JORNAL DE PLÁSTICOS - MAIO DE 2000


A “RECONQUISTA ESPANHOLA”
DA AMÉRICA LATINA

SYDNEY A. LATINI

A economia espanhola despontou cedo para a conquista de uma posição de destaque dentro do processo de integração no sistema internacional.

A Espanha passou de porta de entrada ao mercado europeu, ao acolher plataformas de exportação aos investidores estrangeiros, a investidora, ela mesma, no exterior, concentrando cada vez mais seus investimentos na América Latina, principalmente no Brasil.

Nos anos 90 intensificaram-se mudanças estruturais e a economia espanhola se transformou de importadora em exportadora líquida de capitais.

As empresas do país, até então investidoras marginarias em âmbito internacional – interessadas fundamentalmente em algumas atividades manufatureiras pouco sofisticadas (alimentos e metal-mecânica) –adquiriram uma importância crescente, em particular na área de serviços. Assim, enquanto algumas empresas transnacionais mais importantes do mundo procuravam incrementar sua eficiência mediante investimentos na Espanha, as empresas espanholas procuraram acesso aos mercados da América Latina com vistas a aumentar seu tamanho e sua capacidade de competir em melhores condições com as companhias líderes nos mercados internacionais, cada vez mais globalizados.

A partir de 1994, a América Latina passou a ser o principal destino nas estratégias de internacionalização das mais importantes empresas espanholas prestadoras de serviços. Este é um fenômeno particularmente interessante, já que em poucos anos a Espanha conseguiu posições de liderança em alguns dos principais mercados latinoamericanos: telecomunicações, energia e atividade financeira –processo conduzido por um grupo de 10 grandes empresas, curiosamente a maioria delas privatizadas há pouco tempo.
No Brasil os investimentos de empresas espanholas passam a ocupar o segundo lugar, superados apenas pelos investimentos de empresas norte-americanas.

O processo de globalização, entendido como o deslocamento a longo prazo para um único mercado universal, parece ser o motor da expansão internacional dessas empresas espanholas. Têm pressa em estabelecer seus sistemas internacionais e consideram uma oportunidade estratégica o fato de que os setores em que operam estejam atravessando um processo de liberação e desregulação, ou por reestruturações mundiais através de megafusões ou megaquisições, como ocorre nos setores de petróleo e bancos.

Se bem que em âmbito local tenha surgido certa preocupação de que esta acelerada expansão possa significar a “reconquista espanhola” de suas antigas colônias, as dificuldades mais sérias que esse processo vem enfrentando têm origem na fragilidade e imperfeição dos marcos regulatórios dos países receptores, os efeitos que produzem na competição e o desafio financeiro que representa uma campanha de tão grande escala para essas empresas espanholas, tendo em vista o pobre desempenho das economias em que se desenvolvem suas atividades, na atual conjuntura.

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