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O “GIGANTE” DOS LAMINADOS VINÍLICOS DO BRASIL
- “KIFAER!” (Como vai?) - assim, dirigindo-se aos lojistas, adentrava pelas bem estruturadas lojas de atacado e
revenda da rua 25 de Março, em São Paulo, o grandalhão vendedor de laminados plásticos
de PVC, cumprimentando a todos, porteiros, balconistas e proprietários da dinâmica e atuante “capital”
das vendas de tecidos e armarinhos de nosso País.
- “COMO VAI, MIGUÉ?”, respondiam os armênios, árabes, sírios, libaneses e outros filhos
adotivos do Brasil, que compunham o enorme aglomerado de lojistas da famosa rua da capital paulista, centro convergente
de compradores de todas as partes do país - mas, também, do exterior - notadamente, do interior de
São Paulo; sobretudo os “mascates”, que buscavam também os mais variados atacadistas localizados
nas ruas adjacentes à exuberante 25 de Março.
ALI, o grande Miguel Ignácio Pereira concentrava sua atividade de vendedor, em constante peregrinação,
chovesse ou fizesse sol. E tal era sua atuação, que não havia naquela região, bem como
na dos “capoteiros”, quem não conhecesse o arguto vendedor dos laminados plásticos de PVC da Vulcan.
CONHECI o Monta - apelido carinhoso dos tempos em que também se destacava nos meios esportivos, particularmente,
no basquete do Sírio - pelos idos de 1952/1953, atrás de um balcão, em um sobrado da rua Jorge
Azem, quando dirigia a Lídice - empresa manufatureira de artigos plásticos (“soldados”) e que ali
estava sediada. Era eu, à época, correspondente de uma revista do Rio para a qual viera buscar propaganda.
Dada a sinceridade com que pleiteei a publicidade, Miguel me propôs: “Quando você deixar essa revista,
venha trabalhar comigo.” Foi o que aconteceu dois anos depois e poucos puderam testemunhar minha trajetória
de trabalho e vida como o senhor Miguel Ignácio Pereira.
NESSE ÍNTERIM, no entanto, juntamente com o admirável José Maria, seu irmão, acolheu-me
naquele mesmo endereço, como a um velho amigo, para que pudesse estabelecer em São Paulo um ponto
de referência para quem desejasse contatar a citada revista.
ACOMPANHEI, por meu lado, sua longa jornada a serviço do PVC e filmes.
NÃO FOI FÁCIL o caminho, senhores que vivem a atual era de glórias da petroquímica
e do plástico do Brasil. Não foi simples introduzir o odor dos laminados vinílicos em meio
ao aroma exalado pelas lojas de revenda de tecidos, sabonetes e couro. Vender plástico, insistimos, foi
tarefa das mais arrojadas. Colocar, nas lojas, estantes com rolos de plásticos foi a comprovação
da inequívoca tenacidade e força de Miguel que soube, como poucos, não apenas convencer mas,
principalmente, vencer um comportamento arraigado de costumes tradicionais. De fato, havia uma aversão ao
“toque” frio e impermeável das “bugigangas plásticas” e os conservadores abusavam do direito de defender
o tecido e o couro. Esses, entretanto, viriam finalmente a ceder uma fatia do mercado aos plásticos em que
Miguel tanto acreditava e por que lutava.
CONSEGUIR que os lojistas abrissem um espaço à entrada de suas casas comercias para instalar uma
estante com rolos de plásticos foi uma verdadeira “África” - e essa foi mais uma das artimanhas do
ardiloso vendedor que, além de exibir seus produtos para o público em trânsito pelas calçadas,
podia, de dentro de seu carro, “checar” os estoques das prateleiras expostas e promover suas vendas, imediatamente,
até através do telefone.
QUANTAS VEZES vimos o Miguel sobraçando rolos de plásticos para atender aos clientes, estabelecendo
trocas constantes entre os que dispunham e os que precisavam da mercadoria. Dessa árdua luta, todos os fabricantes
de plásticos tiravam vantagens, e a concorrência o que fazia era tentar acompanhar as pegadas do Miguel.
VIERAM DEPOIS as toalhas, uma das paixões do Monta. Foi ele, inegavelmente, quem introduziu esse artigo
em São Paulo, posteriormente disseminado por todo o país. Seus mostruários eram grossos e,
até nisso, Miguel era privilegiado; com sua avantajada mão segurava e transportava mais do que qualquer
um o que desejava vender - sua obsessão depois do basquete.
ASSIM PASSAVAM-SE os dias que, para Miguel, encerravam-se lá pelas 8, 9 horas da noite, quando ia jantar
com um cliente, um vendedor, ou representante do interior, à época em que era Gerente da Vulcan em
São Paulo.
HÁ MUITO o que falar sobre o Miguel da firma PVC, na York e outras empresas até tornar-se o mestre
dos plásticos laminados.
UMA COISA não podemos deixar de comentar: Miguel tinha de memória o estoque mínimo de cada
artigo de cliente. Sabia quanto havia sido vendido e, quando o pedido não era feito, tomava a iniciativa
de fazê-lo, provocando “cada bode” - mas sempre superado com sua “lábia”, pela venda da mercadoria.
SEU CARRO, muitas vezes novo, era mais um utilitário do que um carro de passeio. Sobre todos os bancos,
encontravam-se rolos de plásticos e caixas de toalhas, sem contar o porta-malas onde também havia
brindes que tinha, por hábito, distribuir aos clientes, principalmente às secretárias, pois,
queria agradá-las para ter melhor acesso aos “chefes”.
ENTUSIASTA DOS PLÁSTICOS, não perdia a oportunidade de promover seus produtos e, graças a
seu empenho, a Vulcan compareceu à 1a Feira de Plásticos que São Paulo realizou no Ibirapuera.
Mantinha estreito contato com os jornalistas, homens de rádio e, posteriormente, televisão, os quais
presenteava com plásticos, buscando o máximo de divulgação.
PARTICIPOU da luta de fabricação de tubos plásticos, chegando também a se tornar fabricante
dos sapatos Melodia, acompanhando a moda.
NÃO PAROU por aí sua fixação nos laminados; trabalhou como vendedor de extrusoras,
vindo posteriormente a se tornar fabricante de uma das mais famosas máquinas de impressão de plásticos
da América Latina - Thunder Comat.
REVENDO essas anotações, concluí que tudo o que foi dito desse grande personagem é
apenas um capítulo da história de Miguel Ignácio Pereira e, conseqüentemente, da Indústria
Plástica do Brasil, pois, trata-se não do empresário que viveu dos resultados positivos da
petroquímica, dos plásticos e suas máquinas, mas, sim daquele que levantou, ergueu o mercado
de plásticos no Brasil.
A HORA é, pois, de enaltecer-se a memorável e importante figura que serviu ao colosso petroquímico/plástico
de nosso País, o internacional e vitorioso empresário, o querido amigo, MIGUEL IGNÁCIO PEREIRA.
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Miguel, em sua longa trajetória nos plásticos,
teve, também, participação destacada como dirigente de entidades empresariais sendo, inclusive,
um dos fundadores da ABFLEXO-Associação Brasileira de Flexografia.
Na foto de junho/1989, tirada por ocasião da posse da diretoria do então DNMAIP-Departamento Nacional
de Máquinas para Indústria do Plástico, vêem-se, da esquerda para direita, os senhores:
José Daniel Ebel, Paolo de Fillippis, Luiz Carlos Delben Leite, Aldo Ciola (Presidente), Márcio A.
T. Ribaldo e Miguel Ignácio Pereira.
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