JUNHO DE 2003

O mundo novo da "internet" e os velhos desafios

Sydney A. Latini*

No início dos anos 90, inovações de fácil utilização, como a criação do World Wide Web (www), transformaram as misteriosas linguagens informáticas num simples premir do botão de um “mouse”, tornando a “internet” mais amplamente acessível.

Ao mesmo tempo, os computadores tornaram-se muito mais baratos e a rede decolou. Mesmo as pessoas ligadas à indústria não previam a revolução. Em 1997, um executivo da indústria de computadores afirmou: “não há nenhuma razão para alguém querer um computador em casa”. Hoje, milhões de famílias nos Estados Unidos e quase 50 milhões na Europa têm, pelo menos um computador em casa – e muitas possuem dois.

A combinação da informática com as comunicações, no início dos anos 90, gerou um crescimento súbito e sem precedentes de formas de comunicar. Desde então, enormes ganhos de produtividade, custos sempre decrescentes e rápido crescimento das redes de comunicações transformaram os setores da informática e das comunicações. Se a indústria tivesse o mesmo crescimento de produtividade, um carro custaria hoje 3 dólares.

O número de hospedeiros de “internet” – computadores com ligação direta – subiu de 36 milhões em 1998 para quase 1 bilhão em 2003. A “internet” é o instrumento de comunicação com crescimento mais rápido em todos os tempos.

Enquanto o rádio levou 38 anos para ampla difusão; o computador pessoal, 16 anos; a televisão 13 anos; a “internet (www)” precisou de apenas 4 anos.

As suas vantagens de rapidez e custos são claras. Um documento de 40 páginas pode, por exemplo, ser enviado de Madagascar para a Costa do Marfim, por correio,  em 5 dias por 75 dólares; por fax em 30 minutos por 45 dólares; ou por correio eletrônico, em 2 minutos por menos de 20 cêntimos – e por correio eletrônico pode chegar a centenas de pessoas sem custos adicionais.

As comunicações em rede ligam tudo a todo lado, criando uma sociedade em rede que obriga a mudanças complexas e contraditórias. As multinacionais espalham suas atividades pelo mundo afora graças a comunicações rápidas e baratas, planejamento apoiado por computador e estandardização de tarefas – no entanto continuam a consegui coordenar suas operações em todo mundo como uma unidade.

Por outro lado, as comunicações em rede têm uma enorme força de nivelamento para as pequenas empresas, permitindo-lhes concorrer – e ter sucesso – em nichos lucrativos do mercado mundial.

O envio à distância, através de teleconferência e, cada vez mais, da “internet”, pode trazer conhecimentos vitais a hospitais e escolas carentes de informação em países em desenvolvimento. O potencial é grande – mas a tecnologia apenas não é solução. É necessária uma estrutura completa de telecomunicações e a tecnologia não pode funcionar onde não existe pessoal de apoio para o melhor proveito da rede.

O equipamento é uma necessidade mas, para ser parte de uma solução, o envio à distância requer instituições, qualificações e boa gestão.

A informação é apenas uma de muitas necessidades. O correio eletrônico não substituiu as vacinas e os satélites não podem fornecer água potável. Os projetos de alto perfil tecnológico correm o risco de ofuscar as prioridades básicas. Um profissional do setor de saúde, em Katmandu, disse: “As nossa prioridades são a higiesne, saneamento, água potável... como é que o acesso à “internet” vai alterar isso?

Os constrangimentos principais são os recursos inadequados para o conjunto dos sistemas de saúde e educação.

*Economista, foi Secretário Executivo do GEIA-Grupo Executivo da Indústria Automobilística durante o Governo JK.


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