MAIO DE 2002


PESQUISA DA PLASTVIDA MOSTRA QUE
ESTADO DO RIO RECICLA 12,3% DO PLÁSTICO PÓS-CONSUMO

Das 220 mil toneladas anuais de plástico pós-consumo geradas no Estado do Rio de Janeiro, 12,3% são recicladas. O percentual equivale aos 12% registrados na Grande São Paulo, está acima dos 9,4% da Bahia e abaixo dos 19,2% do Rio Grande do Sul. A região do Grande Rio de Janeiro, que representa quase a totalidade do setor naquele Estado, conta com 54 empresas recicladoras de plástico. Juntas, elas têm capacidade para reciclar 42,6 mil toneladas de plástico pós-consumo, faturam cerca de R$ 40 milhões por ano e empregam 900 trabalhadores.

Estas são algumas das conclusões de pesquisa feita para a Plastivida (Comissão Executiva do Programa Plastivida) da Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química), pela Maxiquim Assessoria de Mercado. O estudo apresenta uma radiografia da indústria de reciclagem do Grande Rio de Janeiro, com a descrição dos processos produtivos, preços de compra e venda praticados, fluxo da comercialização, nível de capacitação e obstáculos à atividade.

O retrato da coleta seletiva e reciclagem na Grande Rio de Janeiro está no site
www.plastivida.org.br. As principais conclusões da pesquisa, além das mencionadas acima, são as seguintes:

Apesar do alto volume de plástico no lixo domiciliar gerado na capital do Rio de Janeiro, não existe um programa formal de coleta seletiva implementado;

· Foram detectadas na pesquisa 54 empresas recicladoras de plástico ativas. O alto índice de empresas que negaram informações se deve à informalidade do setor;
· A capacidade total de reciclagem é de 42,6 mil t/ano, sendo que o plástico mais utilizado na região é o PET, com uma capacidade de 18,9 mil t/ano. Este volume, no entanto, é na maior parte apenas beneficiado, gerando o flake;
· A maior parte da matéria-prima utilizada pela indústria de reciclagem é comprada suja (87%), dificultando o processamento e aumentando o índice de rejeito;
· A maioria das empresas (69%) utiliza somente o resíduo industrial na reciclagem, devido à dificuldade na obtenção de resíduo pós-consumo e à sua baixa qualidade;
· A indústria de reciclagem do Grande Rio de Janeiro atua basicamente em mercados cujos produtos são commodities, de baixo valor agregado, como filmes para embalagens, sacos de lixo, e produtos para construção civil;
· Do volume de plástico consumido no Grande Rio de Janeiro, estimado em 455 mil t/ano, a capacidade de reciclagem representou 9% em 2000;
· O índice de rejeito da indústria de reciclagem é alto, em média 16,5%, devido basicamente à baixa qualidade do material processado;
· Entre os principais obstáculos para o desenvolvimento da indústria de reciclagem, foram citados pelos próprios recicladores a legislação (altas tributações), mercado pouco atrativo e a falta de coleta seletiva.

Segundo o coordenador da Plastivida, Luiz Briones, “o que ocorre no Estado do Rio de Janeiro, onde 12,3% do plástico pós-consumo são reciclados, reforça a necessidade de implementação de uma política nacional de resíduos sólidos, que tenha por base a coleta seletiva feita pelos municípios, acompanhada de um esforço da sociedade em favor da educação ambiental”.

Briones destaca ser “essencial que as prefeituras liderem a expansão da coleta e a implementação de coleta seletiva. Além de aumentar a reciclagem, isto possibilitará renda para os municípios e geração de emprego para a comunidade.”

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