JORNAL DE PLÁSTICOS - MAIO DE 2001

EDITORIAL

RINOCERONTE OU NÃO RINOCERONTE?
EIS A QUESTÃO...


SEMPRE gostei de teatro.

TALVEZ POR ISSO, ignorando as duas línguas da moda - o economês e o administrês - tento compreender o inusitado da atual situação por que passa o nosso tão amado país, recorrendo aos valiosos ensinamentos que nos legaram dois dos mais consagrados autores teatrais de todos os tempos: Ionesco e Shakespeare.

DE FATO, como explicar o intrincado paradoxo observado nas declarações do governo no que tange à decantada “crise de energia” recém (sic) - descoberta?

TOMANDO-SE POR BASE a retórica governamental, podemos discernir dois elementos recorrentes em seu discurso: por um lado, numa versão atualizada e revista do “mito das calmarias”, aponta-se a estiagem como responsável pelo caos em que nos encontramos (ou nos perdemos...) em termos de produção de energia no país; por outro, apela-se para o desconhecimento da “verdade” para justificar-se a inoperância - para não dizer omissão - principalmente no que se refere a medidas preventivas, tais como desenvolvimento paralelo de outras fontes produtoras de energia, uma vez que o nosso país é abençoado, não só no que concerne à hidrografia, mas também à considerável riqueza eólica e solar.

RECONHECENDO, entrementes, uma vez mais, minha ignorância em relação à administração nacional, quer-me parecer que nenhum dos dois elementos supra - citados pode servir de argumento para explicar o atual problema , pois não é concebível que um país - principalmente, um país com as dimensões do nosso - esteja apoiado unicamente nas conjunções climáticas e atmosféricas - ou na benevolência de São Pedro, por mais crente que seja a sua população. Além disso, e já que nos referimos à s “calmarias”, como diria meu pai com seu indefectível sotaque lusitano, “quem não tem competência não se estabelece”... Isto é, aqueles que se encontram à frente de um governo não podem aludir ignorância de fatos, sobretudo em se tratando de questão que, mais do que bem-estar, diz respeito à segurança e ao próprio funcionamento do país!

NO ENTANTO, para surpresa de todos, a julgar pelas declarações feitas a esse propósito, no desespero de impedir o golpe de misericórdia - no caso, os “apagões” - em vez dos governantes dirigirem ao povo, junto, naturalmente, a um esperado e imprescindível mea culpa, duas súplicas: a do perdão pelos atos (ou pela falta de...) cometidos e a da compreensão no sentido dos novos sacrifícios do povo necessários ao restabelecimento das condições básicas de vida dentro do país, o que se verifica é a arrogância e a intransigência administrativas a “exigir” da população, não só uma considerável diminuição no emprego de energia elétrica, mas a aceitação de uma “sobretaxa” - cognome de multa - para os incautos que ultrapassarem o arbitrário número de quilowatts estipulado para consumo. Mas não é tudo: somos formalmente ameaçados com outras igualmente arbitrárias multas (essas, sem apelido...) e até mesmo “cortes fulminantes” de fornecimento de energia em casos de “reincidência de erro”!

SOB O IMPACTO da notícia, previ a revolta da população reivindicando, nas ruas, seus direitos, apoiada pela imprensa e órgãos de proteção ao cidadão e ao consumidor... Com grande espanto, no entanto, para onde quer que volte meus olhos e ouvidos, só encontro o aval pacífico de um povo pronto a seguir os novos ditames governamentais - estejam esses pautados ou não nos princípios dos Direitos Humanos, do cidadão, ou, em última instância, nos do consumidor...

DIANTE DE TAL PARADOXO que beira o disparate, releio uma das peças-chaves de Ionesco, Rinocerontes, e me pergunto se o grande mestre do Teatro do Absurdo não teria antevisto justamente essa cena do Brasil (ex-em-vias-de-desenvolvimento) de hoje, ao escrever um texto em que todas as pessoas de um país, por ordens superiores, estão se tornando ... rinocerontes!

PRESTES A ME TORNAR um rinoceronte, por minha vez, desalentada em meio aos cálculos que doravante terei que fazer antes de me decidir entre o banho quente ou a lavagem de roupa na máquina, contemplo o apêndice duro e recurvo que guarnece a fronte de certos animais e que tenho entre as mãos e, tomando de empréstimo a Shakespeare a fala de seu legendário Hamlet, repito a angustiante pergunta: Rinoceronte ou não rinoceronte? Eis a questão...

Stela Maria Chagas de Moraes

Tecnologia de ponta vai bem com qualquer cor.

A Cromex Brancolor é a maior fabricante de concentrados de cor e aditivos para plásticos do país. É também a mais inovadora.
Investindo em constantes pesquisas, oferece soluções sempre atuais e cada vez mais eficientes aos seus clientes. Assim, dentro de cada masterbatch fabricado pela Cromex Brancolor existe uma quantidade imensa de tecnologia e conhecimento. E quem lucra com isso é a sua empresa.

Masterbatch - Brancos, pretos, coloridos e coloridos especiais
Microcolor (Microesfera) - para aplicação em resinas de PVC e PET
Dispermix (Masterbatch líquido) - para aplicação em resinas termoplásticas
Aditivos - antibloqueio, antiestático, antioxidante, deslizante, protetor UV, auxiliar de fluxo e outros
Stretch - para filmes de paletização

cromex bahia

cromex brancolor

Av. Professor Celestino Bourroul, 273
Cep 02710-110 - São Paulo - SP - Brasil
Tel: (11) 3856-1000 - Fax: (11) 3966-0036

www.cromexbrancolor.com.br

master@cromexbrancolor.com.br

www.jorplast.com.br | Abertura | Índice da Edição do Mês | Próxima Matéria | Correio