JORNAL DE PLÁSTICOS - JUNHO DE 2001


MERHEG CACHUM FAZ IMPORTANTE PRONUNCIAMENTO

NA POSSE DA PRESIDÊNCIA DA ABIPLAST/SINDIPLAST


Diante de seleta e numerosa platéia representativa dos petroquímico/plástico nacional, tomou posse, no último dia 04/06, para mais um mandato à frenrte da Abiplast-Associação Brasileira da Indústria do Plástico e do Sindiplast-Sindicato da Indústria do Material Plástico do Estado de São Paulo, o dinâmico empresário Merheg Cachum.
A solenidade teve lugar no auditório do Hotel Renaissance, em São Paulo e foi prestigiada com a presença do Ministro do Desenvolvimento Indústria e Comércio, Alcides Tápias.
Devido ao delicado momento por que passa nossa economia, inclusive pela crise de energia, estamos reproduzindo, na íntegra, o discurso do Pres. Cachum que serve como um importantante balizamento para aquelese compõe o setor petroquímico/plástico brasileiro:

“Ilmo. Sr. Ministro, Alcides Tápias, senadores, deputados e demais autoridades presentes
-Distintos associados,
-Prezados colegas de diretoria da Abiplast/Sindiplast,
-Caros jornalistas,
-Senhoras e Senhores

Com grande alegria, recebemos hoje aqui o ministro Alcides Tápias que, uma vez mais, nos prestigia com sua presença.
De maneira concreta e persistente, ele tem manifestado sua firme disposição de apoiar o setor produtivo nacional, procurando remover os obstáculos que ameaçam o desenvolvimento industrial e comercial do País, ciente de que esse é o melhor caminho para a promoção do bem estar social, do fortalecimento da ação e de sua representatividade no cenário mundial.
Mais do que nunca, o Brasil precisa de lideranças comprometidas com esses grandes objetivos e desafios. Mais do que nunca precisamos de lideranças com esse descortino, capazes de visualizar o futuro na realidade presente, a partir de uma reflexão objetiva do passado.
A economia brasileira em geral e seus principais setores, entre eles a Indústria Transformadora do Plástico, fechou o ano 2000 e iniciou 2001 num clima favorável, confiante no processo de estabilização, de retomada do crescimento e do desenvolvimento social.
Embora afetado por fatores externos, em especial pela crise Argentina e por alguns indicadores da economia americana, o otimismo se manteve durante todo o primeiro trimestre.
Em abril esse cenário infelizmente mudou. Além da crise política, fomos atingidos por uma ducha de água fria, ironicamente atribuída à falta de chuvas e, lamentavelmente, à falta de investimentos no setor hidrelétrico nos últimos 20 anos.
Se houver racionamento de energia, a indústria do plástico será duramente atingida e os resultados positivos que começavam a surgir serão comprometidos.
Apoiado pelo ministro Tápias e por sua equipe, estamos implantando o Fórum da Competitividade da Indústria de Transformação do Plástico - iniciativa conjunta de Governo, empresas e trabalhadores - que vem aprofundando o relacionamento entre os elos da cadeia plástica, possibilitando um conhecimento mais abrangente dos problemas de cada um e facilitando a busca de soluções conjuntas que atendam melhor aos interesses gerais do País.
Também estamos totalmente envolvidos no esforço exportador do País. Os transformadores de plásticos vêm obtendo resultados expressivos a partir da constituição do Fórum.
Como conseqüência desse esforço conjunto, surgiram novos instrumentos e estratégias que contribuem para tornar o produto plástico mais competitivo no mercado internacional e mais compatível com as necessidades do mercado nacional.
Deve-se salientar ainda a abertura para uma participação mais ativa da cadeia plástica nas recentes negociações preparatórias da ALCA, realizadas em Buenos Aires.
Essa abertura ao diálogo permitiu que, diariamente durante todo o decorrer das reuniões preparatórias lideranças empresariais e representantes do governo se reunissem na sede da embaixada brasileira, na capital argentina para definir a cada passo a linha que seria adotada nos passos seguintes da negociação.
Graças a esse diálogo, o Brasil apresentou em todo o processo de negociação uma posição coesa, defendendo de maneira eficiente os interesses maiores da Nação. É fundamental que esse clima de diálogo seja mantido porque as negociações não terminaram em Buenos Aires.
A ALCA só nos convém se atender aos interesses nacionais, como disse recentemente com muita propriedade o presidente Fernando Henrique Cardoso. Ou, como tem afirmado freqüentemente o embaixador Celso Lafer, a ALCA não é um destino para o Brasil: é uma opção.
Como presidente da Aliplast - Associação Latino americana da Indústria do Plástico, tenho procurado identificar os interesses comuns num trabalho contínuo com as demais associações que reúnem os transformadores dos países do Mercosul, com visitas realizadas a quatro países e outras já programadas. Queremos unir forças para defender melhor os interesses regionais no cenário mundial.
No plano interno, podemos mencionar a constituição, em março deste ano, da Estratégia Competitiva da Indústria do Plástico - ECIP, agência promotora do desenvolvimento do setor, inclusive como agente financeiro repassador de recursos do BNDES.
Esse modelo, criado pioneiramente pelo nosso setor, tem merecido a aprovação geral e deverá ser também utilizado em outros setores produtivos, com o incentivo e interesse do ministro Tápias e de seus assessores.
Contudo, sem embargo de ainda estar controlada, a inflação é uma ameaça pois temos agora, de maneira que nos assusta, outro monstro: a crise energética.
Na verdade, esse monstro não surgiu do nada e nem repentinamente. Poderia ter sido abortado há duas décadas se os investimentos necessários na geração de energia e na diversificação de fontes energéticas tivessem sido devidamente providenciados.
Lamentavelmente, quando no passado se falou em diversificação de fontes energéticas e se chegou a analisar a construção de 49 termelétricas, a Petrobrás, deitada eternamente no berço esplêndido do monopólio avisou que os preços dos derivados para mover essas novas fontes seriam os da cotação do dia e fixados em dólar.
Com isso, a Petrobrás, hoje uma das empresas mais ricas do mundo, embora situada num país ainda em desenvolvimento, afugentou os possíveis investidores.
É fácil para uma estatal ditar preços estabelecidos por fórmulas mágicas quando se apóia e se exercita num monopólio de fato, seja para o gás, seja para a nafta, seja para os outros produtos derivados do petróleo. Essa insensibilidade histórica tem sido um inibidor do crescimento de toda a indústria brasileira, já que energia é um insumo básico para ela.
Assim, o grande desafio para a nossa indústria tem sido atuar com margens de lucro cada vez menores, em segmentos como o nosso, com mais de seis mil concorrentes dispostos a qualquer sacrifício para sobreviver.
Nossa esperança é que a atual diretoria da Petrobrás saiba compreender melhor a situação que todos os segmentos da sociedade enfrentam, convivendo agora com o desafio de reduzir o consumo de energia hidrelétrica.
Mas ainda somos otimistas. Vamos nos inspirar no significado do ideograma chinês que identifica a crise como sendo composta de um problema e de uma oportunidade. Precisamos ter a coragem de enfrentar a crise, assumindo o problema e procurando nele oportunidades para superá-lo.
Ao contemplar o caminho percorrido nos últimos anos e as dificuldades que nos ameaçam devemos reunir confiança e renovar a esperança de que, com determinação, transformaremos crises em oportunidades.
A Indústria Nacional do Plástico demonstrou claramente que tem capacidade para enfrentar a concorrência internacional, aqui e lá fora, desde que possa trabalhar em condições compatíveis com as de seus concorrentes em termos de financiamentos, facilidade de acesso a novas tecnologias e realidade tributária.
Assegurar essas condições é, fundamentalmente, responsabilidade do governo a partir do diálogo franco e objetivo com as lideranças empresariais e com a comunidade. A nós empresários compete buscar insistentemente novos patamares de competência e oportunidades de negócios.

Senhor Ministro, Na oportunidade desta feliz união desejamos mencionar alguns aspectos muito significativos de seu trabalho ministerial: em primeiro lugar a condução e finalização do REFIS, o refinanciamento das dívidas fiscais com o Governo Federal, iniciativa de enorme importância para todo o País; segundo lugar, a ampliação e valorização do papel da CAMEX – Câmara do Comércio Exterior – e a redefinição do conceito de que o imposto de importação não pode ser um instrumento de política fiscal, mas sim um instrumento de política industrial com vistas a incentivar o desenvolvimento do País; e ainda, a nova compreensão do papel do governo na concepção de uma verdadeira política industrial.
Acreditamos na força do diálogo. Acreditamos na determinação do povo brasileiro. Acreditamos na criatividade de nossas empresas. E acreditamos na capacidade do governo de entender os anseios da Nação.
Acreditamos que esses anseios gerais terão como repostas medidas concretas.
A Indústria de Transformação do Plástico está ciente de sua responsabilidade e preparada para enfrentar esses desafios. A convocação que nos foi feita, no Fórum da Competitividade foi aceita e já começamos a operacionalizar as ações necessárias para isso. Tenho certeza de que, antes de terminar meu novo mandato à frente da ABIPLAST e do SINDIPLAST, teremos viabilizado as condições necessárias para atingirmos as metas definidas pelo Fórum.
Para tanto, contamos com o apoio dos nossos companheiros que, ao nos outorgar um novo mandato, renovaram a confiança e o apoio que nos têm honrado desde nosso primeiro mandato. Agradecer a eles e aos nossos funcionários será muito pouco; é necessário que se deixe consignado que tudo o que fizemos deve ser partilhado e dividido com todos eles.
Da mesma forma, preciso deixar consignado o meu reconhecimento e a minha gratidão, à minha esposa, às minhas filhas e ao meu filho, que me têm dado todo o apoio, principalmente, por que me substituíram nos afazeres do dia a dia de minha empresa, o que permite a minha dedicação, em tempo integral, à ABIPLAST e ao SINDIPLAST.
Meus senhores! Aprendi com meu pai que as virtudes de um homem eleito pela vontade e confiança de seus pares para uma posição de liderança, são: lealdade, dignidade e honestidade.
Tem sido assim até agora e assim será no nosso mandato que se inicia hoje.

MUITO OBRIGADO!”

Clique
aqui para conhecer a composição das diretorias da Abiplast e do Sindiplast empossadas em 04/06.

Bons paceiros não deixam seus negócios apagar.

Ruttino. Sempre bons negócios em resinas termoplásticas.

Ruttino
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