JORNAL DE PLÁSTICOS - MARÇO DE 2001


INOVAÇÃO TECNOLÓGICA, POLÍTICA

INDUSTRIAL E EXPORTAÇÕES

SYDNEY A. LATINI


A via do crescimento sólido e continuado dos Estados Unidos há mais de 30 anos é a inovação tecnológica iniciada no próprio país, dando aos produtos características únicas, quando confrontados com os concorrentes, isto é competitividade.

Também os países da Comunidade Européia, Japão e Coréia do Sul, são exemplos muito bem sucedidos de política de prioridade à inovação tecnológica. E, para alcançá-lo, dirigem para esse objetivo 70% ou mais de seu esforço global de pesquisa.

A Coréia do Sul, por exemplo, partindo de um PIB “per capita” de US$ 87,00 em 1962 (muito abaixo do nosso, na época), ultrapassa US$ 11 mil, em 1999, quase duas vezes e meia o nosso, graças, em grande parte, às inovações, que possibilitaram o seu crescimento continuado por mais de 30 anos, como os Estados Unidos, porém a uma taxa ainda maior. Isso propiciou que sua exportação saltasse, no período, de US$ 40 milhões para US$ 130 bilhões, 3.125 vezes mais!

No Brasil, já podemos citar exemplos de conquista lapidar na área de pesquisa e desenvolvimento tecnológico. Lançando um produto inovador, em família de jatos regionais, a Embraer obteve extraordinário êxito num mercado altamente sofisticado e competitivo. As suas exportações passaram de US$ 100 milhões, em 1994, para US$ 1,8 bilhão, em 1999, dezoito vezes mais. E o seu crescimento futuro tem o lastro de mais de US$ 20 bilhões de pedidos de opções. Isso gerou 4.000 novos empregos, com uma produtividade cinco vezes maior.

A Petrobrás é outro exemplo emblemático de sucesso na área de pesquisa e desenvolvimento tecnológico, reconhecido com dois prêmios que lhe foram conferidos por entidades de prestígio internacional e cujo resultado tem sido o aumento persistente da produção de petróleo em águas profundas (a cerca de 2 mil metros de profundidade).

Estes exemplos devem merecer atenta consideração não apenas das grandes empresas nacionais mas igualmente ou, talvez, até sobretudo, das empresas de porte médio. Para se investir pesadamente em tecnologia, no entanto, mais do que divulgar conceitos é fundamental a criação de condições financeiras mínimas para o exercício dessa atividade, em situação de mercado competitivo internacional, posto que a racionalidade econômica do empresário certamente irá prevalecer. O que não se pode é exigir da empresa o aporte de recursos próprios, ou via utilização de fundos a taxas de juros inviáveis para a pesquisa de risco, em situação de nítida falta de competitividade estrutural e similaridade no plano internacional.

É preciso que a autoridade pública busque, mediante ação política em foros nacionais e internacionais, mecanismos para efetivar a transferência e o desenvolvimento da tecnologia de processos, produtos e serviços, de forma ativa e não simplesmente discursiva, como tem sido até agora.

É necessário que se iniciem negociações mais eficazes e duras com a comunidade financeira internacional (Banco Mundial, especialmente), visando à concessão de linhas de crédito privilegiado para ciência e tecnologia, como é usual nos países desenvolvidos e como essência de uma nova política industrial para elevar as exportações num cenário competitivo.


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