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A “RECONQUISTA ESPANHOLA”
DA AMÉRICA LATINA
SYDNEY A. LATINI
A economia espanhola despontou cedo para a conquista
de uma posição de destaque dentro do processo de integração no sistema internacional.
A Espanha passou de porta de entrada ao mercado europeu, ao acolher plataformas de exportação aos
investidores estrangeiros, a investidora, ela mesma, no exterior, concentrando cada vez mais seus investimentos
na América Latina, principalmente no Brasil.
Nos anos 90 intensificaram-se mudanças estruturais e a economia espanhola se transformou de importadora
em exportadora líquida de capitais.
As empresas do país, até então investidoras marginarias em âmbito internacional – interessadas
fundamentalmente em algumas atividades manufatureiras pouco sofisticadas (alimentos e metal-mecânica) –adquiriram
uma importância crescente, em particular na área de serviços. Assim, enquanto algumas empresas
transnacionais mais importantes do mundo procuravam incrementar sua eficiência mediante investimentos na
Espanha, as empresas espanholas procuraram acesso aos mercados da América Latina com vistas a aumentar seu
tamanho e sua capacidade de competir em melhores condições com as companhias líderes nos mercados
internacionais, cada vez mais globalizados.
A partir de 1994, a América Latina passou a ser o principal destino nas estratégias de internacionalização
das mais importantes empresas espanholas prestadoras de serviços. Este é um fenômeno particularmente
interessante, já que em poucos anos a Espanha conseguiu posições de liderança em alguns
dos principais mercados latinoamericanos: telecomunicações, energia e atividade financeira –processo
conduzido por um grupo de 10 grandes empresas, curiosamente a maioria delas privatizadas há pouco tempo.
No Brasil os investimentos de empresas espanholas passam a ocupar o segundo lugar, superados apenas pelos investimentos
de empresas norte-americanas.
O processo de globalização, entendido como o deslocamento a longo prazo para um único mercado
universal, parece ser o motor da expansão internacional dessas empresas espanholas. Têm pressa em
estabelecer seus sistemas internacionais e consideram uma oportunidade estratégica o fato de que os setores
em que operam estejam atravessando um processo de liberação e desregulação, ou por
reestruturações mundiais através de megafusões ou megaquisições, como
ocorre nos setores de petróleo e bancos.
Se bem que em âmbito local tenha surgido certa preocupação de que esta acelerada expansão
possa significar a “reconquista espanhola” de suas antigas colônias, as dificuldades mais sérias que
esse processo vem enfrentando têm origem na fragilidade e imperfeição dos marcos regulatórios
dos países receptores, os efeitos que produzem na competição e o desafio financeiro que representa
uma campanha de tão grande escala para essas empresas espanholas, tendo em vista o pobre desempenho das
economias em que se desenvolvem suas atividades, na atual conjuntura.
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