JORNAL DE PLÁSTICOS - JUNHO DE 2001

O Planeta “Água”


Sydney A. Latini


O racionamento de energia elétrica, que estamos enfrentando no Brasil, colocou em evidência o problema do abastecimento de água, principal fonte de geração da energia elétrica que consumimos.
A água já foi considerada um recurso infinito da humanidade. Há quem diga que nosso planeta não deveria se chamar “Terra” e sim “Água”, pois ¾ de sua superfície são cobertos por água. Hoje sabe-se que é finita, embora ainda relativamente abundante. Temos, segundo estimativas, 4,4 bilhões de quilômetros cúbicos (um quilômetro cúbico equivalente a 1 bilhão de litros) de água no planeta. No entanto, 97% são salgadas e estão no mar ; 2% constituem geleiras, como as calotas polares, e “icebergs”. Com tanto líquido, o homem tem disponível para seu consumo apenas 1% de água potável.
Assim como na natureza, nosso corpo também se constitui em grande parte de água: quase 60% do peso de um homem são formados por ela.
Ter direito a apenas 1% de todo o líquido que banha o planeta pode parecer pouco. A não ser nos desertos, porém, a falta de água nunca foi preocupação para a humanidade, que sempre teve ao seu alcance os milhões de litros jorrados pelas nascentes e outras fontes de água doce.
A partir do final do século XIX, com o advento da água encanada, tudo se tornou mais fácil ainda: agora é só abrir a torneira para ver surgir dentro da casa o líquido cristalino.
Hoje, no entanto, a nova mania é economizar água para que ela não venha a faltar no futuro. Já usamos água das gerações futuras. Em 2050, com 50% mais pessoas a alimentar que em 1995 o volume de água necessária para a agricultura poderá aumentar de 50% a 100%. O aumento estimado da demanda de água entre 1900 a 1995 foi de 7%; mais do que o dobro do crescimento populacional. O aumento nos anos 80 do volume de água potável extraído de fontes de superfície nos 29 países mais industrializados (OCDE), foi de 10%, num total de 900 quilômetros cúbicos/ano.
Da demanda mundial estimada de 4,00 km3 por ano, 70% destinam-se à agricultura (sobretudo à irrigação); 20% à indústria e 10 % ao abastecimento das cidades.
Daí a necessidade de aumentar a produtividade da água. A melhor maneira de aumentar a produtividade é avançar na eficiência de sua utilização e isto significa instalar chuveiros mais eficientes, ou válvulas de descargas que funcionem melhor, ou ainda as empresas adotarem processos industriais mais eficazes.
Na metade do século 20, começamos a pensar em produtividade da terra, demo-nos conta de que não havia muita terra nova para explorar, de modo que o futuro crescimento da produção de alimentos dependia do aumento de produtividade. Concebemos toda uma série de políticas econômicas e estratégias de pesquisa para aumentar a produtividade da terra, e desde então quase triplicamos a produtividade das colheitas em todo o mundo. Temos de fazer o mesmo com a água, criando novas tecnologias e políticas econômicas. Mas ainda não pensamos muito no assunto – até a expressão “produtividade da água” é nova, soa estranha.


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