JORNAL DE PLÁSTICOS - JUNHO DE 2000

O MUNDO NOVO DA INTERNET E OS VELHOS DESAFIOS

SYDNEY A. LATINI

No início dos anos 90, inovações de fácil utilização, como a criação do World Wide Web (www), transformaram as misteriosas linguagens informáticas num simples premir do botão de um mouse, tornando a Internet mais amplamente acessível.
Ao mesmo tempo os computadores tornaram-se muito mais baratos e a rede decolou. Mesmo as pessoas ligadas à indústria não previam a revolução. Há algum tempo, um executivo da indústria de computadores afirmou: “não há nenhuma razão para alguém querer um computador em casa”. Hoje, mais de 50 milhões de famílias nos Estados Unidos e quase 50 milhões na Europa têm, pelo menos um computador em casa – e muitas possuem dois.
A combinação da informática com as comunicações, no início dos anos 90, gerou um crescimento súbito e sem precedentes de formas de comunicar. Desde então, enormes ganhos de produtividade, custos sempre decrescentes e rápido crescimento das redes de comunicações transformaram os setores da informática e das comunicações. Se a indústria de automóveis tivesse o mesmo crescimento de produtividade, um carro custaria hoje 3 dólares.
O número de hospedeiros de Internet – computadores com ligação direta – subiu de menos de 100.000 em 1988 para mais de 36 milhões em 1998. Estima-se que em 1998, mais de 143 milhões de pessoas utilizavam Internet – e prevê-se que esse número aumente para mais de 700 milhões em 2001. A Internet é o instrumento de comunicação com o crescimento mais rápido em todos os tempos.
Enquanto o rádio levou 38 anos para ganhar ampla difusão; o computador pessoal, 16 anos; a televisão 13 anos; a Internet (www) precisou de apenas 4 anos.
As suas vantagens de rapidez e custos são claras. Um documento de 40 páginas pode, por exemplo, ser enviado de Madagascar para a Costa do Marfim, por correio, em 5 dias por 75 dólares; por fax em 30 minutos por 45 dólares; ou por correio eletrônico, em 2 minutos por menos de 20 cêntimos – e por correio eletrônico pode chegar a centenas de pessoas sem custos adicionais.
As comunicações em rede ligam tudo a todo lado, criando uma sociedade em rede que obriga a mudanças complexas e contraditórias. As multinacionais espalham suas atividades pelo mundo afora graças a comunicações rápidas e baratas, planejamento apoiado por computador e estandardização de tarefas – no entanto continuam a conseguir coordenar e controlar suas operações em todo mundo como uma unidade.
Por outro lado, as comunicações em rede têm sido uma enorme força de nivelamento para as pequenas empresas, permitindo-lhes concorrer – e ter sucesso – em nichos lucrativos do mercado mundial.
O envio à distância, através teleconferência e, cada vez mais, da Internet, pode trazer conhecimentos vitais a hospitais e escolas carentes de informação em países em desenvolvimento. O potencial é grande – mas a tecnologia apenas não é solução. É necessária uma infraestrutura completa de telecomunicações e a tecnologia não pode funcionar onde não existe pessoal de apoio para tirar o melhor proveito da rede.
O equipamento é uma necessidade mas, para ser parte de uma solução, o envio à distância requer instituições, qualificações e boa gestão.
A informação é apenas uma de muitas necessidades. O correio eletrônico não substitui as vacinas e os satélites não podem fornecer água potável. Os projetos de alto perfil tecnológico correm o risco de ofuscar as prioridades básicas. Um profissional do setor de saúde, em Katmandu, disse: “As nossas prioridades são a higiene, saneamento, água potável... como é que o acesso à Internet vai alterar isso?”
Os constrangimentos principais são os recursos inadequados para o conjunto dos sistemas de saúde e educação.

(Informações e considerações selecionadas do capítulo ‘’ As tecnologias e a corrida mundial pelo conhecimento”, do “Relatório do Desenvolvimento Humano 1999, publicada pelo PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). Rio, 19/6/00

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