Maio de 2004

Mecânica 2004 termina com resultados
positivos e confirma otimismo do setor

O evento comemorou 45 anos com um volume de negócios que corresponde,
em média, a três meses de produção do setor de máquinas e equipamentos.

        A 25ª Feira Internacional da Mecânica, realizada de 18 a 22 de maio, em São Paulo, transfor-mou o Pavilhão de Exposições do Anhembi num espaço de fomento de novos negócios. O evento, promovido pela Alcantara Machado Feiras de Negócios, reuniu 1845 exposito-res, dos quais 902 estrangeiros, de 33 diferentes países. Os Estados Unidos, a Alemanha e a Itália lideram a lista dos que apostaram no potencial de negócios da MECÂNICA 2004, trazendo, respectivamente, 253, 192 e 137 expositores.

“De 1992 até hoje, cresceu 120% o número de expositores nacionais e internacionais. Há 14 anos, as empresas brasileiras eram maioria na feira. Este ano, observou-se também o aumento do número de visitantes, que chegou a 112 mil”, diz Evaristo Nascimento, diretor da MECÂNICA.

A feira completou 45 anos e foi considerada um marco por expositores. A Romi vendeu 150 máquinas e gerou um montante de R$ 20 milhões. “Esse valor representa quase 70% da nossa produção mensal”, explica Hiçao Misawa, diretor da empresa. A White Martins ultrapassou suas expectativas e saiu do evento com um volume de negócios de R$ 3 milhões. A Trumpf recebeu mais de três mil visitantes em seu estande e vendeu uma máquina de corte a laser no valor de 550 mil euros, ou R$ 2,11 milhões.

Por características inerentes ao negócio, expositores que não concretizaram vendas durante a feira esperam colher bons frutos nos próximos meses. “Para nós, o mais importante é o pós-feira, quando concretizamos as relações comerciais geradas no decorrer do evento”, diz o gerente comercial da Festo, Carlos Daniel Raymundo, que aposta no aumento dos negócios no prazo de 30 a 60 dias. Há 36 anos no mercado brasileiro, a empresa esteve com o estande cheio todos os dias. “O número de visitantes cresceu significativamente, mas não é só isso. A organização da Alcantara Machado trouxe as melhores indústrias nacionais e multinacionais, e as melhores tecnologias na área. O impacto foi muito bom”.

Segundo o gerente de vendas da Norgren, Gilberto de Godoy Cordeiro, a MECÂNICA 2004 reuniu mais visitantes que nas edições anteriores. “Sempre participamos da feira e geralmente recebemos a visita de muitos curiosos em relação ao número efetivo de clientes. Este ano foi o contrário. Tenho a impressão de que a organização, além de reunir os melhores fabricantes, conseguiu alavancar o potencial dos clientes. Certamente teremos muito trabalho nas próximas semanas”, diz o executivo.

A Kortechinik, que representa no Brasil a alemã Messer, fabricante de máquinas de corte para chapas planas, e a francesa Vernet, que produz equipamentos para torres de energia, telecomunicações e construções metálicas, comemora a venda de duas máquinas no valor de R$ 650 mil.    “Independentemente das vendas, conseguimos novos clientes a partir da feira. Esta edição da MECÂNICA foi muitas vezes melhor que a de dois anos atrás. Tenho a impressão de que o número de visitantes triplicou”, diz Ronald Kramm.

A diretora do Grupo Stein, Cristina Stein, por sua vez, mostrou-se surpresa com a participação de compradores de países como Austrália, Nova Zelândia e África do Sul. “Já fazíamos negócios com a Argentina e a China e investimos no estande para ampliar os contatos. Foi a melhor feira dos últimos cinco anos”. A Ingersoll-Rand, fabricante de compressores industriais, vendeu cinco sistemas completos de ar comprimido. A empresa participa da feira desde 1993.

Financiamentos

Para os executivos da Mello, que participa da feira desde a sua primeira edição, em 1959, as linhas de financiamento do Banco do Brasil e do Bradesco mereceram especial atenção. “É uma pena que as condições de pagamento oferecidas no evento não durem até a semana que vem”, brinca José Carlos Ferreira, que pretende fechar negócios a partir dos contatos que fez na feira. Com postos de atendimento montados dentro do pavilhão, o Banco do Brasil e o Bradesco alavancaram os negócios da MECÂNICA 2004 oferecendo financiamentos com prazos e taxas de juros especiais para o evento.

O Banco do Brasil colocou à disposição dos expositores e compradores as linhas do Finame, com repasse do BNDES, e as linhas de crédito do PROGER, com recursos do FAT. O banco recebeu 78 propostas de crédito para análise, num total de R$ 20 milhões. Já a agência de atendimento do próprio BNDES dentro do pavilhão registrou mais de 300 consultas sobre as linhas de crédito e financiamento. O Bradesco, que montou um cyber café junto à agência, contabilizou mais de 200 propostas, totalizando R$ 47 milhões.

Rodada de Negócios

A Rodada Internacional de Negócios, promovida pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), com o apoio da Agência de Promoção de Exportações do Brasil (Apex-Brasil), nos dias 19 e 20 de maio, gerou negócios da ordem de US$ 12,5 milhões. Realizada com o objetivo de aproximar potenciais compradores internacionais dos fabricantes locais, a Rodada funciona como a porta de entrada para o comércio externo, sobretudo para empresários de menor porte. A iniciativa deste ano atraiu importadores e distribuidores de máquinas e equipamentos de 12 países, inclusive novos mercados, como Austrália, Nova Zelândia, Turquia, África do Sul e Portugal, além dos tradicionais parceiros do setor - Estados Unidos, Alemanha, Argentina, México, Itália, França e Colômbia.


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