Maio de 2004


Fórum Discute o Futuro do Setor Plástico

                Com o objetivo de discutir todas as grandes questões que envolvem o futuro das indústrias do setor plástico do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, o sindicato patronal da categoria está organizando o Segundo Fórum Sul-Brasileiro do Setor Plástico, programado para final de junho, no auditório do Hotel Sheraton, em Curitiba. O evento irá reunir empresários, executivos, líderes, autoridades e presidentes dos sindicatos dos demais estados brasileiros.

        As indústrias de plástico pertencem a um setor sensível às alterações de preço do mercado internacional do petróleo, de onde é extraída a nafta. O produto serve de matéria-prima para a fabricação de resinas termoplásticas pelas centrais petroquímicas, localizadas nos pólos petroquímicos do Rio Grande do Sul, São Paulo, Bahia e Rio de Janeiro.

        São apenas nove empresas que operam essas centrais, abastecem o mercado interno e ainda exportam resinas para vários países, principalmente China, que tem um grande consumo de polímeros plásticos de baixa e alta densidade. A matéria-prima é utilizada na industrialização de embalagens flexíveis - como sacos e sacolas rígidas para a indústria alimentícia em geral - e peças técnicas para uso doméstico, agrícola e industrial, além de automobilístico. Entre painel e outras peças, um automóvel contém entre 90 a 100 quilos de plástico na sua construção.

        Segundo Dirceu Galléas, presidente do Sindicato da Indústria do Material Plástico no Estado do Paraná - SIMPEP, a produção brasileira de plástico atinge 4 milhões de toneladas por ano, com 7500 empresas que geram 220 mil empregos diretos. A região Sul participa com 30% desse total, ou seja, 1,16 milhão de toneladas, tendo perto de 60 mil funcionários. Mais de 85% das empresas do setor são pequenas e médias, e unem tecnologia com mão-de-obra intensiva.

        Nos últimos anos o setor vem enfrentando altos e baixos no seu desempenho, principalmente devido às flutuações de preço da matéria-prima, que somente neste ano já acumulou aumentos na ordem de 29%. Pressionadas por todos os lados, as empresas lutam com dificuldade para repassar a totalidade dos custos para os produtos que fabricam, uma vez que trabalham com uma ociosidade média de 40%, enquanto  o mercado continua recessivo e com poucas perspectivas de melhora.

        Além do problema preço, outras questões preocupam as indústrias do setor. Em vez de produzir, estudar meios para melhorar a produtividade e promover a inovação em seus parques fabris, os empresários estão envolvidos com um pesado e burocratizado dia-a-dia, às voltas com juros altos, carga tributária elevada, falta de financiamento a longo prazo, defasagem na tecnologia do maquinário e do seu sistema de gestão, fatores que impedem o crescimento.

        “Estamos literalmente engessados, sacrificando o nosso futuro como industrial que tem por obrigação crescer e gerar empregos”, analisa o presidente Galléas. “Nesse fórum vamos tratar em profundidade todas essas questões e discutir alternativas que possam promover o desengessamento físico e mental dos nossos colegas, executivos e funcionários, além de sensibilizar as autoridades de que o Brasil precisa reaprender a crescer”, finalizou o empresário. (Informe SIMPEP)

 

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