JUNHO DE 2002


EDUCAÇÃO AMBIENTAL:
SOLUÇÃO PARA OS PROBLEMAS DO MEIO AMBIENTE?

Mauro Guimarães*

Nas últimas décadas muitos foram os acidentes ambientais no Brasil e no mundo. A gravidade destes acidentes e o efeito para a redução da qualidade de vida dos ambientes atingidos, aumentam a medida que os ecossistemas encontram-se cada vez mais deteriorados, tanto ao nível local como global. A capacidade de recuperação do meio ambiente não é ilimitada.

Já não é mais coisa de “ecologista romântico” ou “ecochato” , reconhecer que a vida corre sérios riscos de se manter em vários pontos do mundo, ou até mesmo em toda a Terra. Já existem correntes no meio científico que trabalham com a hipótese da inviabilidade da vida no nosso planeta, caso permaneçam inalteradas as atuais relações entre a sociedade humana e a natureza.

Graves acidentes se repetem e são fartamente divulgados, muitas vezes com a finalidade de “sensibilizar” a opinião pública sobre a gravidade da questão ambiental em nossa sociedade.

Um número crescente de pessoas em todo o mundo, no Brasil mais de 80% da população, habitam áreas urbanas em acelerado ritmo de crescimento. Essa população vivencia problemas ambientais cada vez mais próximos, tais como: lixo, falta de saneamento, poluição atmosférica, sonora e das águas. Já se vislumbra como um dos grandes problemas da humanidade a escassez de água potável, como se diz por aí, a fonte da vida. Os problemas ambientais já fazem parte do cotidiano de nossas vidas. Desta forma, não há quem não “fale” da importância da preservação da natureza. Esse reconhecimento é nos dias atuais um grande consenso na humanidade. Certamente, se for feita hoje uma pesquisa de opinião pública pelo Brasil afora, perguntando simplesmente, sim ou não, se é importante a preservação da natureza, o resultado a favor do sim estará próximo dos 100 %. No entanto, a nossa sociedade continua em um processo crescente e acelerado de destruição do meio ambiente.

Desta forma, fica claro que Educação Ambiental não é apenas informar e alertar a cada um de nós sobre os perigos da degradação ambiental e/ou da necessidade de se preservar o meio ambiente. A Educação Ambiental deve estar voltada para inserir na dinâmica da sociedade, a priorização de se buscar uma relação equilibrada entre sociedade e natureza. Atuar sobre essa dinâmica é, além de sensibilizar, mobilizar os diferentes atores e segmentos da sociedade para a construção da sustentabilidade ambiental.

A Gestão Ambiental objetiva articular os diferentes segmentos sociais em busca de ações negociadas que se proponham superar os problemas ambientais. Para que um processo de gestão ambiental tenha eficácia, é fundamental participação de todos os segmentos da sociedade; se não, não se compreenderá a complexidade da realidade a ser gerida e seus conflitos sociais causadores de problemas ambientais.

Esse é um importante papel da Educação Ambiental, mobilizar e instrumentalizar os atores sociais, em seus diferentes segmentos de atuação, na ampliação do espaço da participação e da democratização, em um exercício de cidadania para a construção de uma sociedade ambientalmente sustentável.

Com esse cenário, chega em bom momento o Curso sobre Educação Ambiental para Gestores promovido pelo Núcleo Interdisciplinar de Estudos Ambientais e Desenvolvimento (NIEAD) do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN) da UFRJ, que terá como objetivos: Possibilitar aos participantes do curso a compreensão das relações existentes entre Educação, Sociedade e Natureza; Propiciar a compreensão do processo educacional na gestão ambiental, focando as especificidades e a interface do setor público, privado e terceiro setor da sociedade; Analisar as oportunidades e os limites da Educação Ambiental praticados na empresa, comunidade e escola, as interações destas diferentes realidades, na perspectiva da Gestão Ambiental; Potencializar, pela análise e compreensão, o papel do gestor ambiental em sua ação de intervir nas diferentes realidades sócio-ambientais, através da Educação Ambiental.

Informações adicionais pelos telefones (21) 2270 8547 e 2598-9495 ou
www.ufrj.br/meioambiente

* O autor é Geógrafo; Especialista em Ciências Ambientais, UFRJ/1991; Mestre em Educação,UFF/1996; Dotorando em Ciências Sociais, CPDA/UFRRJ

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