computador pessoal, 16 anos; a televisão
13 anos; a Internet (www) precisou de apenas 4 anos.
As suas vantagens de rapidez e custos são claras. Um documento de 40 páginas pode, por exemplo, ser
enviado de Madagascar para a Costa do Marfim, por correio, em 5 dias por 75 dólares; por fax em 30 minutos
por 45 dólares; ou por correio eletrônico, em 2 minutos por menos de 20 cêntimos – e por correio
eletrônico pode chegar a centenas de pessoas sem custos adicionais.
As comunicações em rede ligam tudo a todo lado, criando uma sociedade em rede que obriga a mudanças
complexas e contraditórias. As multinacionais espalham suas atividades pelo mundo afora graças a
comunicações rápidas e baratas, planejamento apoiado por computador e estandardização
de tarefas – no entanto continuam a conseguir coordenar e controlar suas operações em todo mundo
como uma unidade.
Por outro lado, as comunicações em rede têm sido uma enorme força de nivelamento para
as pequenas empresas, permitindo-lhes concorrer – e ter sucesso – em nichos lucrativos do mercado mundial.
O envio à distância, através teleconferência e, cada vez mais, da Internet, pode trazer
conhecimentos vitais a hospitais e escolas carentes de informação em países em desenvolvimento.
O potencial é grande – mas a tecnologia apenas não é solução. É necessária
uma infraestrutura completa de telecomunicações e a tecnologia não pode funcionar onde não
existe pessoal de apoio para tirar o melhor proveito da rede.
O equipamento é uma necessidade mas, para ser parte de uma solução, o envio à distância
requer instituições, qualificações e boa gestão.
A informação é apenas uma de muitas necessidades. O correio eletrônico não substitui
as vacinas e os satélites não podem fornecer água potável. Os projetos de alto perfil
tecnológico correm o risco de ofuscar as prioridades básicas. Um profissional do setor de saúde,
em Katmandu, disse: “As nossas prioridades são a higiene, saneamento, água potável... como
é que o acesso à Internet vai alterar isso?”
Os constrangimentos principais são os recursos inadequados para o conjunto dos sistemas de saúde
e educação.
(Informações e considerações selecionadas do capítulo ‘’ As tecnologias e a
corrida mundial pelo conhecimento”, do “Relatório do Desenvolvimento Humano 1999, publicada pelo PNUD –
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). Rio, 19/6/00
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